quinta-feira, novembro 26, 2009

De volta à ativa.

Parece que a velha Eva voltou à ativa. Impulsiva, transparente, desbocada. A menina que não tem medo de pular do barranco, de bater a cabeça, que levanta mesmo que sangre e corre para o topo do mundo só pra poder gritar de lá de cima, ainda que depois caia novamente. Controle e submissão foram finalmente riscados da lista diária. Escorpiana, novamente, e com prazer.

(...)

Vassalagem emocional.

E eu me mordo, e mato, me encho de ciúmes e depois peço, como quem pede em súplica secreta pra que você me abrace, pra que você me olhe, pra que você me tome. Que me tomo como aos outros, pelo menos. Mas não é, e o que parece é que não há de ser. Talvez mesmo pela súplica, pelo pedido. Por saber que de maneira alguma você se renderia a minha vontade, às vezes finjo. Mas não é meu dom esconder desejos. Fique perto, pelo menos, só um pouco. Ou será que os seus jogos de desejo te impedem de tentar? Não quero pensar nisso, nem quero achar que os teus sonhos são meus. Não quero achar que você me quer contigo. E quero ser sua apenas como os outros, custa? Me é suficiente ser. Então, por favor, seja. Ah, esqueci! Não posso pedir, perto de você não posso ser nada do que verdadeiramente sou.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Eu vou lá, eu vou lá, eu vou lá.

Arte por: Amanda Luz.

A submissão deveria ser um pecado. Não, nem isso. Pois ainda que fosse, eu iria em frente. Não há mau nenhum em estar chorosa, pedinte, sensível. Mas não receber nada em troca é frustrante. Acho que vou parar de ler horóscopos, porque eles estão me iludindo. Me fizeram acreditar que sou uma sedutora imbatível. E talvez seja. Você agita quando provoco, é quase submissa em momentos decisivos. Mas não tenho você. Não domino, não controlo. Horas apago você, e é quando você se coloca distante. Outras sou insuficiente para lhe conter e me torno insignificante. Mas a pior de todas as horas é quando me torno cansativa. Quando sinto que a minha submissão não atrai. É aí que vivo do maior de todos os meus erros: Amar em demasia.

segunda-feira, novembro 23, 2009

sábado, novembro 21, 2009

Por onde a brisa for mais leve.

- Ei, tudo bem com você?

- Tudo sim... tirando algumas coisas do coração. E com você, como vão as coisas? P.s: Adorei o seu texto do whisky.

- Coisas do coração são complicadas mesmo, também ando num turbilhão delas esses tempos. Eu tô bem, tirando o turbilhão, certas horas bem até por ele mesmo...Ah, que bom que você gostou do texto do whisky. Acho que whisky é A bebida pra os textos na vibe daquele... Pra dar coragem, né?! É sempre bom.

- É. Para quem não sentia nada e passa a sentir um pouquinho, é sempre complicado: novo demais assusta.não vejo nome melhor pr'aquele texto do que whisky. Fale um pouco sobre o turbilhão que estais vivendo. Vamos compartilhar de nosso mar agitado.

- Vamos supor que eu esteja num barco, no mar, sabe?! Naquela ideia de navegar eternamente... Mas nós sabemos que muito azul cansa. E eu andei me encantando por algumas ilhas, por uma em especial, só que as ondas do mar me impedem de chegar lá. E me dizem que se eu for, não vai ter volta. Mas me fale de você, agora! De como você anda remando...

- Vamos supor que eu, uma boa capitã de navegação, esteja me perdendo frequentemente sobre as ondas de um mar novo, cheio de mistérios. Não sei pra qual lado seguir, que rumo tomar e sinto que se simplesmente me atirar ao mar, vai fazê-lo recuar mais do que me afogar. Então, paro, analiso, escolho um rumo e continuo perdida. Alguns ventos pareccem soprar a favor, mas é tudo tão duvidoso que não continuo sem saber.
Me sinto menina nesse mar novo. E sinto maldade na alma ao ver uma outra embarcação tentar se aproximar. Eu ainda estou a frente, mas essa nova embarcação me incomoda. Talvez, a solução seja ser pirata. Piratas não precisam de um rumo certo, simplesmente vão atrás do que querem, certo? O que me diz?

- Eu concordo! Até porque, sinceramente... Sempre fui meio pirata!

- E sobre essa ilha encantadora. Prefere se aproximar ou se afastar? Acho que investiria contra as ondas, mesmo que custasse minha embarcação. Sinto que se sua embarcação afundar, terais força para construir uma outra e ainda mais forte.

- Me indentifiquei com o seu "e sinto que se simplesmente me atirar ao mar, vai fazê-lo recuar mais do que me afogar. ". Eu não sei o que prefiro... tenho medo de ser expelida pela ilha. E estar sem barco para voltar ao mar, que talvez já nem me queira navegando por lá... Acho que estamos meio perdidas, não é?

- Estamos completamente perdidas. O que nos resta fazer?

- Que tal vencer o medo?

- Se você se arriscar, eu me arrisco. Até pra não estarmos sozinhas nessa.

- Que tal um whisky?

- Garçom, um whisky para incentivar a coragem dessas duas moças aqui.

02.

- Uma ilha em especial é? aiai.
- Olhe, ilhas tem muitas, mas tem um em especial que é muito atrativa. Acho é meio paradisíaca... E afrodisíaca também, convenhamos.
- E que ilha é essa? Afrodisiaca... nossa!
- É, foda é que eu nem conheço a ilha, e pode ser que ela nao seja nada disso. A ilha nao vem ate o barco, ne? É o barco que tem que ir até a ilha. O medo é ser expelida da ilha, do mar e de tudo mais...

(...)

- Mas eu faria dela uma senhora ilha...

sexta-feira, novembro 20, 2009

Ser-te paz.


"Quero ser o teu amigo,
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz..."

(Fernando Pessoa)

terça-feira, novembro 17, 2009

Um dia serias borboleta.

Hoje...Ah, hoje você me pareceu tão segura. Pareceu mudar. Hoje... Hoje você não chorou, comentou que estava fria, recusou um afago mais quente, quase me mandou ir embora. Hoje percebi que já não tenho posse alguma sobre você. Acabou, não foi? É, acho que agora você pode voar. Hoje ao te abraçar pude sentir asas crescendo nas suas costas, ainda pequenas, mas elas me pareceram tão fortes... Talvez esteja mesmo na época de voar, borboleta. Já que o vento te puxou pra dançar, e já não és flor, permita-me que eu, beija-flor, levante vôo para outro canto. Então te deixarei voar para longe sem que volte aqui para duvidar ou descansar. Deixarei que descubra mil arco-íris e possa roubar o pólen de outras flores. Se numa dança com o vento ele te pisar o sapato, volte, fique mais. Mas agora o ritmo ainda é quente, a cidade não para, quem dirá você, não é? Voe, voe bastante. Só não se esqueça de devolver o meu coração.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Não se [es]vai.

Era de manhã bem cedo quando o sol invadiu a janela e me arrancou da cama. Minha cabeça pesava como chumbo, meus olhos ardiam. Mas não foi esse o problema do dia. Antes houvesse só a doença. Só que me percebi mais distante da racionalidade do que deveria estar. É tanta a confusão por aqui que às vezes pareço enlouquecer. Certas horas vacilo e comento algo sobre a minha carência insistente, outras finjo não querer ficar, abraçar, entender, descobrir. Me pergunto por onde anda o lírio que há algum tempo joguei fora. Talvez com as pétalas tão perdidas quanto o meu pensamento, como as rosas vermelhas que misturadas ao vinho tinto quase embrulham o meu estômago. Tento testar a força do meu pensamento, brinco com o horário e desejo prioridade, mas depois ponho todos os meus sonhos na garrafa e eles se fazem rubros de bebida e sangue. Então, aqui dentro grito 'Pare!', mas nada pode estancar o meu pensamento, não posso intervir nessa febre que não passa, nesse soluço engasgado e irritante. Só sei ser assim. Pelos menos por agora, é só o que sou. Amanhã posso conseguir realizar os jogos que escrevo firme no papel. Mas por hoje o meu rosto permanece em brasa. Por hoje eu permaneço carente. E por agora, eu prefiro me esquivar.

domingo, novembro 15, 2009

Uma dose de whisky.

A festa estava passando, afinal. E para maior alegria, com a companhia desejada. Mas não estava completo esse estado de espírito, pois o desejo era estar mais perto, mais amante, menos amigo. A garota pediu que fossem sentar fora da casa, que conversassem, que ficassem juntos.

- Vamos sentar ali. - falou, apontando para o passeio vizinho.

Mas havia alguma força ali que os puxava para perto. Eles trocavam olhares pedintes, ainda que não falassem. Ele a recostou na parede, ela sorriu, mesmo estando assustada, com medo do que aconteceria naquele momento. Ele vacilou, e deu-lhe apenas um selinho rápido.
- Você não entendeu mesmo o combinado, não é?
- Mas que combinado?
- Nós combinamos que você teria paciência.
- Eu te peço poesia, e você me pede paciência!
- Pressa combina com dor.
- Você já sentiu muita vontade de alguma coisa?
- Claro que já.
- E conseguiu não ter pressa de alcançar?

Fez-se silêncio. Ele sorriu, como que se deliciando com o seu triunfo.
- Vamos tomar um whisky? - Ela disse.
- Pra te dar vontade?
- Pra me dar coragem.

Tomaram o tal whisky. Mas os olhos de escudo da garota pareciam aveludados, impossíveis de serem ultrapassados, e ainda que fossem, eles eram tão diferentes das limitações daquela menina ... dentro dos seus braços, presa aos seus medos, tão menos independente que aquela que ele via todos os dias. Secretamente, ela pedia que ele a desafiasse. Que encostasse novamente na parede, que lhe tirasse o fôlego e não prolongasse a culpa que dentro dela insistia em explodir. Junto com a sua face que passara de cor de pêssego para quase tomate. E o corpo que parecia entrar em erupção, enquanto ela quase sentia o vapor sair pelos seus lábios. Sabia que com ele acontecia o mesmo, quase podia sentir o coração do rapaz aos saltos. Mas ele não se moveu. Ela olhou para o relógio e fingiu se assustar com o horário.

- Eu preciso ir.
- Mas...
- É tarde.
- Eu levo você.
- Eu estou de carro.
- Deveria ter adivinhado.
- Um dia alguém me disse que me preferia assim.
- Faltou a minha blusa favorita.
- Faltaram coisas demais essa noite.

Ela levantou-se. Ele não se moveu, acompanhou com o olhar a saída da garota, e quase sentiu rufarem os tambores e soarem os clarins enquanto ela caminhava pela calçada em direção ao carro. Não sabia se extasiava pela beleza luxuriante da menina ou se martirizava por continuar sendo o covarde de sempre, o mesmo homem que não suportaria a ideia de receber um não. A lua parecia rir-se dele. Até ela havia encantado mais aquela mulher. Milhares de pessoas no mundo seriam capazes de dizer sem medo o que sentiam. E quantos outros homens ela beijaria além dele? Quantas outras vozes cochichariam besteiras ao pé do ouvido da garota dos sonhos do borra botas que aquela altura do campeonato ainda era o jogador a sair de campo em todas as jogadas? Ele permanecia com medo de todas as fraturas futuras, continuava sonhando grande e fazendo pequeno. Pegou mais uma garrafa de whisky e duas aspirinas, foi embora com a mesma dor de cabeça de sempre. Que pra ele mais cheirava a incompetência, e que pra ela, naquela noite, soava como o fim.

Eu me afundo bem ali, além.


Incrível, mas tenho a imensa facilidade de me perder nos sentimentos. E de traga-los pra depois baforar aos quatro cantos. Alguém me disse uma vez que essa é a minha maior qualidade. Até concordei, mas agora discordo. Não gosto de sentir tantas coisas assim, me tirando o sono, me invadindo os poros, me roubando a paz. Porque as pessoas... Ah, as pessoas são tão menos do que me ponho a esperar! Os momentos, os lugares, os ambientes, tudo é pouco demais pra a minha cabeça em ebulição. Parece que nada me satisfaz, e isso me preocupa. Além disso, me dói. Dói principalmente no dia em que estou à flor da pele, sentindo que cada abraço que não foi é cortante como o fio de uma navalha. E desconfortante, também. Eu quero sempre mais, e muito pra mim, é tão pouco... Me pergunto porque não acontece com todas as pessoas a sensibilidade demasiada que se abriga em mim. Ainda que eu esconda, ela permanece lá. Magoando a mesma velha ferida, explodindo à ponto de molhar o meu rosto. À ponto de me condicionar a fazer o mesmo pedido 16 vezes, esperando fervorosamente que ele se realize. Porque eu quero surpresa, sabe? Quero atenção independente das condições. Eu preciso andar, correr, tomar o mundo feito vinho tinto, aos goles rápidos, longos, prazerosos. Só que por mais difícil que seja admitir, eu não consigo sozinha.

sábado, novembro 07, 2009

s e p a r a d o s, se parados.

- Sabe, no fim das contas a protagonista não deve agradar a platéia ou até o diretor. Independente de ser bom ou ruim, a protagonista sempre sobrevive no final.
- e Romeu e Julieta? Tristão e Isolda? ...Elas morreram.
- Merda, eva.
- Xeque-mate!
- Quem venceu agora? O bem ou o mal? Se a protagonista nem sempre vive, quem sempre vence?
- O cansaço. Ela é vencida pelo cansaço.
- E acaba como? Cansada já está... Viva? Morta? ou mesmo cansada, muda? Foge? Enfrenta?
- Ela está cansada justamente porque lutou. Lutou sozinha. E lutar sozinha faz os braços sangrarem. Por isso ela desiste. Mas desistir não é morrer, é só descansar.
- É congelar, para mais tarde voltar
- Ou não.
- Congelar, para sempre?
- Para mim, quem descansa morre um pouco, mas quem congela...quem congela morre de vez. Quero descansar, sabe? Morrer não é do meu feitio.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Você, sempre você.


"Melhores amigas até encenando."

Amiga, estive esperando tempo livre pra vir aqui te escrever. Agora que a correria dos dias de espetáculo passaram, posso tentar exprimir o maravilhoso sentimento que tenho por você. Sabe, nesses 9 anos de amizade você foi pra mim muito mais do que uma companheira. Com você, eu descobri emoções que vou guardar para o resto da minha vida. Quantas vezes abraçamos uma a outra e sufocamos o choro pelas mais diversas situações? Ah, perdi as contas! Quantas noites de conversa jogada fora, e banhos de chuva com direito a resfriado?
Você, Isabella, é o meu espelho, o meu alicerce, minha amante, minha amada, meu amor. Ainda que passem ventos fortes, e os cenários mudem milhares de vezes, nada substituirá a sua presença na minha vida. Porque estávamos juntas em todos os melhores e piores momentos. Choramos de saudade e rimos de pura euforia. Quando vacilei, foi o teu amor que me curou de uma loucura qualquer. Quando a minha voz faltou, foi você quem me disse que eu tinha força pra fazê-la voltar. Sei que os nossos destinos dirão que esse sentimento não vai passar. E multiplicarão mais e mais os nossos sorrisos.
Cada dia com você me faz mais feliz por perceber o quão maravilhosa e única é a nossa amizade.
Eu te amo, minha pequena. E é pra sempre.