quinta-feira, abril 09, 2009

Não te resisto, nem te conquisto .


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Eu acho que vou ficar louca. É sério, eu acho que vou ter que ser internada. Como você consegue ter tanta perfeição? Eu tento não olhar pra você, mas você arrasta o meu olhar, e depois joga fora o seu, que é meu, por segundos gostosos de passar. E quando passam é que quase desespero. Meu coração entra em ebulição. Eu, rente a sua face, deliro baixinho. Você sorri, e daí controla toda a situação, direciona os meus olhos pra onde quiser. Mas põe abaixo todas as minhas esperanças quando enlaça os dedos com outros dedos. Volto a ser Pierrot e desenho na minha face a lágrima dolorida de desamor, pronta a desabar num pranto profundo, sem festa, sem carnaval. Observo de longe, enquanto você balança o vestido pronta pra seduzir um Arlequim qualquer. Não, não. Esse é um específico, que me faz engolir a seco o ciúme. Proponho-me a ir embora, ao término da dança. Você para, e seu sorriso me convida para dançar, mas não fala, nunca. Desenha no meu pranto um beijo doce, toca os dedos nas minhas costas com força, enquanto aguça a sensibilidade para sentir o meu coração batendo descompassado, e a minha respiração forte em seu pescoço. Então eu me vou, fazendo jus as minhas vestimentas. Toco nos fones uma machinha tão ilusória que sorrio de tanta dor. Pincelo um sorriso bonito. Não apago a lágrima, pra não fazer ir embora a doçura dos lábios que por minha vontade estariam nos meus. Arranco a roupa e sou o que não lhe atrai novamente. Como sempre fui, como ainda sou, como serei sempre. Você é o meu silêncio, o meu suplício secreto, meu platonismo, minha Colombina.

Quero dançar com você...



(E lá se vão 7 carnavais...)


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