domingo, junho 28, 2009

A Carta.

"Se eles vão nos receber?
É mais fácil condenar!"



Eu só quero o meu lugar ao sol. Amar não é um crime. E o que eu sinto é amor. Não venha me dizer que não. (...) E sabe quando o seu coração pulsa pelo ariano sem vergonha? Eu tento entender. Sabe a sua barriga explodindo pela segunda vez? Eu tento entender. Sabe a sua vontade de me prender? Eu tento entender. Sabe quando o nosso menino teve febre, quando quase não podia respirar, quando derramou sangue pelo chão da sala? Eu estava lá. Eu vi a sua coleção de erros se multiplicando e se repetindo como num disco riscado. Mas eu estive segurando a sua mão. Sabe, eu deixei que você errasse, pra que batesse com a cara na porta e não quisesse mais abri-la. No fim das contas, acho que você aprendeu a lição. Eu queria que você me deixasse bater a cara na porta. Você tem medo de que eu não bata, medo de que ela esteja aberta, e eu entre, e que lá eu me machuque. Mas você está me machucando, o tempo todo. Eu não queria sentir isso, eu juro. (...) Então eu ouço sair da sua boca a frase ‘Se acontecer o pior...’, ISSO É O PIOR? Não é não. Eu vejo você denegrir todo o relacionamento que eu queria, e dizer que ignoro. Eu ignoro porque já vivi, e no fundo você sabe que continuei vivendo. É lindo. É intenso. É inebriante. (...) Tenho outros sonhos. Eu quero trabalhar, quero crescer na vida, quero passar pelas ruas e ouvir as pessoas dizendo ‘você é a Eva Cidrack?’, eu não desejo casar e constituir uma família com um homem nojento que ponha os pés na mesa da sala comendo carne com as mãos. Eu quero um amor bonito. Isso soa como fim do mundo pra você? Não deveria. Repare na leveza das palavras, repare como soa como canção cada coisa que eu disse. (...) Eu te juro que só quero ser feliz, mas do meu jeito. (...) Mas vai doer deixar ela ir embora, sabe? Porque ela é o meu coração. E se o meu coração se vai, sangra. Quando a vejo, é como se borboletas voassem no meu estomago, quando as mãos dela tocam as minhas mãos, eu não sei explicar... é uma maciez, uma leveza, um carinho tão bom. Não imagino outra definição pra felicidade. Você é feliz afetivamente? Quem é, nessa história? (...) você sabe, você percebeu, eu sei que percebeu. Mas quer se enganar, quer fechar os olhos e fingir que eu estava doente. EU NÃO ESTAVA, EU NÃO ESTOU DOENTE. Eu estou amando. E amando como você ama, com o coração, com a pele, com o corpo, exatamente da mesma forma, há 2 anos. Ninguém beija alguém que não lhe atrai, ninguém sente que ama quem não ama, ninguém faz nada sem querer.

Mesmo assim, eu vou mandar ela embora. Eu vou reprimir as minhas vontades. Eu vou jogar fora os meus sentimentos, a vida que eu queria ter. Só não me peça pra ser feliz vivendo os seus sonhos. Só não me peça pra gostar de ser quem você quer que eu seja. Só não me peça pra não chorar, pra não perder a vontade de voltar pra casa, pra não vacilar. Só não me peça pra não sentir o vazio que me dá quando vejo o dia passar e ela não estar comigo. Ainda assim, eu vou fazer o que você quer.

"Mesmo que chegue o momento
Que eu não esteja mais aqui
E os meus ossos virem adulbo
Você pode me encontrar
No avesso de uma dor"

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