domingo, março 29, 2009

O vento

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Foi estranho, porque eu não esperava esse alguém. Não que não me interessasse, (e isso fazia a situação ainda mais estranha), mas foi como uma ventania, me levando a seguir por um caminho que eu não escolhi. Enquanto isso, o outro caminho agora parecia chamativo, mas eu era pequena para o espaço que ele me proporcionava. Mesmo assim, continuava lindo, e brilhava, brilhava...Parecia ter ganhado buracos, mas me induzia o suficiente pra não me preocupar com a queda. A ventania continuava, eu estava ali, levada pelo vento. Com as asas machucadas pela tentativa de enveredar pelo outro caminho. Não voava por conta própria, nem abaixava para beijar as flores, pois não havia nenhuma ali. Era só o vento. Éramos só nós dois.


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amorcomamorsepaga [?]

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Eu devo adimitir que esperei mais. O amor além da vólupia, talvez. Não quis apenas que a língua trasitasse pelos meus seios. Horas voraz, outras gelida. Eu quis ir além, transbordar. Como se o raio chamando o dia nunca aparecesse. Não vou dizer que foi ruim sentir os teus dedos no meu corpo. Mas não era só o delírio, não era! Eu posso chicotear as minhas vontades um pouco mais. Fingir que não te desejo inteiro, como deseja ser de tantas outras. Sobrepor a minha superioridade escorpiana. E se é pra ser do signo, chorar um pouco. Mas os tempos são outros, as estações mudaram. Eu quero amor. As migalhas que fiquem para pássaros menores. Eu sou um beija-flor.





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terça-feira, março 17, 2009

O meu desejo ardendo a sós'

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Eva diz:
Então, como se vai de sapatos?
George de Castro diz:
continuo descalço...
Eva diz:
Idem, idem...
George de Castro diz:
tu também?
Eva diz:
é... tbm
George de Castro diz:
achei que estava à usa-los...
George de Castro diz:
pelo menos foi o que entendi da ultima vez
Eva diz:
eu estou usando meio que pela metade.
Eva diz:
parece que uma hora cabem, outras não..
George de Castro diz:
'gosto de usar um tenis mas o tiro pra dirigir'
Eva diz:
não...
Eva diz:
eu gosto dos tênis.
Eva diz:
eu quero muito, muito poder usar.
Eva diz:
mas eles é que não decidem se cabem, ou não cabem.
Eva diz:
os velhos ainda estão lá, no sapateiro... mas perderam a cor, o brilho. Calçam bem, tem o tamanho certo. Mas sempre que tento usar me causam calos.
George de Castro diz:
e não combinam com a roupa da estação
George de Castro diz:
né?
Eva diz:
é... é..

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Referências: Ps I Love You ( O Filme )

quinta-feira, março 05, 2009

Eu não sei mais o que eu quero.

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Me sinto num complô. Num labirinto, completamente sem saída e cheio de tanta agonia, tanta vontade de desistir. Como pode aos 15 anos sentir que toda a vida se desfez?

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quarta-feira, março 04, 2009

[...] Sentei, e chorei.

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Talvez tudo isso seja inexato pra ser triste. É, eu sei que é. Sei porque eu chorei há minutos, chorei com a cabeça recostada aos joelhos, enquanto o frio da água gelada me subia a espinha. Chorei desesperadamente, com força. Porque eu não queria que nada disso estivesse aqui. Mas sempre está. Sempre há um ‘nada disso’ pra não querer. Eu quero ser feliz. Eu só quero ser feliz. Mas eu não sei o que meu corpo abriga. Sei que é algo muito ruim. Deve ser algo muito ruim. Eu sou uma doente? Me bato com essa pergunta todos os dias. Ouvi de pessoas a frase ‘conforme-se com a sua doença, ou tente vence-la’. Eu sou doente, não sou? Mas eu sou linda, cara. Vocês sempre me disseram isso. E eu caí direitinho. Eu sou boa, não sou? Eu faço coisas boas todos os dias. Eu gosto de todas as pessoas, não faço mal a ninguém. Por que justo eu, então?
Não me diga pra deixar o amanhã dizer. Ah, por favor, não me diga. Não me olhe assim, como se eu fosse um foragido... Eu estou cheia de finais. Eu to cheia disso tudo. Vai ser sempre assim? Tudo vai estar sempre escuro? Que mal eu fiz? Que mal eu fiz? O tempo passou devagar pros desesperos. Feito um louco pra as alegrias. As alegrias, a-le-gri-as! Eu soletro porque é distante. Soletro porque todos os meus laços se desfizeram, espalharam-se os nós. Eu queria ser normal. E escrevo isso há anos. Anos atrás alguém me disse que o normal não era pra mim, e parece que não é mesmo. Isso não é de hoje. Não é de hoje, eu sei. É de ontem, anteontem, dois, três, quinze anos. Eu sinto agonia. Ela é tão forte que quase me sufoca. Só que não conto pra que ela não contagie. Tudo o que eu quero é não contagiar. Tudo, tudo o que eu quero é não fazer ninguém sofrer. Tá vendo?! Eu sou tão legal... Eu não posso ser doente. A minha história nem passou por mim direito ainda e eu me sento numa cadeira pra suprir os meus gritos e deleitar no papel as minhas incertezas. Eu queria vomitar o meu coração. Posso ficar quietinha? Eu juro, juro não machucar. Não, não juro não. Mas alguém me ajuda a por ele pra fora? Alguém me ajuda a vomitá-lo?
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Coisas que pareceriam óbvias até pr’uma criança

Amor, eu sinto a sua falta. Incrível que eu ainda sinta. Porque sinceramente, tenho tido vontade de vomitar toda espécie de sentimento. Você some, e espera que eu não sinta necessidade de você, mas se sou eu que sumo, do outro lado você se agita. É medo de perder a presa? Aquela carne boa, mas que não é mais fresca? Medo de perder o seu pra sempre? Desculpe, eu quero o meu agora. Eu quis quase tudo. O vento congelou os meus lábios e devastou o ambiente onde só havia uma pessoa. Sempre eu, sempre. Como num exercito de um homem só, lutava com fôlego de gigante. A guerra acabou e a bandeira branca foi minha. Agora respiro, enquanto você rouba o meu ar pela sua posse. Só por ela, não por amor. Amor, eu sinto, eu respiro, eu enlaço nos meus dedos. E sei que não é o que há aí, do lado esquerdo do seu peito farto, que desejei ter muitas e muitas vezes. Enquanto você renegava com força, destilava as minhas esperanças e surrava as minhas certezas. Eu estanquei o sangue. Não quero, não posso sangrar de novo. Não há tempo de entrar na guerra, estou fora do campo. Ainda que você vista a farda, se arme... Eu não estarei lá. Porque agora eu estou cuidando das minhas seqüelas, agora eu estou pedindo a rego. Valeu a pena matar os medos, quebrar os muros com balas de canhão, valeu a pena mudar os cenários. Mas há homens demais no outro campo. Meus braços estão machucados, cheios de cicatrizes. Minha boca está seca. Meu corpo pede leveza, livros e boa música. Eu não quis desistir, juro que não. Só não há mais motivos pra lutar diante da sua falta de vontade. Eu ainda te amo, mas estou indo.

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“Quem sabe eu volte cedo,
ou não volte mais..."

segunda-feira, março 02, 2009

Outro mar

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Eva diz:
Me apaixonei por um par de tênis (...) Era apenas um par de tênis, tão meu e tão de outro.
George de Castro diz:
Não gosta de andar descalça?
Eva diz:
ultimamente tenho preferido os velhos sapatos.
Eva diz:
mas estou prestes a troca-los.
Eva diz:
e creio que esses me servem!
Eva diz:
nem precisarei andar descalça..


Referências Bibliográficas: Ps I Love you (O filme)

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