quinta-feira, abril 30, 2009

Cicatrizes

Ela sentiu o dia pesado corroer as suas entranhas. Como gelo que queima após muito tempo sobre a pele, todos aqueles problemas estavam ali. Haviam chegado cedo, escolhido o lugar mais aconchegante e depois foram crescendo. Aos poucos começaram a doer, aquela dor fina, como a de um beliscão, e efêmera como tal. Mas naquele dia eles ardiam, queimavam feito brasa a luz do sol, sendo molhada por doses de álcool. E era álcool, era sangue, era água, era fogo. Fogo com água. Água sem fogo, numa incompatibilidade dolorida. Acima de tudo, um grito. Desses agudos e loucos, ensurdecedores e deseperados. Habitava o peito, e fazia seus lábios tremerem na tentativa de sair. Mas permanecia o silêncio, tudo meio morno. Ficaram as três pulseram com manchas vermelhas, os olhos da cor de Marte, e o coração entregue ao mesmo regente. E sem reagente, sem reação.

Um comentário:

Mariana Pimentel disse...

"...Fogo com água. Água sem fogo..carneirinhos ... "
ah, minha cara. Também os conto, [in] cansavélmente :S

..é verdade, Dona Evinha.. rs