segunda-feira, abril 28, 2008

Alone


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O sol baixou, a lua veio derramar luz aos escondidos carinhos dos apaixonados, que por ela abençoados, inspiram-se das mais belas poesias e navegam nas ondas inebriantes do amor... Mas a garota está sozinha. E a aceitação da noite é completamente contrária a dos apaixonados, embora ela faça muito além do jus a esse nome. À noite, se revela algo além do medo, as situações insuportáveis se repetem, como num filme em 3D, projetado nas telas escuras do seu pensamento, mas o filme se projeta insuportavelmente nítido, logo após, vem o áudio irritante, gritos, palavras carregadas como punhais afiados, erros herdados do medo, desistências, frustrações... E é daí que nasce a dor, a agonia, o medo de um novo fracasso. A língua está dormente pela ingestão do comprimido partido em dois. Divisões bem maiores que as suas, que são incontáveis, mas impossíveis de serem vistas a olho nu, precisaria o olhar vestir-se de sensibilidade e ele notaria então, que há uma dose alta desse sentimento em cada parte dividida da garota e isso só a inquieta mais, ela repara as vozes, reais agora, não mais era preciso lembranças para o crescimento de sua agonia, mas elas desobedeciam a essa regra. O real misturava-se ao filme visto antes, as mãos suavam, molhando os lençóis, junto com a água salgada que lhe escorria involuntariamente pelo rosto, o reflexo no espelho se tornava insuportável... Aturar a mesma menininha boba, cheia de vergonhas, de medos, de responsabilidades, porém cada vez mais irresponsável. O coração acelera, agora a concentração se volta para o reflexo. Olhos fundos, cabelos desarrumados, unhas roídas, pulsos roxos, lágrimas crescendo nos cantos dos olhos. Descobrindo, passeando por cada ponto do rosto que ela teria machucado se ainda tivesse unhas, e agora ela lutava para conseguir não machucar algo mais... O medo crescia, continuava crescendo, a lembrança de cada gota de sangue, era quase impossível recuperar a força depois de tudo aquilo, mas o impossível sempre foi uma palavra conhecida intimamente por ela, e já havia até um costume em relação a isso. Ela sabia exatamente o que fazer, quebrar um sorriso de canto, achar que nada passou de um sonho ruim e sorrir mesmo que internamente derrotada.
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♪ Meu medo - Reação em cadeia ♫

Um comentário:

Maah disse...

Nooooosssaaaaa!!
me surpreendi com essa poesia mesmo sem entende-la completamente.. ;)

Um dia eu vou entender, Um dia xD

Bjaaum evinha!!