segunda-feira, dezembro 07, 2009

Perco a voz.

-Alô.
-Pedro?
-Ele mesmo.
-Reconhece a voz?
-Claro! Oi Bia, desculpe não ter te dado atenção no colégio, estava com pressa. O que você queria me dizer?

(Queria dizer que sinto sua falta, só por alguns dias sem te ver. Queria falar dos teus olhos... Ah, os teus olhos! Eles me dizem tantas coisas... Cada linha dourada parece pedinte, parece louca, parece querer tanto carinho que me derrete, e me deixa perdida. Mas os teus braços não pedem, tua boca não cede. Queria te dizer que quando você se recosta na parede e puxa minha cintura como quem diz "vamos, me abrace logo...", e põe a cabeça no meu ombro, eu peço que não termine, e que você não diga que o tempo acabou, que precisa ir, que você não saia pulando serelepe para abraçar outros e outros corpos. Programo estar menos aflita e pareço não me importar, quando você vem e me toma, e me diz que não vai soltar. Mas sempre, sempre solta. Tento não expor os meus olhos cheios d'água. Então você me vem num dia comum e deixa escapar qualquer coisa assim, sem querer, me rendendo um dia cheio de sorrisos bobos. No outro você prefere não olhar para o lado. Queria te falar que gosto da maneira como você joga o cabelo para trás e dirige o seu carro. Queria te dizer que te gosto um tanto de dar medo. Queria te pedir para usar aquela blusa preta que eu adoro hoje à noite. Queria te pedir para olhar nos meus olhos de vez em quando, mas que por favor, não aperte a minha mão daquela maneira de novo. Ou que aperte sim, mas que aperte para não mais soltar. Queria te dizer que hoje eu vou te chamar para sair. Pra que saber aonde ir? Vamos sem rumo, por ai, por onde der na telha. Passo pra te pegar às 7h.)

-Ah, sim, sem problemas. Está melhor da gripe?
-Sim, sim. Melhorei bastante.
-Que bom!
-Então, era só isso mesmo? É que eu preciso ir ali.
-Ah, claro... Pode ir, não quero te atrapalhar.
-Você não atrapalha.
-Beijo.
-Ãh? Ah, sim, beijo.
-Beijo.

pimpimpim.

- Sempre que estou indo,
volto atrás.(♪)

Um comentário:

Pâmela Marques disse...

Duas.
Eu olho nos olhos dele e penso tanta coisa em dizer, mas essas palavras são apenas escritas. Nunca ditas.
E eu me odeio por isso.