domingo, novembro 23, 2008

Ou nada sei.

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Nesse domingo minha mãe me convidou para ir à igreja. Mesmo não sendo um programa comum nas noites de domingo, aceitei. Fomos à uma igrejinha católica no nosso bairro mesmo. Ao chegar, algumas pessoas me olharam torto, procurei não me importar. Sentamos, e procuramos nos concentrar na missa. Mas lá veio a minha mania de analisar tudo. Olhei para a moça bem arrumada na minha frente. Tinha nos lábios um batom vermelho rubro, as unhas roxas, um roxo escuro. Vestia uma roupa branca que tinha quase que a mesma tonalidade da sua pele. Estava animada, uma animação fora do normal. Logo atrás de mim, percebi duas meninas mais ou menos da minha idade. Estavam de mãos dadas, e bastante próximas. Os olhares tortos agora eram pra elas. O ritual católico passou rápido. Em pouco tempo já estávamos na benção final e logo depois meu irmão já saltitava nas escadas. Senti quase um choque ao sair. O barulho ensurdecedor nas ruas e os carros perambulando me perturbou um pouco. Algumas beatinhas que iam para as suas casas comentaram tímidas e um tanto preconceituosas "Quanta baixaria!", me limitei a rir disfarçadamente. A lua baixa apontava a hora no relógio que marcava 21h30. Uma mulher vestida de maneira bem diferente das mulheres atrás de mim apontou na esquina e um homem de meia idade a agarrou pelos cabelos enlaçando-a num beijo. A mais nova das beatas comentou "Minha nossa senhora, que beijo!". Foi logo repreendida pelo olhar da outra, que no fundo pensava o mesmo. No meio daquela confusão, éramos todas mulheres da vida. Vidas distintas em demasia, mas vidas. Algumas mais animadas, outras que quase não poderiam ser chamadas desse jeito. Mas ao fim de todas as conclusões, vidas.


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... Essa chuva me deixa tão estranha ...

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