quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Fechado para balanço.

Júlia

Júlia acordou decidida a ir em busca do que queria. Tomou um banho longo, deixou os cabelos lhe caindo aos ombros. Se vestiu respeitando o seu estilo de sempre, não era sexy, mas tinha alguma sedução por trás do seu olhar misterioso de escorpiana. Saiu com uma felicidade contagiante. Nem mesmo a conversa com sua prima evangélica na noite passada havia lhe feito desistir. Ela falou sobre amar. Sobre um amor diferente. Sua prima asperamente comentou que desejava que “elas” se convertessem e partiu para os beijos em praça pública com o seu mais novo namorado. “Dane-se!”, pensou. Sentou e esperou que algum carro que fizesse linha para a cidade ao lado passasse. Não esperou muito, apontou na esquina uma vam branca. Ao chegar mais perto notou que só havia o motorista no carro. Quase nem cogitou a idéia de não entrar. Se não fosse a recomendação da sua mãe de que “ela nunca deveria entrar num carro de desconhecidos”, teria entrado de primeira. Deu um sorriso tímido e disse ao homem que não queria ir a lugar algum. Pouco depois, notou uma outra vam, dessa vez marrom. Novamente vazia. Mas dessa vez ela conhecia o motorista. Ele havia negociado algumas cabeças de gado com o seu avô. Entrou no carro e notou uma Bíblia Sagrada encostada no vidro. Na sua frente, um adesivo com partes do Salmo 23. Olhou para a janela e esperou ansiosa que passassem logo os 15 minutos de uma cidade para a outra. O homem virou o carro para a direita, fugindo do caminho normal. Júlia estranhou. Ele corria para mais longe. A garota entendeu em pânico o que estava para acontecer. Sabia que ninguém ouviria se ela gritasse, ninguém ajudaria se ouvisse. O homem parou o carro e puxou a menina para fora. Mandou que ela tirasse a bermuda, e ameaçou rasgar a sua roupa se ela tentasse dar uma de rebelde. Júlia tirou a roupa enquanto o homem lhe apertava os seios pequenos e virgens. Sentia a saliva dele molhar o seu pescoço e ouvia a sua respiração ofegante. O homem a jogou no chão, enquanto com um dos dedos afastava a calcinha da garota para o lado. Lhe penetrou com força. Júlia gemeu de dor. Ele continuou os movimentos cada vez mais fortes durante alguns minutos. Levantou, tonto e lhe disse: “Vamos, gatinha, levante”. Ela puxou folhas do seu caderno novo para conter o sangue. Olhou em volta, e percebeu que havia mato demais para uma ofidiofóbica. Se vestiu e andou com algum esforço até o carro. Sentou novamente sentindo cólicas, e não falou durante todo o percurso. Adiantaria dizer o que houve a alguém da sociedade feminina sempre tão submissa?O adesivo pulou aos seus olhos e ela suplicou que tudo aquilo fosse verdade. No fim, ficou a certeza de que se havia honra ou glória guardada a um primeiro momento, elas já não ficariam agora, ou para sempre.

Amém.

um só sempre é demais.

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Às vezes sinto algo perfurar a minha carne. É estranho. Ao mesmo tempo se aloja no cérebro e no coração. Tenta firmar novamente insanidades e eu saio de órbita, como se as minhas programações para me livrar disso não tivessem sido feitas. Por que é que eu penso tanto em você? Temos distancia em ar, asfalto e tempo. Enfureço nos dias assim. Me arrisco à queda e sempre caio. Enquanto você do outro lado tem uma presença mística que me faz estar presente todo o tempo, aqui sobra a vontade de ter muito mais que todo esse mundo surreal. Nos dias mais intensos, sei que quase morro. Sinto percorrer o meu corpo um arrepio... E outro... Outro. É tão forte que chego a mutilar a força todas as esperanças. Mas lá vem o seu sorriso e suas frases ensaiadas, de quando você resolve largar a maturidade e se render um pouco. Então eu enxugo o suor que foi despertado pelos meus pensamentos proibidos e falo sem desejo algum.


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“Chega de fazer fumaça
De contar vantagem
Quero ver chegar junto
Pra me juntar.
Me fazer sentir mais viva
Me apertar o corpo e alma
Me fazendo suar
Quero beijos sem tréguas
Quero sete mil léguas
Sem descansar
Quero ver se você tem atitude
Se vai encarar!”

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terça-feira, fevereiro 24, 2009

o amor é mais que isso.



"O corpo, a alma, a calma, o sonho, o gozo, a dor.
[...]
Será que é tão difícil aceitar o amor como é?"

sábado, fevereiro 21, 2009

Confetes

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E eu enlaço os meus dedos nos seus abusando da permissividade que ressoa nos meus ouvidos tão pura e proibida. Como se fosse um Pierrot abandonado que espera dançar com a colombina por horas e horas. Mas ela lhe abraça forte e escolhe parceiros mais engravatados. O estilo não lhe atrai, apenas acolhe e anima.

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