sexta-feira, junho 27, 2008

A matemática das idades

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Suas mãos tremeram ao receber aquela carta, não olhou para o rosto do rapaz, não havia sentido, nem motivos para olhar, àqueles olhos lhe diriam o que ela sempre soube, mas nunca quis acreditar, não havia o que dizer, mas sem levantar os olhos, disse-lhe:
- Adeus
E ele, quase sem ouvir o que ela disse, mas deduzindo sem muito esforço, disse-lhe:
- Adeus, minha querida, seja feliz, é tudo o que eu mais quero.
A garota não falou, estava engasgada em lágrimas e não queria chorar ali, ele virou as costas e saiu. Ela sentou-se.
Agora, desciam-lhe as lágrimas que por pouco não haviam descido antes, já sem medo de ser vista, não se movia para esconder o rosto, apenas chorava. Olhou para a carta, abriu-a.
Viu, mais uma vez, impressas as letras firmes do rapaz, mas dessa vez, não viria uma declaração de amor, mas o termino do amor, amor que ela havia sentido não há muito tempo, mas com muita força.
Cada palavra escrita parecia cortar-lhe por dentro, e seu corpo, sangrando, não se movia, apenas chorava.
De repente, uma mão pesada, mas macia, tocou-lhe o ombro: Era ele!
Mas o que ele queria? Rir de suas lágrimas? Ela olhou fixamente para seus olhos e ele, gaguejando um pouco, mas com coragem, disse-lhe:
- Minha menina, eu pensei muito e descobri que a matemática das idades é difícil, mas nós não precisamos resolvê-la, não vivo sem você e quero viver o nosso amor até o fim.
Ela olhou para ele, ele enxugou suas lágrimas, os lábios do rapaz estavam prontos para descer aos seus, os dela, estavam entreabertos, receptivos, fechou os olhos lentamente, beijaram-se, e seus corpos, juntos, pareciam um só... E pouco importava a idade que esse corpo tinha.
Idades muitos distantes, não é? Mas um amor tão próximo, tão intenso, tão imenso amor...




♪ Um Amor Puro - Djavan ♫

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