sábado, novembro 29, 2008

[...]

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
[Roteiro do Silêncio]
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"Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer."
[ Do Desejo]
[Hilda FODONA Hilst]

quinta-feira, novembro 27, 2008

E dá pra ficar com raiva dele?





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Num dia nublado e 'griposo' de quinta-feira, com uma dordegargantadocacete' e uma dordecabeçadesaircorrendo', eu acordo com um "murro de batman" no queixo.




-Bom diia Edinha!




-Ow Pedro, eu não acredito que você me deu um murro! Eu vou pro meu quarto, e você nem pense em ir me encher!




-Ah, mana... Tique aqui com eu...




-Por que você quer que eu fique com você?




-Puquê... Eu tim amo.




-Own meu príncipe, eu fico aqui com você, vem cá...








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E dá pra ficar com raiva dele?

quarta-feira, novembro 26, 2008

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Em meio ao breu... A minha constelação.

terça-feira, novembro 25, 2008

Soneto de Fidelidade


"De tudo, ao meu amor serei atento

Antes e com tal zelo, e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vive-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou ao seu contentamento.
E assim quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angustia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
*Vinicius de Moraes*
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Moonshine - Gram

segunda-feira, novembro 24, 2008

E eu achando que tinha me libertado.


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Talvez eu saiba o que me trouxe aqui. Ou pelo menos ache que sei. Práticas incontáveis, uma infelicidade quase sistemática, a lembrança de uns [nem tão] poucos beijos quentes, uma escolha, um livro, uma pedra. Mas hoje alguma coisa acontece de diferente, e por nenhum desses motivos, tento expor um sentimento que não sei sentir ou descrever. Ando à flor da pele, e isso é estranho pra mim. Não que nunca aconteça, mas há muito tempo eu não sabia o que era sentir isso. As notas que saem do violão parecem dilacerar cada parte do meu corpo que vibra insistentemente. Percebo o quanto me envolvi intimamente com as minhas farsas. Ao ponto de não saber mais distinguir quem é a Eva nessa história toda. Contra quem luta, e se luta. Na verdade, será que preciso mesmo estar sempre lutando? Não seria mais fácil abrir a janela e deixar o sol descobrir o meu rosto? O problema é que eu tenho feito. E tenho sentido vontades especiais, que já não são tão escravas das minhas pontes e da minha opinião. Ah, eu tenho descoberto tantas outras coisas... Mas estou incompleta. Algo não se concretiza, e eu não faço a mínima idéia do que seja. Sei que hoje eu disse algumas verdades, desviei olhares do que me atraia, fingi não me importar. Só não é só isso, não é! Eu me sinto perdida no meu desequilíbrio interno. Tento achar em outras pessoas os meus sentimentos confusos e simulo me aquietar. No fundo tudo isso pulsa dentro de mim todo o tempo.


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vamos fugir?


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Infinito Particular - Marisa Monte

domingo, novembro 23, 2008

Ou nada sei.

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Nesse domingo minha mãe me convidou para ir à igreja. Mesmo não sendo um programa comum nas noites de domingo, aceitei. Fomos à uma igrejinha católica no nosso bairro mesmo. Ao chegar, algumas pessoas me olharam torto, procurei não me importar. Sentamos, e procuramos nos concentrar na missa. Mas lá veio a minha mania de analisar tudo. Olhei para a moça bem arrumada na minha frente. Tinha nos lábios um batom vermelho rubro, as unhas roxas, um roxo escuro. Vestia uma roupa branca que tinha quase que a mesma tonalidade da sua pele. Estava animada, uma animação fora do normal. Logo atrás de mim, percebi duas meninas mais ou menos da minha idade. Estavam de mãos dadas, e bastante próximas. Os olhares tortos agora eram pra elas. O ritual católico passou rápido. Em pouco tempo já estávamos na benção final e logo depois meu irmão já saltitava nas escadas. Senti quase um choque ao sair. O barulho ensurdecedor nas ruas e os carros perambulando me perturbou um pouco. Algumas beatinhas que iam para as suas casas comentaram tímidas e um tanto preconceituosas "Quanta baixaria!", me limitei a rir disfarçadamente. A lua baixa apontava a hora no relógio que marcava 21h30. Uma mulher vestida de maneira bem diferente das mulheres atrás de mim apontou na esquina e um homem de meia idade a agarrou pelos cabelos enlaçando-a num beijo. A mais nova das beatas comentou "Minha nossa senhora, que beijo!". Foi logo repreendida pelo olhar da outra, que no fundo pensava o mesmo. No meio daquela confusão, éramos todas mulheres da vida. Vidas distintas em demasia, mas vidas. Algumas mais animadas, outras que quase não poderiam ser chamadas desse jeito. Mas ao fim de todas as conclusões, vidas.


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... Essa chuva me deixa tão estranha ...

sábado, novembro 22, 2008

Tudo que é vago, vaga?

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Tudo que é vago, vaga? Quando falamos em 'vagos pensamentos' e 'pensamentos que vagam', falamos da mesma coisa?
Há todo um sentido por trás de perguntas aparentemente superfluas. E a gente se perde tentando achar o caminho pro céu. Gosta de estar na terra, mas quer o céu.

e "é o beija-flor que beija a flor, ou a flor que beija o beija-flor?"

-Talvez hoje a flor esteja meio bicuda.

e dois bicudos...


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Grades.

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"Se você olhar através da grade, verá apenas as flores. Mas fugirá do verdadeiro problema. A grade continua ali."


[Carla Carniel]




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Então, o que você faz, corta as grades? Admite que tem vontade, afinal, conhece bem o que há por trás dela, desfrutou quando ali não havia grade alguma. Só que agora você já não pode mais. Talvez tente pôr os dedos entre os espaços pequenos, quem sabe um braço. Mas nunca mais que isso. Então, você tenta conviver com essa certeza mesmo lembrando todos os dias de como o outro lado é bom. Afinal, você não é forte o suficiente para quebrá-las. Tem medo da punição que vai receber. Além de tudo, tem medo dos olhares fulminantes que despertará pela sua atitude. Então, você espera ter uma tesoura resistente (também chamada de bagagem etária) e passar a desfrutar a poesia daquele mundo proibido.
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Avesso - Jorge Vercilo

quarta-feira, novembro 19, 2008

há tanto...

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é, talvez tudo isso faça mesmo parte do meu show.

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meio bossa nova e rock in roll.

sábado, novembro 15, 2008

Fizeram-me exceção.




"Você está perdido
ou incompleto?


Você se sente como um quebra
cabeça


E não consegue achar sua peça
perdida?


Diga-me como se sente.


Bem, sinto que eles estão
falando


Uma língua que eu não
falo


E eles estão falando
comigo
"

[Talk - Coldplay]


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Hoje eu cheguei à conclusão de que jurar amores não é difícil. Pelo contrário, é mais fácil que uma prova de geometria de fim de bimestre. Você pode, por exemplo, jurar amores ao carinha do supermercado que vê todos os dias e lhe parece simpático. É só abrir a boca e falar, simplesmente. Pior ainda, você pode usar o menseger. É, o MSN mesmo! Basta que diga "eu te amo" algumas mil vezes e simule estar apaixonada instantaneamente. Então, se você estiver com sorte o idiota do outro lado vai se encantar pelas suas palavras lindíssimas e achar que só quem sente algo muito forte pode escrever aquilo. Se ele for esperto, tudo bem... Há milhares de bobos para enganar!


- Alguém me faz o favor de dizer que lingua é essa?

-

terça-feira, novembro 11, 2008

E ela, o que diz?

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"
COMO SE ISSO FOSSE TIRAR DELE QUALQUER RESPONSABILIDADE
NÃO SE IMPORTANDO SE ISSO ACABARÁ COM A VIDA DELA
"


*

- Mas por que ser outra pessoa?
- Porque a Eva dá nojo. A Eva não presta. A Eva é uma rebelde sem causa. A Eva é uma mau-resolvida.


*

- Mas sim, como é que voce tá?
- Bem, e você?
- Então, dizem que bem também.
- Dizem? E você, o que me diz?
- Eu digo que sou bem convincente.


-

[...]

Clarisse - Legião Urbana

domingo, novembro 09, 2008

More than tears.


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"And I'd give up forever to touch you


'Cause I know that you feel me somehow


You're the closest to heaven that I'll ever be


And I don't want to go home right now


And all I can taste is this moment


And all I can breathe is your life


And sooner or later it's over


I just don't want to miss you tonight


And I don't want the world to see me


'Cause I don't think they'd understand


When everything's made to be broken


I just want you to know who I am


And you can't fight the tears that ain't coming


Or the moment of truth in your lies


When everything feels like the movies


Yeah you bleed just to know you're alive


And I don't want the world to see me




(...)



I just want you to know who I am


I just want you to know who I am


I just want you to know who I am


I just want you to know who I am"


[Iris - Goo Goo Dolls]


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Mas tem um outro...               14.11.07.                   O Último Anjo. ♪


[...]

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sábado, novembro 08, 2008

Você, Eva.

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Se tá tudo bem? Não, não tá. Hoje é um daqueles dias em que dá aquela vontade imensa de extrapolar, sair, dançar, CAUSAR. Mas e aí, Eva? Você tá aqui, sentada na cama em que vai dormir daqui à poucas horas. Talvez você se levante, pinte alguns quadros, ouça uma música, vá para o computador. Mas nunca, nunca vai ter coragem de arir a boca e dizer que tá tudo ruim, tudo uma merda, tudo no limite. Nunca vai tomar coragem de dizer que quer sair, que quer conversar com alguém, abraçar alguém. Nunca vai dizer que é um porre estudar e ouvir alguém dizendo que você faz tudo errado. Você é tão covarde, Eva, tão covarde... Covarde ao ponto de esperar estar sozinha para esmurrar a parede. Covarde ao ponto de tremer por um atraso que de atraso não tem nada. Você é tão boba, garota. Se esforça para criar uma imagem politicamente correta que nunca fez seu estilo e não ouve um elogio se quer. Você é tão tosca, Eva. Vive cheia de medos, de angústias. Não sabe dizer que não vai se esforçar para melhorar se você continuar acompanhando os olhares que te acusam todo o tempo. Você nunca vai falar? Vai continuar sendo isso? Você cansa, sabia?! É, Eva...E você se cansa também, menininha. Você quer pedir colo, mas o travesseiro deve servir. Dorme com os anjos, menine. Aproveite, nos seus sonhos, se você não fala é por opção. Nos seus sonhos você sorri sinceramente. Nos seus sonhos você não precisa fingir.


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Artifício Mágico - Luxúria

Para eles.


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Hoje escrever não é tão difícil para mim quanto para vocês, e eu entendo o quanto dói despedir. Entendo de uma forma que talvez nem queira. A dor é incalculável, invade tão bruscamente que é difícil se manter em pé. Acompanhar as lágrimas de vocês me fez sentir o que viveram e ver que não se resume em dias de aula vestidos na farda da Favo de Mel. São momentos únicos. Risadas, segredos, bagunças, histórias... Uma junção, uma família.
Quando a gente tenta de toda maneira se guardar das lágrimas, elas vêm desabando, incomodando, doendo. Separação não deveria existir no dicionário, não deveria se nunca mencionar uma palavra que traz tanto sofrimento. Mas existe. E se existe é para que possamos aprender o quanto cada um é especial na vida do outro, perceber que o amor é um sentimento enorme. Existe para que possamos lembrar sempre daqueles anos como os melhores. Para que possamos crescer com cada abraço, para que possamos amanhecer brilhando mais forte.
É, brilhar. Não deixem nunca que a ausência das presenças desse ano apague o brilho de vocês. Brilhem, brilhem muito. Deixem que a sintonia que cresceu entre vocês faça com que continuem juntos em pensamento, em sentimento. Mas se por acaso um dia a lembrança doer, a saudade apertar, chorem tudo o que tiverem que chorar. Afinal, “A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar.

Com um carinho eterno,
Eva Cidrack.


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quinta-feira, novembro 06, 2008

Tentando ser metade do inteiro que eu sinto.

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A cena cotidiana das 21h foi substituída por uma bem diferente. E como já era de se esperar, eu fugi. Fugi e deixei que as lágrimas inundassem o meu rosto em brasa. Quando voltei, não consegui conter a admiração pelo que via. Como pode, como pode? Ao mesmo tempo em que me causava tanta admiração, aos outros causava tanta repudia, tanto desprezo, tanto nojo... Ouvi a mesma frase repetida por mim milhares de vezes. Mas o que disse foi bem diferente. E me senti suja. Satisfeita pelos sorrisos que causei pelo humor que tentei imprimir na frase, para disfarçar a minha agonia. Mas suja. Não vacilei um segundo se quer. Fui uma atriz, na peça de teatro mais arrepiante que já conheci: Preconceito.

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~ Se minha vida fosse um filme, eu ganharia o oscar de melhor atriz.


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terça-feira, novembro 04, 2008

Será?

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"Não é me dominando assim que você vai me entender
[...]
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
[...]
Temos erros a mais, eu e você"


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Angústia, medo, lembranças, tudo o que me toma machuca demais. Mas o que me incomoda de verdade é a [in]diferença. Que talvez nem seja assim tão diferente em você, não mais. Afinal, todo esse meu disfarce convence bem. Quebramos uma linha do tempo, e há muito tempo você já não me conhece mais. Talvez eu nunca mais olhe nos teus olhos e diga algo que passe de mentiras convincentes e leve o tempo todo perguntando se alguma coisa nisso tudo faz sentido. De vez em quando, sinto tudo muito bem, e todas as vezes em que abraço e sinto todo o afeto da nossa relação chego a pensar que somos ainda as mesmas pessoas. Mas é uma farsa, sempre, sempre uma farsa. Uma farsa que depende da sua felicidade tanto quanto da minha. E se essa tal voz ativa não me vem, é porque a sua é bem mais importante. No dia em que eu for embora desejarei não olhar nos seus olhos. Que talvez só assim percebam o tempo perdido, tempo que essa censura nos fez perder. E se me calo quando você me diz tudo aquilo é porque ainda quero paz nas nossas vidas. Afinal, eu a conheço desde que nasci.

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Será - Legião Urbana

segunda-feira, novembro 03, 2008

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"Mas eu não posso deixar de acreditar em mim"


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Quando rabisquei a data de hoje no papel me segurei para não gritar um ''Nãããooo'' desesperado. Que sem dúvidas soou forte dentro de mim. E eu, que agora me via não querendo voltar tornei as lembranças mais fortes por alguns minutos. Mas não é mais só isso, e eu sei. Disse uma vez sobre saber ir da aceitação ao desespero num tempo que nem adiantava caucular, às vezes muito rápido. Outras, quase em séculos. Sim, havia me acostumado. ''Finalmente!'', vibrei internamente. E ainda mais, tratei de me provar com novas experiências. Novissimas, quentes...Maravilhosas. Valia a pena, afinal, me livrar dos sentimentos que as músicas me traziam (ou simplesmente não ouvi-las), esperar a maior idade e gritar ao mundo? Eu? Não, não fazia o meu estilo. Inconseqüente, ansiosa, sonhadora, amante. Esperar nunca foi do meu feitio. Dói despedir muito mais que todas as outras vezes. Adeus? Não, não... Até a próxima, até um dia, até o dia, talvez.

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Here With Me - Dido

sábado, novembro 01, 2008

Pesar, pesar, pesar.

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E hoje se você fizer uma lista de situações [independente de quais sejam], eu estarei sempre pesando.

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Se era pra machucar, parabéns. Conseguiram.



"mas eu me mordo de ciumes"

:x



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Seu Minuto, Meu Segundo - Gram