domingo, maio 31, 2009

Hot N' Cold

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- Você vai deixando seu cheiro...
- Isso é ruim?
- Não sei.

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"Você não tem medo de mim. Você tem medo é de você, você tem medo é de querer."

sábado, maio 30, 2009

Dez coisas que eu odeio em você

"Odeio o modo como fala comigo,
e seu cabelo sem corte...
Odeio como dirige seu carro
e odeio seu desmazelo.
Odeio suas enormes botas de combate
e como consegue ler a minha mente.
Te odeio tanto que até me sinto doente.
Odeio como está sempre certo
e odeio quando você mente.
Odeio quando me faz rir muito
e mais ainda quando me faz chorar
.
Odeio quando não está por perto,
e o fato de não me ligar.
Mas mais que tudo, odeio não conseguir te odiar,
nem um pouco, nem por um segundo.
Nem mesmo só por te odiar".

terça-feira, maio 26, 2009

Missing.

Me bateu aquela vontade de te escrever hoje. Deu vontade de te contar o quanto você é especial pra mim, o quanto me faz parecer menos diferente, o quanto você me alivia. Obrigada por tudo mesmo. Obrigada por ler meus pensamentos e decifrar as minhas vontades, obrigada por ser sempre tão compreensivo. Por nunca me repreender sem entender o que acontece comigo, obrigada simplesmente por tentar entender. Obrigada por me olhar do jeito certo, e não criticar as minhas vontades. Obrigada pela sua calma, pelos seus conselhos. Obrigada por ser assim, tão você. :)

Estou com saudades, pai.
Eu amo você.

domingo, maio 24, 2009

Há quem acredite em milagres.

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Abri os olhos e vi o telhado da minha casa ainda escuro. "Droga, que raio de falta de sono é esse?". O relógio marcava seis e meia da manhã. A dor no meu estômago apontou mais uma crise de gastrite nervosa. Não sei se pelo clima realmente, ou se pela minha falta de vontade de levantar, eu morria de frio. Nem mesmo o casaco muito pesado me tirava aquela sensação de vazio, aquele arrepio intenso. Fui até a cozinha, bebi um copo de leite. Tomei um banho quente, peguei uma caixa de cigarros, um isqueiro, e sai. Lembrei de quantas vezes havia saído assim, sem rumo, sem rota, sem destino. A fumaça do Hollywood invadia as minhas narinas, enquanto era baforada pelos meus lábios que há tempos preferiam o contato da fumaça, e só. Não que de fato preferissem, mas era melhor pensar assim. "Para os amores impossíveis, tempo", lembrei da frase que li em algum lugar, em algum momento. Busquei não seguir pelo caminho conhecido, não dar asas a minha submissão. Entrei no botequim da esquina, tocava Flor de Azeviche, do Zeca Baleiro. Sentei e pedi uma bebida qualquer ao garçom com cara de noite mal dormida. "Será que foi por insônia, ou por fervor?", eu me perguntava, tentando ler o olhar do homem, impulsionada pelo vampirismo psíquico do meu signo. Aliás, quase tudo que eu havia feito durante todo o tempo, era seguir a minha vassalagem escorpiana. "Quando você fala bala no meu velho oeste (...) O sangue encharca a camisa", a música tocava, dando ao ambiente um tom claro, uma leveza imensa. É, o meu interior sangrava mesmo, encharcando a minha camisa. Parei no segundo copo, paguei a conta, dando uma gorjeta que tirou a cara de sono do garçom. Procurei o Mp4 player no meu bolso largo, pus os fones e deixei que os meus passos me levassem novamente. "Não é porque eu sei que ela não virá que eu não veja a porta já se abrindo, e que eu não queira tê-la, mesmo que não tenha a mínima lógica nesse raciocínio." A música que tocava era indutiva, sem perceber, os meus passos já me guiavam para o velho caminho. Meus pés passavam pela ponte, pela farmácia, pelas casas que pareciam me espiar. O portão estava aberto, como sempre. Sem fazer barulho, me meti entre o espaço e entrei, com o coração pulsando. Querendo ir, pensando em voltar. A janela estava aberta. Estacionei em frente a porta, ensaiando chamar o nome de alguém, um nome em especial, que havia invadido os meus sonhos na noite passada (mesmo quando eu nem estava dormindo...). A minha voz saiu fina, meio rouca, dificilmente reconhecível. Ela apareceu, enrolada num lençol. Sem muito esforço percebi que não havia nada mais cobrindo o seu corpo que o pano que lhe caía nos ombros, quase descobrindo os seus seios fartos. Quando me viu, ela enrubesceu, sorriu e me pediu para esperar até que ela se vestisse. Abriu a porta, e me embalou num abraço quente. Todas as minhas armas estavam no chão, o meu poder de sedução se resumia a zero diante da magnitude ariana daquela menina-mulher. Nos sentamos, e eu senti novamente o porque de ter me distanciado dela. Porque havia distância em corpos, havia medo nos seus olhos, havia pudor nas suas atitudes. Não sabia se ela me expulsava, ou se queria estar comigo, mesmo porque, a transição entre um e outro pensamento era rápida demais. Eu deveria tentar?
- Sonhar não te custa nada mais que o tempo - Ela leu em voz alta a frase na minha camisa.
- Nada mais que o tempo - Falei, junto com ela.
- Mas há sonhos que não podem acontecer.
- Não, não há. Todos os sonhos precisam acontecer.
- Não quando a gente corre o risco de machucar as pessoas tornando-os realidade.
- Devemos só sonhar, então?
- É, devemos.

Eu peguei a sua mão, pus na minha cintura. Ela estava imóvel. Tive medo de que me empurrasse para longe. Medo da repudia que ela poderia sentir, mas fui em frente.

- Olha pra mim.
- Eu não olho nos olhos nunca, já disse.- Ela disse, sem esconder o medo na sua fala.
- Então fecha os olhos.
- Como?
- Fecha os olhos. - Falei, sussurrando no seu ouvido.

Ela os fechou, e eu pude perceber como era ainda mais bonita de perto. Sua pele branca, macia. Seus cabelos claros e brilhosos.

- Agora você está num sonho.

Eu a beijei, fervorosamente. Ela apertou a minha cintura. Como se o sangue corresse mais rápido e explodisse nas suas veias. Meu pulso acelerava. Sentia a soma dos nossos corpos. O beijo terminou e ela me olhou com um sorriso atrevido no rosto.
- E agora, o que faremos?
- A gente pode simplesmente, continuar sonhando...


-

sábado, maio 23, 2009

Não abrindo a porta, eu pulo o muro.

Eu devia ter registrado aquele momento, pra poder ver todos os dias. O seu corpo embalado num lençol fino, seus cabelos soltos, a sua cara de sono. Registrei, sim. Aqui dentro, e ela permaneceu nos meus sonhos essa noite, me domando, me encantando, me amando. Eu e essa minha mania de intensidade! Hoje fecho os olhos e deliro lembrando do toque da sua mão na minha, nos seus cabelos macios tocando o meu ombro, dos seus olhos me encarando (justo você, que não olha nos olhos!). Mas principalmente, da primeira imagem. Do lençol sedendo, e do meu amor sedento. Da vontade de que ele caisse de vez, dos meus dedos pulsando pela sua pele. Do meu desejo de te descobrir ali mesmo, naquele sofá, cheio de riscos. Mas eu permaneci imóvel, para ao fim do dia estar incólume, e nem se quer fiquei. Seria melhor ter tentado, mesmo me machucando mais? E o depois? E a sua ira? Tá, eu sei que o ontem passou, que hoje é outro dia. Mas eu não sei me dar por feliz com tão pouco. Eu vou pular do penhasco. E daí que eu posso bater a cabeça no fundo? Morrerei um pouco, não pra sempre. Não vou me desfazer da chance de navegar, gastar o seu mar. Se na pacanda eu ficar um pouco [mais] louca, tanto faz, nunca preservei o juízo mesmo...

sexta-feira, maio 22, 2009

[mais] Tarde.

Meu ardor, seu pudor
Minha insistência, sua resistência
.

O sol voltou a aquecer o dia, e ele ficou meio-termo, meio morno, meio nós, meio eu.
Sim, digo meio porque me tornei sua, rente a face de deboche do meu impulso. Eu sorri, temi, me machuquei. Pousei uns beijos no teu corpo. Mas ao fim da tarde eu estava insatisfeita. Queria me contentar com pouco. Empolgar mais com o fato de ter melhorado o seu humor e ter deslumbrado a sua beleza durante a tarde toda.
Só que eu quero a parte inteira de você. Quero a invasão do seu corpo no meu. Nada de toques efêmeros. Quero arder, quero amar, quero ser. Eu tenho todo o mundo pra te mostrar. Vem comigo, que eu prometo me educar. Me editar, me reescrever. Vem comigo, que eu prometo ser seu maior vício. Eu prometo viver você.

quarta-feira, maio 20, 2009

De amor me perder

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Rosângela: É melhor matar do que me matarem.
Eva: O melhor é que ninguém morra. Ou que morra do jeito certo... Nem tão certo assim.

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'Sua cartilha tem o a de que cor?'

terça-feira, maio 19, 2009

Estou procurando, estou procurando.

"...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda."

Clarice Lispector

Sensível.

'Quando você diz o que ninguém diz
Quando você quer o que ninguém quis
Quando você usa lousa pra que eu possa ser giz
Quando você arde ao arder e a sua teia cheia de ardiz

Quando você faz a minha carne triste quase feliz...'



Hoje eu estou sensível
Hoje eu estou menos eu
Hoje, só hoje, vou dar um tempo de mim
Vou resistir a meus impulsos
E controlar os meus sentimentos

Só hoje vou fingir que não estou nem aí
Vou pensar menos
Vou rir mesmo que a força
(...)
Hoje eu não quero ouvir coisas ruins
Porque hoje está mais fácil de chorar
E se eu chorar
Não terei condições de argumentar
E tudo pode sair errado
(...)
Hoje eu quero ouvir palavras de amor
Quero ouvir que sou importante
Quero abraços e muitos beijos
Quero carinho e quero colo
Quero família e quero amigos
Quero estar com quem quer estar comigo

Hoje eu quero que passe rápido
Eu quero que as horas corram
Mas se você vier
Hoje e todos os dias
Eu quero que o tempo páre
Só para ficar mais um pouquinho contigo...

domingo, maio 17, 2009

secretly


'Sei também que você...
eu não sei mais nada.
(...)
Quer saber? Eu amo você.'

terça-feira, maio 12, 2009

Diz o poeta

'Stasera piovon gocce d'acqua di Luna
ed io arroccato quassù vir Pierrot
...'

Crava, crava, crava as garras
No meu peito em dor
Diz o poeta, no seu desamor

(Mas delira...)

Frio [Intextualidade]

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O que quer que eu diga, você não vai entender...
Se eu entendesse, pelo menos, já seria meio caminho andado.
Aliás, foi você quem disse que se pudesse esquecer todos os problemas estariam resolvidos. Procurei não sentir pouco caso. Procurei não sentir, esse tempo todo. Reeduquei tudo, e consegui. Sem sessão nostalgia, então, não é Eva? Não sei. Sinto saudades ainda, isso é fato.
Que o teu afeto me afetou é fato, agora faça-me o favor!
De ir embora também... Eu diria, no meu juízo perfeito. Mas eu o perdi junto com a descência. Pena que eu tenha herdado o medo. E que agora você tenha herdado o rancor. Mas responde uma pergunta?

O nosso pra sempre ainda vai ser pra sempre?


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[eunãoseioqueomeucorpoabriga]
... Nas noites de frio é melhor nem nascer.

[Ventos de Paz - Leila Pinheiro]
será que um dia vou cantá-la pra você?

segunda-feira, maio 11, 2009

Reticências.

"(...) Faz em mim teu lar, me reconstrua
Queira me habitar onde eu me escondo
Faz deste lugar só seu no mundo
Eu quero ser onde você sossega a alma
E chora e ri
E encontra a calma pra sonhar sem dormir
"

domingo, maio 10, 2009

Thirst.

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Eu quero por inteiro, eu quero hoje, eu quero agora. Eu não aguento mais desaguar flor em flor nesse vazio. Eu vim de plutão, dos desejos, do ardor. Não quero metade, nem mais ou menos. Eu quero corpo inteiro, e que tudo mais vá pro inferno. Mas o que fazer da primavera, se ela é prudente? Se cada flor nasce racionalmente pontual? Tão perfeitas e sem anomalias... Só que hoje não há Violeta, Rosa, Copo de leite. São todas Não-me-toque. Vieram do Sol, vieram de Marte, e queimam as minhas asas, já cansadas de voar. Queimam por que não se doam. Queimam por que só me doem. Também, pudera! Não haveria eu de me contentar em sugar o pólen de uma? Haveria, se de fato a tivesse. Mas não tenho. Nem por isso, minha sede diminue. Então me contento a sugar gotas pequenas, enquanto vou queimando. Até que não aguento e caio. Me recupero, e lá vou eu, para a próxima. Hoje é o dia da sede. Após a retirada do pólen, ainda permaneço sedenta. Volto a dizer: Quero por inteiro. Quero matar a sede. Eu quero uma flor só pra mim.


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Droga de regente, droga de signo, droga de vontade, droga de sentimentalismo.

sábado, maio 09, 2009

Desabafo. [b sem p]

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Você é linda. Tem olhos claros, um rosto impecável, seios fartos. Você é carente, engraçada, extrovertida. Você é amiga, é fofa, é 'aberta ao público'. Você é tudo o que eu não sou. Você me rouba o que tenho. E eu, que achei que você fosse minha. Estou numa irremediável, incompreensível, incontrolável crise de ciúmes. Não, não é ciúme. É verdade. É uma verdade dura, que dói. Dói pela minha mania de superioridade. Por saber que não sou maior que você. E que você pode ter tudo o que eu não tenho. Porque você é muito mais simpática, muito mais bonita, muito mais atraente. Muito mais TUDO. Muito mais elas.

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S U B M I S S A .

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Isabella: Eu quero um namorado carinhoso, que me ligue todo dia, que me dê presentes, que seja perfeito.
Eva: Eu quero uma só pessoa. De qualquer jeito.
Isabella: Ainda que com brutalidade?
Eva: Se for minha, o resto é detalhe. É, mesmo com brutalidade.

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Submissão dói.

quarta-feira, maio 06, 2009

Fever

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"Não havia remédio; Inácio bebeu a última gota, já fria, e retirou-se, como de costume, para o seu quarto, nos fundos da casa. Entrando, fez um gesto de zanga e desespero e foi depois encostar-se a uma das duas janelas que davam para o mar. Cinco minutos depois, a vista das águas próximas e das montanhas ao longe restituía-lhe o sentimento confuso, vago, inquieto, que lhe doía e fazia bem, alguma coisa que deve sentir a planta, quando abotoa a primeira flor."

(Uns braços - Machado de Assis)


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Acende um cigarro, põe vinho numa taça, senta aqui do meu lado e não cobra mais nada.
Just it.

sexta-feira, maio 01, 2009

E sem juízo.




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São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
Que passam a noite em claro.

(Queromandaraocaralhomeuromantismo)

[pqp, pra que tanta carência?]


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Noite reticente

Eu queria escrever, só pra aliviar a dor. As minhas lágrimas tem gosto de mágoa, mais ainda, tem gosto de medo. Porque essa noite eu estarei sozinha de novo, e isso me faz encenar mais uma vez a diferença. Você casa com os seus erros quando os comete. Mas eu nunca imaginei que tudo fosse se tornar tão intenso assim. Quando tudo o que eu quero é viver a minha maneira, não perder a estribeira. Sei que hoje a noite não vou dormir e farei coisas que eu não quis fazer, vou realmente contar carneirinhos, muitos, muitos carneiros mesmo. Ah, o que eu sei é que eu queria estar com eles, só.

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