quinta-feira, outubro 30, 2008

complexo Isabel.


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"Era tão feio assim aquele rosto? Tão repulsivo que alguém como ele não podia encontrar nada nele que o atraísse? E aquele corpo? estava mesmo gordo? Não tinha aquelas curvas, aquelas saboneteiras, aquela penungem sensível à carícia em sentido contrário, como dizia Vinicius de Moraes? Não seriam atraentes aqueles pequeninos seios que muito bem poderiam ter servido de forma para taças de champanhe?"



[A marca de uma lágrima - Pedro Bandeira]



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Por favor, não me acorde. Não agora, não permita que os meus olhos descubram essa dor outra vez. Deixe-os assim, fechados. Nos meus sonhos ainda nada aconteceu. Acorde-me assim que eu puder sorrir. Quando não houver mais o fantasma desses anos. Por favor, me perdoe as durezas causadoras das lágrimas nos olhos que me tomam agora. Só me acorde, peço, só me acorde, quando puder ouvir o perdão. Acorde-me numa manhã onde eu seja minha, inteiramente. Onde eu seja tão minha a ponto de doar-me.

Dia Que Não Tem Tarde - O Trevisan

sábado, outubro 25, 2008

Daqueles contos baratos de ônibus

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Quando acordei às 6h daquele dia chuvoso, pedi para estar acordando num sonho. Mas os meus olhos ardendo pela insônia da noite passada eram reais demais. Depois da pontada no meu estômago percebi que havia mesmo acordado, e ainda por cima, estava atrasada. Corri para me arrumar e o ônibus já ia saindo quando subi e me vi pendurada na porta, esperando uma mulher de pelo menos uns 80 quilos subir. "Pronto, o que mais pode acontecer hoje?" pensei. O que não imaginava era que viria sim, muito mais pela frente. Assim que passei pela borboleta me deparei com um ônibus que muito bem se compararia a um açougue. Tentei passar para frente, esbarrando, pisando, recebendo milhares de palavras impróprias para as seis e meia da manhã. Mas enfim, consegui. Não seria tão difícil afinal, descer no ponto próximo à escola. Não seria, se eu não tivesse que passar mais 30 minutos suportando em pé uma dor de estômago infernal. Supliquei em silêncio que a moça que estava na minha frente descesse no próximo ponto, mas não. Veio mais um, e outro, outro... e mais outro. E a dor ali, aumentando, incomodando, quase que insuportável. Quando nem tinha mais esperanças, a mulher se levantou, puxou o cordão para pedir o próximo ponto e eu dei um sorriso bobo, aliviado. Mau me encostei na cadeira e vi um homem de uns 70 anos subindo pela porta dianteira do ônibus, mas afinal, eu não era a primeira pessoa sentada num banco preferencial para idosos. Acontece que para meu quase desespero ninguém se compadeceu com o homem, que tinha a feição cansada pela idade avançada que carregava nos ombros. Lá fui eu, levantando e sentindo as conhecidas pontadas no estômago. Depois dos últimos quinze minutos em pé, sentindo náuseas pelo rapaz que havia posto o braço praticamente em cima da minha cabeça com um odor nada agradável, desci. E senti alívio. Apesar de tudo, eu tinha feito a minha boa ação do dia.

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É nessas horas que a gente se pega pensando como o Renato Russo: "Poxa, eu sou um cara tão legal, eu não posso ser doente" :x

Ah, cansada de tudo isso, sabe?! :C

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Baader-Meinhof Blues - Legião Urbana

terça-feira, outubro 21, 2008


"E vai
Mais um quase beijo
Só a noite cobre
Os defeitos do ser
(...)
Mas encolho os dedos
Eu mordo os lábios
Medo de esconder
E vai mais um quase toque
Na pele que arde
De tanto fingir"

[O Preço Da Flor - Mallu Magalhães]

quinta-feira, outubro 16, 2008

-Se fosse resolver...




"Se fosse resolver, iria lhe dizer... Foi minha agonia. Se eu tentasse entender, por mais que eu me esforçasse, eu não conseguiria. E aqui no coração, eu sei que vou morrer um pouco, à cada dia. E sem que se perceba, a gente se encontra numa outra folia." Lua e Flor/Agonia - Oswaldo Montenegro


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14.10.08, olhei e vi a data no quadro a piloto, escrita também em letras garrafais logo abaixo. Aquelas letras prenderam a minha atenção e, como num estalo de dedos, me remotaram a todos os dias iguais aquele. Há quase um ano atrás, eu sorria mais que qualquer outro apaixonado, amava mais que o próprio amor. A voz do Fernando Anitelli ressoava nos meus ouvidos, dizendo que tinha motivo pra viver de novo, mas que descobrir o verdadeiro sentido das coisas, é querer saber demais... Talvez agora eu realmente não seja uma menina de descobertas, a menina que enfrentaria o mundo inteiro por um amor. Aliás, que amor? Toda a devoção trocada tantas vezes soava sozinha agora. Todos aqueles dias em que nós nos casávamos uma centena de vezes. Quando dividíamos beijos, carícias, abraços e vontades. Erámos tão firmes... Tão firmes, tão confiantes. E num dia como esse, tudo isso pesa mais. Como haviam pesado a algum tempo as palavras ásperas que me disse. Quando me contou dos teus sonhos de amor onde a protagonista já não era eu. Mas de tudo, não era isso que dóia, afinal, eu também havia atuado em alguns romances. O que doía, era ver se esvaindo o que havíamos jurado ser perpétuo.Ver acabar na minha frente e não poder mudar. Não aceitar essa idéia cada vez mais próxima de nunca mais. Te ver assim, retrocedendo. Abrindo mão de tudo por conta dessa mania de terminar. E agora, por favor, não me venham falar de amor. Tudo o que eu quero, é não estar apaixonada.

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... Qualquer identificação [não] é mera coincidência ...

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Os Barcos - Legião Urbana

terça-feira, outubro 14, 2008




Romeu: O amor é assim mesmo: as dores pesam no peito, mas isso só aumenta os efeitos da paixão. O amor é uma fumaça de suspiros, é fogo que ameaça o olhar, é um rio de lágrimas quando contrariado... Que mais? É uma loucura sensata, é um fel que sufoca, é uma doçura que anima.





(...)





Benvólio: Escute o que digo: não pense mais nela.

Romeu: Então me ensine como não pensar.

Benvólio: Abra os olhos; há muitas belezas para se olhar.

Romeu: Essa é a melhor maneira de comprovar a beleza dela. Mostre-me, pois, uma beldade rara; servirá, ao menos, como sugestão para que eu lembre quem a excedeu em formosura. Adeus. Você nunca vai me ensinar o esquecimento.



[Romeu e Julieta - William Shakespeare]





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O muito embreve misturou amargo e doce, um doce que se perde nos lábios sozinhos, deixando só dor no amargo silêncio, no sorriso forçado, na espera.
>Sinal de Adeus - Isabella Taviani

sexta-feira, outubro 10, 2008

Uma estrela baixa.

"-Amei a outro, que importa, se acabou? Um dia, quando nos separarmos...
-Não digas isso!-Bradei eu.
-Tudo cessa! Um dia...
Não pode acabar. Um soluço estrangulou-me a voz. Estendeu as mãos, tomou das minhas, aconchegou-me ao seio, e sussurrou-me aixo ao ouvido:
-Nunca, nunca, meu amor!
Eu agradeci -lhe com os olhos úmidos."

[Memórias Postumas de Brás Cubas - Machado de Assis]

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- Sonhei contigo.
- Sonhou comigo, assim.. por acaso?
-...
-Nos beijavamos?
-Sim
-Sem querer?
-Foi estranho, não que tenha sido sem querer. Até porque se querer fosse a questão...
-Então você quis. Qual seria a questão já que não é querer?
-Eu quis, mas. Além de mim, alguém quis ?
-Além de você, há alguém que quer. Desculpe-me a demora para responder, estava destraída.
-Mas a resposta fez com que eu esquecesse de toda a demora.
-Ah, meu amor, eu não quero ser motivo de martírio, mas garanto que se estivesse aqui, eu realizaria qualquer tipo de sonho e de querer, tanto seu quanto meu.
-Ah, essa distância...
-Não dê atenção a distância, atente-se apenas a minha promessa para poder lembrar sempre e certamente, cobrar-me.
-Poderei cobrar ?
-Poderá até me obrigar se realmente quiser
-Espero que não precise. E tenho quase certeza de que não precisarei, pois será logo.
-Mau posso esperar...


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Go With The Flow - Queens of Stone Age

segunda-feira, outubro 06, 2008

[não] sentir.


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-Oi
-Olá!
-Tudo bem?
-Há quanto tempo sonhamos com isso, hein?
-É...
-Sonhamos?
-Sonho
-Mas olhe, eu tenho que ir.
-Tchau
-Tchau, tchau... Nos veremos logo mais
-Um dia, talvez.

o usuário está offline

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A gente finge frieza tão facilmente quando a reciprocidade some...

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Pra Dizer Adeus - Titãs
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"Sentou-se, com a cabeça recostada nos joelhos.
- As coisas estão começando a pesar...
- Sua mãe?
- Ela, meu pai, minha família inteira, as pessoas na rua, o jornal... Essa casa...
- Você não precisa ficar aqui, pode vir comigo.
- Eu não quero ser quem te traz mais um problema.
- Você é a minha dádiva, Mi. Nunca o meu problema."

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"Senti teu coração perfeito batendo à toa, e isso dói. Seja como for, é uma dor que dói no peito. Pode rir agora que estou sozinho" Angra Dos Reis - Legião Urbana.