quarta-feira, março 04, 2009

[...] Sentei, e chorei.

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Talvez tudo isso seja inexato pra ser triste. É, eu sei que é. Sei porque eu chorei há minutos, chorei com a cabeça recostada aos joelhos, enquanto o frio da água gelada me subia a espinha. Chorei desesperadamente, com força. Porque eu não queria que nada disso estivesse aqui. Mas sempre está. Sempre há um ‘nada disso’ pra não querer. Eu quero ser feliz. Eu só quero ser feliz. Mas eu não sei o que meu corpo abriga. Sei que é algo muito ruim. Deve ser algo muito ruim. Eu sou uma doente? Me bato com essa pergunta todos os dias. Ouvi de pessoas a frase ‘conforme-se com a sua doença, ou tente vence-la’. Eu sou doente, não sou? Mas eu sou linda, cara. Vocês sempre me disseram isso. E eu caí direitinho. Eu sou boa, não sou? Eu faço coisas boas todos os dias. Eu gosto de todas as pessoas, não faço mal a ninguém. Por que justo eu, então?
Não me diga pra deixar o amanhã dizer. Ah, por favor, não me diga. Não me olhe assim, como se eu fosse um foragido... Eu estou cheia de finais. Eu to cheia disso tudo. Vai ser sempre assim? Tudo vai estar sempre escuro? Que mal eu fiz? Que mal eu fiz? O tempo passou devagar pros desesperos. Feito um louco pra as alegrias. As alegrias, a-le-gri-as! Eu soletro porque é distante. Soletro porque todos os meus laços se desfizeram, espalharam-se os nós. Eu queria ser normal. E escrevo isso há anos. Anos atrás alguém me disse que o normal não era pra mim, e parece que não é mesmo. Isso não é de hoje. Não é de hoje, eu sei. É de ontem, anteontem, dois, três, quinze anos. Eu sinto agonia. Ela é tão forte que quase me sufoca. Só que não conto pra que ela não contagie. Tudo o que eu quero é não contagiar. Tudo, tudo o que eu quero é não fazer ninguém sofrer. Tá vendo?! Eu sou tão legal... Eu não posso ser doente. A minha história nem passou por mim direito ainda e eu me sento numa cadeira pra suprir os meus gritos e deleitar no papel as minhas incertezas. Eu queria vomitar o meu coração. Posso ficar quietinha? Eu juro, juro não machucar. Não, não juro não. Mas alguém me ajuda a por ele pra fora? Alguém me ajuda a vomitá-lo?
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Um comentário:

Maah disse...

"Eu faço coisas boas todos os dias. Eu gosto de todas as pessoas, não faço mal a ninguém. Por que justo eu, então?"
[...]
"ô pergunta boa..."

Lembre-se de que não é culpa sua
e depois vá ler uma revistinha...
Ops! não, nada de revistas!!
ahuEAHEUAHEUAHEUEA!!

Tee Amooo