domingo, maio 10, 2009

Thirst.

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Eu quero por inteiro, eu quero hoje, eu quero agora. Eu não aguento mais desaguar flor em flor nesse vazio. Eu vim de plutão, dos desejos, do ardor. Não quero metade, nem mais ou menos. Eu quero corpo inteiro, e que tudo mais vá pro inferno. Mas o que fazer da primavera, se ela é prudente? Se cada flor nasce racionalmente pontual? Tão perfeitas e sem anomalias... Só que hoje não há Violeta, Rosa, Copo de leite. São todas Não-me-toque. Vieram do Sol, vieram de Marte, e queimam as minhas asas, já cansadas de voar. Queimam por que não se doam. Queimam por que só me doem. Também, pudera! Não haveria eu de me contentar em sugar o pólen de uma? Haveria, se de fato a tivesse. Mas não tenho. Nem por isso, minha sede diminue. Então me contento a sugar gotas pequenas, enquanto vou queimando. Até que não aguento e caio. Me recupero, e lá vou eu, para a próxima. Hoje é o dia da sede. Após a retirada do pólen, ainda permaneço sedenta. Volto a dizer: Quero por inteiro. Quero matar a sede. Eu quero uma flor só pra mim.


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Droga de regente, droga de signo, droga de vontade, droga de sentimentalismo.