segunda-feira, março 31, 2008

Só.

E sem poder explodir em protestos, o pensamento da garota cai de joelhos, aquela multidão de pensamentos que vão se destacando um a um, como numa onda de coisas insuportavelmente ruins, cargas pesadas demais para os seus ombros de menina, medos e vontades escondidos num sorriso, os lábios sorriem, mas os olhos estão vermelhos, as palavras penetraram, tatuaram-se em seus ouvidos e costumam se repetir muitas e muitas vezes, numa firmeza que aumenta à cada segundo e lhe faz produzir lágrimas em olhos cansados... Se tivesse aquele peito forte em que ela se debruçou tantas vezes, se pudesse lhe contar, expor, jogar, amar... Mas ela estava . Permanecia assim, e a solidão até havia se tornado normal, embora a vontade de enlaçar os teus dedos nos seus ainda persiga seus sonhos acordados de menina-mulher, ela tem se acostumado com a solidão, e até prefere, aos gritos insanos de verdades que lhe machucam cada vez mais... E se ela pudesse gritar o teu nome, gritar você, tocar você, viver você, se pudesse completar esse vazio, se pudesse sentir aqueles lábios que lhe agitam os instintos novamente juntos aos seus lábios indefesos e prontos para esse amor, ela suportaria o que lhe tem sido pesado, mas ela é dona da insuportável solidão.



♪ Lágrimas e Chuva - Leoni ♫

Sentimentos bobos num papel improvisado*






O fundo musical é o que me faz lembrar o que não consigo esquecer, esse meu mundo que me dói e que é só meu, peço uma dose de um veneno qualquer que me ferva o sangue e me tire as lembranças duras da alma, a mesma que quase deseja sair do meu corpo sujo e livrar-se da minha mente pouco interessante, aquela que insiste em dizer o que minha boca nunca pôde comunicar, teus ouvidos tão insanos não me ouvem, mesmo que você esteja tão perto de mim, meu corpo e minha mente tentam convencer ao meu coração da loucura desse amor, da dor que me é tão impossível de suportar, o impulso que é só meu e me tranca no vazio, e o que faço, pouco te importa, meus pulsos cicatrizados não representam nada e o perigo de sua abertura também não. Os pulsos da garota que grita e ninguém ouve. Seus olhos diziam a todos que seu coração estava em desespero, sua maquiagem forte, que ela havia desmanchado após a festa, lhe dizia que seu mundo estava tão longe do que é normal... Sua estranheza ainda não lhe é comum, mesmo convivendo há tanto tempo com ela, e ela fecha os olhos e espera mais um dia de mentiras e erros começar.



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♪ Todo Carnaval Tem Seu Fim - Los Hermanos ♫

domingo, março 30, 2008

Sen.ti.men.tos’





Fim, a noite acabou feito gim ;’ ):

Quando o inválido se torna importante demais, a transição é óbvia, há uma água de gosto familiar tocando os lençóis, há um pesadelo repetindo coisas insanas, voltadas pra uma revolta que causa medo de se tornar real, é como estar vazio o suficiente para sentir nas entranhas o gosto dos alimentos que lhe descem corpo à dentro, é uma saudade doída e antecipada, o que faz tudo parecer mais cruel.
É doloroso, pesado, e sem explicação... É estranho por si só, e mesmo após estar acostumada a essa palavra, por uma estranheza minha, é difícil. Talvez porque, não haja aprovação e involuntariamente, não há também costume. Costumes insanos me enojam, assim como essa hipocrisia que me faz sentir febre.

♪ Sentimentos - Ana Carolina ♫

Carência

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Estou eu aqui, corpo de completa indecisão. Participando de mundos onde não me encaixo, vivendo experiências que não são minhas por direito... E nem podem ser. Sendo amada por todos, mas sem prova alguma de amor, vivendo numa felicidade quase líquida e por sua vez em constância hipócrita, com total medo da realidade que me cerca, com medo do abandono de todos. Colocando questionamentos em mim mesma, pedindo um adeus de vez, buscando verdade e solução onde não há. Empolgando-me com um beijo, um aperto de mãos. Uma sentada no colo...um e-mail...ou um simples sorriso, pedindo para ser garota...Bebê...Adulta...Adolescente...Vivendo um sonho, esperando amores, mas nada disso me pertence por direito, há apenas o dever, o MEU dever, de ser alguém...de ter alguém.

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♪ Me revelar - Zélia Duncan ♫

Amor contemporâneo

E nós, desajustados pelo tempo, pela dor, e até pela rotina, acostumado ao ócio, degradamos e esquecemos a própria poesia, já não importa mais a s fases da lua, e nem se ela é poética o suficiente para uma produção, toda delícia, as cores que lhe brilhavam, agora ofuscam os olhares, ou pior, não tem efeito algum, ao sentir, usamos de forma banal os velhos clichês, e tudo se torna mais fácil, são movimentos programados, conhecidos de trás pra frente e qualquer simples e novo esboço que se impõe mesmo que timidamente a aparecer, é loucura. Bem-vindos, bem-vindos, bem-vindos ao amor contemporâneo.
♪ Românticos - Vander Lee ♫