segunda-feira, setembro 21, 2009

De onde posso te ver.

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E olha só o que eu encontrei na velha gavetinha de lembranças...

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Enquanto você passa na rua, andando junto às tuas cores e coisas, te observo de longe, da minha janela. Alguma coisa em mim paupita forte, o seio toca a blusa. E você, a sua canção lá de baixo, enquanto talvez me procure entre os andares dos prédios. Eu aceno, timidamente, com jeito de quem quer e não quer ser vista. Um dia... Ah, um dia eu grito o teu nome e peço que suba as escadas. Peço que toque a música que já toca aqui dentro. Mas agora, se por um acaso você ameaçar olhar para a minha janela, eu vou me esconder por trás das cortinas. Então, eu te acompanho dar a volta e ouço o bipe de mensagem para que eu desça, e vá ver o pôr-do-sol. Jogar conversa fora, e ouvir você dizer "Dá próxima vez vamos ver a lua". Esperar por uma noite em que você me diga que não tem que ir, e fique mais. Queira entrar para tomar uma xícara de chá e fumar uns cigarros. Queira entrar pra que eu possa descobrir no verde dos teus olhos uma razão para sermos dois em um. Para dançar um passo em uno, dos, tres, cuatro... Na língua que você mais gosta, pois inglês te causa náuseas. Mas então o sol repousa e você me diz que a noite já lhe chama para voltar ao seu lugar. Enquanto subo as escadas ouço os seus passos se distanciando, e aos poucos, já não há som algum. Desligo o meu abajur e vou descansar.

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