sexta-feira, maio 09, 2008

Platonismo


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Acordei desejando que não fossem cinco horas da manhã. E não eram. Já passava das sete e quase entrei em pânico até me lembrar de que não iria estudar hoje. Puxei a toalha e tomei um banho rápido. Fazia frio. Sentei-me em frente ao computador e tentei esquecer a chuva. E mais uma vez, eu pensava em alguém. Podia, secretamente, imaginar um romance sem igual, o que levaria muito do meu tempo e me faria esquecer, mas naquele dia eu não tinha acordado bem. E todo aquele sonho amoroso passara a ser dolorido. Eu sufocava meus gritos que podiam por reciprocidade. Via fotos seguidas e me apaixonava ainda mais por aquele sorriso. Desejei ter vinte e poucos anos, desejei ter trinta. Desejei que alguém pudesse ler mais que infanto no meu olhar. Desejei uma troca de olhares. Um sentimento, um abraço, afago, carinho qualquer. Quis que o telefone tocasse para quebrar aquele silêncio, para que eu não pudesse ouvir as vozes dos meus desejos, que eram por muito, proibidos. Desliguei o computador. Deitei-me novamente e dessa vez, desejei ter em sonhos o que a realidade não me permitia.
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♪ Contramão - Isabella Taviani ♫

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