quarta-feira, dezembro 17, 2008

Quero viver, quero ouvir, quero ver.

Há dias em que eu acordo estranha. E nesses dias em que me sinto meio Alice e digo "Que estranhíssimo, que muito esranhíssimo!", sei que tudo vai pesar. E ontem foi um desses. Foi dia de sentir saudades, dia de chorar um pouco. Dia de contar os dias e chegar no 30º justificando uma ausência, um desprezo. Ontem foi dia de ficar no meio da rua sem dinheiro pra voltar pra casa. Ontem foi dia de reler poemas. Dia de mentir descaradamente. Dia de querer uma tatuagem no pulso. Dia de amar além das forças. Dia de pensar. E foi aí que eu me vi sozinha no meu quarto ouvindo Marisa Monte e pensando, pensando, pensando. E eu pensava no porque de estar ali. As folhas rabiscadas de contas e contas do meu lado justificavam a minha irresponsabilidade. Outras folhas com provas anteriores do Sesc, do Sesi e outras empresas. Por que eu estudava tanto? Pra quê? Eu, que respondi tantas vezes que quero crescer, andar nas ruas e ouvir alguém perguntar "Você é que é a Eva Cidrack?", agora já não vejo mais tanto sentido assim. Eu vou estudar pra trabalhar, trabalhar pra estudar. Ah, não sou isso que tenho feito de mim não. Vejo muito pouco sentido em trabalhar-trabalhar- trabalhar, estudar- estudar- estudar e pra quê? Pra estar cansada no domingo e querer passar o dia em casa? Tenho medo de me tornar alguém assim. Porque não sou. Sou a garota que enche a cara mesmo, que beija quem não pode, que mete os pés pelas mãos, mas se diverte. A que vive, mas que vive muito e vive tudo o que tem pra viver. Eu não sou essa garotinha tom-pastel que estou me tornando. Chega de boas ações. Eu quero felicidade .

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E todos vão falar
Dar nomes pra mim
Votar minha fé
Que eu sou o teu quintal
Se alguém vier falar
Não brigue por mim
Só diga que sou
Um problema seu. ♪

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