quinta-feira, abril 30, 2009


...me rouba um beijo?

Cicatrizes

Ela sentiu o dia pesado corroer as suas entranhas. Como gelo que queima após muito tempo sobre a pele, todos aqueles problemas estavam ali. Haviam chegado cedo, escolhido o lugar mais aconchegante e depois foram crescendo. Aos poucos começaram a doer, aquela dor fina, como a de um beliscão, e efêmera como tal. Mas naquele dia eles ardiam, queimavam feito brasa a luz do sol, sendo molhada por doses de álcool. E era álcool, era sangue, era água, era fogo. Fogo com água. Água sem fogo, numa incompatibilidade dolorida. Acima de tudo, um grito. Desses agudos e loucos, ensurdecedores e deseperados. Habitava o peito, e fazia seus lábios tremerem na tentativa de sair. Mas permanecia o silêncio, tudo meio morno. Ficaram as três pulseram com manchas vermelhas, os olhos da cor de Marte, e o coração entregue ao mesmo regente. E sem reagente, sem reação.

terça-feira, abril 21, 2009

Complexo de[por] Isabel[a].

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— Juízo! — repetia o inimigo rachado, mais cruel que de costume. — Ah, o juízo de Isabel!

Ah, a paixão de Isabel! Ah, o amor de Isabel! Juízo...

— Esse juízo eu já perdi junto com o amor que nunca terei...
— Você perdeu foi a vontade de lutar. De lutar por aquilo que você quer.
— Ah, Cristiano, Cristiano... será que tudo que tenho feito não foi lutar por ele?
— Você luta pela vitória de outro exército. O exército de Rosana.
É o único exército que tem alguma chance. O meu não pode ganhar nenhuma batalha...
— O que tem o seu que os outros não têm?
— Rosana é linda! E eu sou feia!
— Ninguém, nunca, lhe disse isso.
— E que eu sou linda? Alguém disse?

(A Marca De Uma Lágrima - Pedro Bandeira)

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Qualquer Intenção - Canto Dos Malditos Da Terra Do Nunca .

domingo, abril 19, 2009

Não me venha falar de medo.

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"Eu nunca fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida,pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.Não estou aqui pra que gostem de mim.Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros,mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou."

(Maria de Queiroz)


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sexta-feira, abril 17, 2009

desabafos não-poeticos.

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"E eu não sei em que horas dizer, me dá um medo... é que eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder, sem engano"

Você sorriu, lindo como sempre. E eu? Caramba, eu derreti. Foi lindo, foi louco, foi extremamente preocupante. Mas não é do meu medo que eu quero falar. É de quanto foi sublime dedilhar o seu sorriso ao ouvir o que dizia a música. E nossa, como eu te venero. Como eu espero muito de você, mas enlouqueço com pouco, tão pouco. Você me induz a sacanagem, e atrai todos os meus instintos com seus lábios-labirintos. Labirintos onde eu só desejo me perder.

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quinta-feira, abril 16, 2009

Alguma submissão

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Foi bom te ver daquele jeito. Submisso, pedinte, quase sem os muros do signo. Meu, com exclusividade. Eu sabia que naqueles segundos era só a mim que você queria. Seus dedos estavam enlaçados nas minhas costas, e você me pedia um abraço. Fiz questão de lhe dizer que naquele momento você não era superior. Você sorriu, e eu não resisti. Abaixei a retaguarda. Brinquei com o seu pescoço, senti o agitar dos seus instintos. E lhe cochichei um ''eu te amo''. Depois você foi, levando parte de mim. Eu fiquei com um trago de você, que entorpeceu meu dia por completo.


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domingo, abril 12, 2009

Noite.

Eu esperei a noite pesar. Sentei, pus as minhas sandálias no chão, cruzei as pernas, e esperei a noite pesar. E pesou, afinal. Mas aos poucos veio a leveza. Senti um beijo firme no rosto, morri de ciumes, abracei forte algumas vezes... E sorri. É, sorri.

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sexta-feira, abril 10, 2009

Eu era um enigma

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Uma noite intensa embalada pelo frio que desgrenha os meus cabelos negros e forjadamente bonitos. Já que forjo quase tudo, isso hoje nem é problema. Troquei o vinho tinto e os beijos quentes por bombom e bala extra forte. Ando me sentindo tão fraca e racional, tão calculista. A malemolência em demasia que os meus pés adotaram lembra o andar de um lunático. Mas não corre pelas minhas veias veneno algum, nada que me mate ou me compre uma passagem proutro mundo. Sou real, dura, ferina. Puro mistério e castidade. Afogada num carma ardiloso num canto de mim sem medidas, que não respeita velocidade máxima. A todo vapor é pelo menos o primeiro passo de um caminho de léguas e léguas. Secreto, entre arbustos e pântanos, impossível de ser encontrado num sorriso tolo rotineiro. Sigo conflitante, e jogo confetes num carnaval que nunca brinco. Como pescador que esquece um pouco a paixão fervorosa pelo mar para dar vez as ondas.


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Esperar não é saber.

Tenho acordado feliz. Isso é louco, porque eu poderia estar desanimada. Mas não, hoje me arrisquei a dar bom dia ao sol, como antes. As marcas quase cicatrizaram. Sinto raiva, ainda. De quase tudo, pra ser bem sincera. Meus conflitos estão ficando insuportáveis. Chego a bater a cabeça na parede para que eles não me tomem. Tenho nojo, muito nojo de uma parte disso. Tenho vontade da outra. Tenho desejos incontroláveis, mas rodopio na estrada e controlo bem a busca por desvarios. A vida é um eterno efeito borboleta mesmo. Só que a minha vontade de ser feliz ainda está aqui, e eu não sou de desistir fácil.

"E amanhã se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão."
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Será que é loucura?

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Toda vez em que o espelho se debate com a minha cara amassada e sóbria, eu enlouqueço um pouco mais. Olhando nos olhos da garota no espelho eu quase me recuso a acrdeitar que sou eu. Mas ao cruzar com outros olhos me e não posso, não posso desejar. Me mostro amiga, nunca amante. Mas você despeja em mim o seu olhar e eu deliro. Pronuncia o meu nome e beija a minha face como se estivesse a beijar os meus lábios. Ponha-me no chão agora, vamos! Não é a primeira vez em que você me pega no colo. Mas agora não é mais como antes. Não já não corremos pelos canteiros embalados pela euforia infantil. Ganhamos outras formas, outras vontades. Despeje a sua vontade sobre mim, leve a loucura uma velha conhecida. Enlaçarei os meus dedos nos teus cabelos e destilarei da maravilha de colar a minha pele na sua. Mate a sede dos teus sonhos. Seremos amantes pelo tempo, pela malícia, pela vontade.

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quinta-feira, abril 09, 2009

Não te resisto, nem te conquisto .


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Eu acho que vou ficar louca. É sério, eu acho que vou ter que ser internada. Como você consegue ter tanta perfeição? Eu tento não olhar pra você, mas você arrasta o meu olhar, e depois joga fora o seu, que é meu, por segundos gostosos de passar. E quando passam é que quase desespero. Meu coração entra em ebulição. Eu, rente a sua face, deliro baixinho. Você sorri, e daí controla toda a situação, direciona os meus olhos pra onde quiser. Mas põe abaixo todas as minhas esperanças quando enlaça os dedos com outros dedos. Volto a ser Pierrot e desenho na minha face a lágrima dolorida de desamor, pronta a desabar num pranto profundo, sem festa, sem carnaval. Observo de longe, enquanto você balança o vestido pronta pra seduzir um Arlequim qualquer. Não, não. Esse é um específico, que me faz engolir a seco o ciúme. Proponho-me a ir embora, ao término da dança. Você para, e seu sorriso me convida para dançar, mas não fala, nunca. Desenha no meu pranto um beijo doce, toca os dedos nas minhas costas com força, enquanto aguça a sensibilidade para sentir o meu coração batendo descompassado, e a minha respiração forte em seu pescoço. Então eu me vou, fazendo jus as minhas vestimentas. Toco nos fones uma machinha tão ilusória que sorrio de tanta dor. Pincelo um sorriso bonito. Não apago a lágrima, pra não fazer ir embora a doçura dos lábios que por minha vontade estariam nos meus. Arranco a roupa e sou o que não lhe atrai novamente. Como sempre fui, como ainda sou, como serei sempre. Você é o meu silêncio, o meu suplício secreto, meu platonismo, minha Colombina.

Quero dançar com você...



(E lá se vão 7 carnavais...)


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sábado, abril 04, 2009

Qual a Cor do Amor?

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"Depois é a pele
Se a textura vale
Pêlo com pêlo
Ou o pêlo com o seu pêlo
Ou os pêlos com o meu pêlo
Ou o medo.

Depois o cheiro
(...)
O cheiro de colônia ou
O cheiro de prazer
E os dois se embriagam
(...)

Depois a cor
O amor tem cor?
Cada amor tem uma cor
Cada beijo tem uma cor
Cor de caramelo doce
Cor de madrugada fria."


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