quinta-feira, dezembro 10, 2009

Esse tal planeta vermelho.

Como duas crianças bobas, como dois ímãs soltos por forças incalculáveis, tudo em nós termina em guerra. É esse tal planeta vermelho mordiscando os nossos instintos nervosos, fazendo de cada desafio impossível de não ser cedido, ou proposto. Mas temos medo, sim, medo do que faria de nós ainda mais distantes, inconstantes, temperamentais. Sei que por ai também ronda aquela velha vontade de 'tentar ficar amigos sem rancor', desperdiçamos muito ainda desse desejo por sermos tão iguais e paradoxalmente diferentes, por tanta inconstância, por tanta imprevisibiladade. Uma mistura difícil, verdade. Só que cada vez mais excitante justamente pela dificuldade. Se livrar dos instintos guerrilheiros? E por quê? Cada carinho é um tiro ao alvo, e de vez em quando, o sangue pinta de vermelho as nossas camisas. Então a gente diz o que ninguém diz. Pensa? Ah, quase nada. Só o suficiente para deixar o outro louco, sem palavras, quase (e essa primeira palavra é mesmo muito importante) machucado. É estranho, mas toda essa briga acirrada nos faz parecer menos sós. Como se à cada levantar de tom, a cada insulto, a cada mania de querer ser o primeiro a dizer a ultima frase que ressoará por um tempo na cabeça dos dois, nós nos tornássemos mais humanos e parecidos, menos indiferentes. E no final? Ah, no final fica tudo no mesmo. Porque afinal, a gente só queria sair da rotina. E para as piores brigas? As melhores reconciliações.

Um comentário:

Pâmela Marques disse...

É.
Gato e rato sempre. Também vivo uma história assim, sabe?
Alguém tem que ceder. É o que sempre digo, mas eu não consigo.