quarta-feira, outubro 14, 2009

Soprando o pó das ilusões.

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Vesti a blusa que ela mais gosta, melhor ainda... A que um dia num desvario, ela se pôs a comentar que me achava sexy vestido. Não tinha a certeza de encontrá-la, mas não custava nada almejar isso. Já no fim da tarde foi que pude vê-la. Ela sorriu, e sorriu tão linda... Foi pela minha presença o sorriso. Então eu parei o meu veículo imponente de duas rodas na sua frente, enquanto me lambuzava de maça do amor. Amor, justo amor. O que eu não sentia, não sinto. O que me recuso o tempo todo a sentir. Ela comentou algo sobre a minha boca suja, me dando adjetivos infantis. Perguntei que caminho seguiria, e assim que me disse, decidi que iria vê-la. Talvez eu gostasse de estar ao seu lado, gostasse da sua companhia. Talvez fosse pelo fato dos dias sem conversar com ela, ou simplesmente um carinho tácito por aquela menina com olhos de cigana e corpo simétrico. Minutos depois eu já estava indo encontrá-la. A vi de longe, sentei-me ao seu lado e soltei as gargalhadas que ela me despertou, fosse por graça ou nervosismo. Disfarcei com um sorriso frouxo o meu desconcerto quando a ouvi falar dum outro romance. Quando o relógio apontou o tempo de término pra ela, me levantei também. Não diferente do costume, ela beijou o meu pescoço e eu agitei de leve. Sorri, adorando-a um pouco. A vi indo e fui-me também, afinal, ela era o único motivo que me fazia estar ali. Gosto de estar assim, gosto de vê-la de perto, mesmo tendo-a de longe. Como que de alguma forma me alivie essa distância paradoxalmente próxima. Prefiro que seja, mesmo sem ser. Prefiro a certeza de um carinho que me pertencerá sempre, e que no meu íntimo, é inevitavelmente recíproco.


Num daqueles dias em que o meu eu - lírico
se transforma no eu - outro só para satisfazer a minha imaginação.

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