sexta-feira, dezembro 31, 2010

Dois mil e onze.


É, o ano está terminando. Finalmente, 2010 se tornará apenas mais uma agenda cheia de lembranças trancadas no meu armário. Devo dizer que hoje está sendo um 31 de dezembro no mínimo diferente. As coisas parecem caminhar para alguma felicidade, felicidade essa que desconheço, e que me perco pensando se é ou não real. Sinto vontade de saber quanto de verdade há em todas essas boas notícias que me rondam desde às 8h da manhã. Necessidade até de entender o porque de mesmo as notícias ruins passarem muito rápido e logo voltarem a ser boas, amenas. Queria que nenhum desses sonhos (?) passasse. Que estivesse tudo certo, tudo entrando nos eixos. Queria saber que amanhã o meu sorriso vai ser grande, sincero e sem o gosto amargo que tantas vezes teve esse ano. Mas tento focalizar todas as coisas criando menos expectativas, por já estar cansada dessas frustrações todas. Fico aqui, controlando o meu coração aos pulos, fazendo figa à cada ligação que recebo, à cada atualização de notícias da internet. E sorrindo, sorrindo gostoso ao notar que o sonho ainda está lá, em plena realização. É só isso que peço em 2011: Realização. Que não seja o maremoto de 2010, o avalanche louco e intenso. Eu, sempre muito intensa, peço agora um ano mais ameno, mais livre, menos preocupante. Eu quero paz. Tá aí, encontrei, essa é a palavra: Paz. Porque se ela vier, virão todas as outras coisas.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Tua ausência fazendo silêncio em todo lugar.*

"Daqui a 20 minutos ele vai pegar aquele avião. Mova-se". De repente, foi essa a frase que me veio à cabeça. Sabe filme americano? Aquela coisa melodramática da menina dizendo "não pegue o avião, fique comigo"? Foi isso. A cena perfeita povoou a minha cabeça. Quando acordei do transe, quase bati mil vezes a cabeça contra a parede. Quão boba e sonhadora eu havia ficado, meu Deus! Por instantes sonhei que dizer essas frases lhe faria voltar, me abraçar, ficar. Cheguei a olhar para a minha motocicleta e quase tirá-la da garagem. Depois fiquei me perguntando o que eu faria ao chegar lá, ao ir ao seu encontro. Você me chamaria de louca, no mínimo. Me acharia uma criança mimada, uma menininha imatura. Você iria embora com raiva e eu notaria que havia desfeito para sempre o nosso laço. Por isso fiquei. Sentindo e chorando a sua ausência. Com o teu cheiro me invadindo o tempo inteiro, as marcas nos meus lençóis, e o meu coração já tão cansado de ser só.

* Título emprestado de um trecho da música "O anjo mais velho", d'O Teatro Mágico.

sábado, dezembro 25, 2010

Forgotten.

Sabe, moço, quando você me deixou (meu Deus, quando você me deixou!) eu pensei que fosse morrer. Eu me sentia tão vazia, tão... Não sei, não sei dizer. Era uma sensação que de tão ruim, se tornou indescritível. Tomei tantas cervejas que passei a beirar um coma alcoolico diariamente. Fumei mais cigarros que o estimado para o ano inteiro. Eu precisava de algo que suprisse a falta imensa que você me fazia. Senti medo de ficar louca. Às vezes, quando anoitecia, eu podia ouvir os acordes do seu violão, a sua risada gostosa, o toque das suas mãos nas minhas. Era perturbador. Quis jogar fora meu celular, quis excluir todos as redes de relacionamento da internet onde eu era membro. Re-la-cio-na-men-to, tá aí algo que eu não queria com você. Não aquele que tinha sobrado, não o que tinha ficado depois de passarem aqueles dias maravilhosos ao seu lado. Eu não queria a sua amizade. Eu não queria o seu respeito. Eu não queria o seu companheirismo. Eu queria o seu amor. Amor inteiro, amor de sexo à sexo, amor de beijo longo, mordida na bochecha. Passei dias olhando o terminal rodoviário da janela da escola. Não, você não apareceria. Fim. 'Fim feito gim', como diria Cazuza. Os meses foram passando, o meu desgosto por não ter você comigo foi adormecendo.
Agora você me aparece por aqui, me olhando daquele mesmo jeito, me prometendo mil coisas com esse olhar insano. Mas algo, algo no encanto se perdeu. Você não é mais tão bonito, teu olhar não provoca mais brilho algum no meu. E é estranho, tão estranho não te querer, que às vezes eu mesma paro e tento conversar com o meu coração. Ele me diz, apenas: You forgot, dear. Congratulations. Eu sorrio, e tomo mais um gole desse meu copo de bebida quente para o meu novo coração, frio.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Mais fácil.

Há quase oito meses atrás, você me perguntou se eu desistiria sem sequer chegar à melhor parte (você se lembra?). Lembro-me de ter pensado: "Me mostra logo essa melhor parte, poxa!". Hoje, passados esses meses todos, posso entender que talvez a sua "melhor parte" não fosse nada do que eu imaginava. Hoje, posso entender que o seu carro não aparecerá por efeito de mágica na minha frente, e que nesse momento talvez você esteja misturado aos corpos frenéticos que dançam, beijam e bebem sem parar. Mas olhe, eu aprendi também. Aprendi a não de esperar nada de você, simplesmente. A partir daí, tudo ficou mais fácil, devo admitir. Eu, por sinal, pude me permitir também outras bocas, outras vibes, outros mundos. E, de vez em quando... A tua boca, a tua vibe, o teu mundo.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

E se eu te contar...

Meu B.,
E se eu te contar... Que adoro o nosso amor? Se eu te contar que adoro as suas crises disfarçadíssimas de ciúmes e suas bochechas extremamente vermelhas quando te deixo de lado? Se eu te contar que amo os seus abraços intermináveis quase que me colocando no colo? E as tuas mãos grudando nas minhas, me desarmando, me fazendo levitar. E se te ligar agora? Pra te falar que eu gosto de tudo assim mesmo, desse nosso amor bonito, claro, brando. Esse amor que ameaçou tantas vezes nos fugir pela janela, esse amor que muitas vezes quebrou em cacos os nossos corações, esse mesmo amor... Perfeito. Perfeito em suas imperfeições, em sua peculiaridade, em suas impossibilidades e minúcias. E é tão bom, entende? Tão bom que nós não tenhamos tratados, papéis, alianças. Tão bom que não nos cobremos estar um com o outro, mas que ainda assim estejamos sempre, sempre e sempre. Que ainda assim nos telefonemos para nada, que ainda assim nos convidemos para sair, nos permitamos ir ao parque, à pracinha, ao cinema. Que ainda assim sintamos a maior falta do mundo do outro, ou que não sintamos falta nenhuma, também. Você percebe, meu amor? Percebe a grandeza de todo esse nosso elo? Então, é por isso. Por isso que estou aqui, te escrevendo. Eu preciso te contar: Eu te prefiro assim. Tão meu, e tão de outras. Tão divino e tão mundano. Tão multidão e tão solidão. Tão único, tão você, tão... Amor da minha vida.
Da sua eterna,
O.C

quinta-feira, novembro 11, 2010

Aquele último dia (parte III).

Não eram nem seis horas ainda, e Marcos já perambulava louco pela casa. A mãe espantou-se ao entrar no quarto e encontrar a cama cheia das mais diferentes camisas e calças. Se não soubesse para que o seu rapaz havia feito toda aquela bagunça, teria reclamado o resto da noite. Mas ela sabia, entendia, e adorava! O seu menino, que ainda ontem corria pela casa inteira com as mãos cheias de carrinhos, bolas de gude e bonecos, agora estava preocupado em conquistar uma menina. O quarto tinha cheiro forte de perfume masculino, que de tão bom, fizera a mãe fechar os olhos como que para sentir melhor o aroma. Foi a voz de Marcos que a fez abrir os olhos, e admirar-se novamente.
- Mãe...
A voz dele expressava nitidamente a sua timidez.
- Me diga, como estou?
Os olhos de dona Elvira bilharam.
- Você... Você está lindo, meu filho!
- Mas mãe...
Sentou-se na cama, com os olhos baixos.
- Me diga, se a senhora fosse uma menina de 16 anos, aceitaria sair comigo hoje?
- Se eu aceitaria, minha criança?
- Mãe! - Falou, repreendendo o dengo.
- Tudo bem, meu filho. Mas olhe, eu não só sairia com você, como deixaria fazer tudo mais que quisesse comigo.
Riram-se, os dois. A conversa tirou um pouco da tensão e da insegurança do rapaz, e isso o ajudou a fazer um dos muitos pedidos complicados daquela noite.
- Pai, me empresta o carro essa noite?
- Nós vamos viajar amanhã cedo, Marcos. Nada de farras hoje.
- Mas pai, eu vou sair com uma garota.
A fala de Marcos fez o pai desgrudar os olhos da Tv e olhar para ele. Só assim pode notar que o filho estava realmente preparado para uma bela noite. E como parecia com ele, aquele menino! Nostalgico, seu Pedro puxou o chaveiro do bolso com um sorriso pouco comum.
- Vá, meu filho. Boa sorte, só não vá chegar tarde demais, lembre-se de que amanhã...
Ele não o ouviu. Nas últimas palavras de seu pai Marcos provavelmente já estava saindo da garagem, destribuindo sorrisos para o porteiro.
Pontual, buzinou em frente a casa de Vivian exatamente às sete horas. A moça apareceu na porta deslumbrante. Os conhecidos cachinhos pareciam entrar em sintonia com a natureza, com o vento. O vestido preto decotado combinava com os seus olhos negros, e constrastava com a sua pele muito branca. Estava ainda mais bonita e sorridente. Marcos fez a linha cavalheiro à moda antiga abrindo a porta para Vivian e deixando escapar um elogio tímido. O caminho pareceu muito longo até a casa de Abreu. As mãos do rapaz já escorregavam no volante, suadas. Quando chegaram, o coração de Marcos podia se comparar a uma escola de samba inteira.
- Nossa, não chegou ninguém ainda?
- Você sabe como eles são, Vivian, pontualidade zero.
Ele procurou seguir os passos que ensaiou em casa. E, é claro, nada deu certo. Atrapalhado, procurou a chave para abrir a porta. Vivian estranhou, mas preferiu não comentar nada, talvez, por já ter compreendido o que iria acontecer. Só não esperava dar de cara com mesa posta, luz de velas, música e decoração. Era um típico jantar romântico.
- Me desculpa por mentir para você? Se eu dissesse a verdade correria o risco de não te ter aqui hoje...
A moça não falou. De súbito, roubou de Marcos um beijo longo. Beijo de encanto. Sabiam que só aquele beijo não lhes garantiria nada. Sabiam que ainda precisavam de uma longa conversa. Sabiam que precisavam dividir alguns segredos, talvez impossibilidades. Mas não se importavam. Pediam, cada um do seu jeito, que aquele momento não terminasse nunca. Pois nunca em suas vidas haviam sentido tamanha felicidade e sintonia. Eram um só. E talvez formassem, os dois, o ser mais completo que já havia pisado sobre a terra.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Aquele último dia. (parte II).

"Iria só até o fim, daria tudo e mais um pouco de mim..."

Estava tão bem, que nem se quer o ônibus lotado o incomodou. No mp4 tocava Dona-Roupa Nova. Seus amigos muito cultos lhe caçoariam aos montes, ele não estava nem ai. Não se preocupava mais, sabia que ela era mesmo sua dona. Completa, total. O motivo das suas insônias e também dos seus sonhos. Dos seus sorrisos e também das suas lágrimas. "É a moça da cantiga, a mulher da criação, umas vezes nossa amiga, outras nossa perdição...", era a música que melhor a definia, e talvez, fosse isso que o tivesse feito se apaixonar. Vivian era uma menina admirável. Quase não se podia imaginar que por trás daquela garotinha pequena recém-saída da puberdade, houvesse uma mulher madura, diferente. Mas bastavam alguns minutos de conversa com ela para que o cupido flechasse qualquer carinha de bom gosto. Aliás, nem isso. Bastava vê-la andar, imponente, independente, com cara de vinte e poucos anos. Era fatal: Paixão louca à primeira, segunda, terceita e todas as outras vistas. Esse fenômeno havia acontecido com Marcos há quase um ano atrás, e desde então, nunca o havia deixado em paz. Ele sabia: Estava mais do que na hora de uma atitude.
Chegou à escola mais cedo que o de costume, mas encontrou Vivian na portaria. Abraçaram-se, quentes. Perguntaram um ao outro como havia sido o domingo, conversaram sobre o jogo de futebol da tarde, sobre o filme da noite. Era incrível como eram opostos. Ele, flamenguista roxo. Ela, São Paulina apaixonada. Ele, amante dos filmes de ação e aventura. Ela, louca por comédias românticas. Mas se completavam, se entendiam, se amavam, silenciosamente. Toda essa relação tornava mais necessária a atitude de Marcos. Agora, não havia nem se quer tempo para fuga. Ele precisava ir, precisava mergulhar naquele mar. Sem medo de bater a cabeça no fundo, sem medo de se afogar.
Cochichou com um colega algo que Vivian não pode ouvir. Trocaram algumas brincadeiras de rapazes. Logo depois, com um sorriso sacana no rosto, o amigo deu-lhe algumas chaves. Certificando-se de que a moça já havia entrado na classe, Marcos guardou-as no bolso. Esperou para se despedir da diretora, que provavelmente lhe faria mais um discurso no estilo "boba ovo", falando do seu pai e toda a parte classe A da família. Ele nem se quer a ouvia. A única coisa que povoava os seus pensamentos era o corpo de Vivian, o rosto de Vivian, Vivan. Esperou até o intervalo, para vê-la novamente.
- Vivian, não sei se lhe contei, mas estou indo embora hoje...
- Mas já?
- Sim, meus pais querem que eu comece a quarta unidade na nova escola, não posso esperar mais.
- Nem mais uma semana?
- Nem mais um dia.
A menina entristeceu um pouco.
- Mas olhe, escute... Farei uma festa de despedida hoje na casa do Abreu. Quero você lá, ok?!
- Não faltaria por nada nesse mundo.
O garoto enrubesceu.
- Então, posso passar para lhe pegar, não é?! Às sete?
- Combinado, às sete.
- Até!
- Até!
Pensou consigo que à partir daquele dia amaria todas às sete horas de todas as noites seguintes.

# Continua...

terça-feira, novembro 02, 2010

Aquele último dia.

Marcos acordou assustado. Havia sonhado com ela novamente. O sonho havia sido bom demais e era justamente isso que o inquietava. O beijo que ele não deu ainda perturbava todos os seus sonhos quase infantis. O ouvido estava quente, como se tivesse sido mordiscado pessoalmente pela moça. Suas mãos tremiam, o corpo suava. E ele se limitava apenas a odiar os efeitos devastadores daquele garota em sua vida. Mas naquele dia... Naquele dia estava tudo mais forte. Aquele era o ultimo dia de Marcos na cidade. Seu pai, gerente de um grande banco, precisava urgentemente se mudar. Ele, a mãe e os irmãos iriam junto. No começo, ainda cogitou a ideia de ficar com os avós. A mãe quase enlouqueceu, o pai não conseguiu entender o porque, mas Marcos, bom de lábia que só ele, cuidou de tudo. Quando já estava tudo certo para ficar, mudou de planos. Desistiu, cansou. Sabia que uma moça linda como Vivian nunca lhe daria bola. Mudar de ares seria bom. Bom para esquecer aquela velha paixão. Bom para estudar mais. Bom para se resolver.
Bom mesmo seria se o seu coração entendesse tudo aquilo. Diferente disso, aquela última semana havia sido perturbadora. Sonhos quentes todas as noites, lembranças de cada pequeno gesto de Vivian, qualquer bandeira, qualquer frase dita da boca pra fora... Tudo, tudo lembrava a moça. Marcos tinha para si que ficaria louco. Cada hora parecia durar anos, cada dia, séculos. Vivian parecia mais bonita, cabelos mais cacheados e brilhosos, boca mais rosada. Tornaram-se até mais próximos. Na sexta, fizeram em dupla o trabalho de literatura. No sábado, sairam para tomar um sorvete e a moça lhe disse um "sentirei sua falta" que continuou flutuando na sua cabeça até o começo daquela segunda chuvosa. Iria à escola apenas para pegar os seus resultados, se despediria dos amigos (e de Vivian), e pronto. Casa nova, escola nova, amigos novos, vida nova. Seria assim, se ele não estivesse sentado na beirada da cama as quatro da manhã, com aquele nó no peito insuportável, aquela vontade imensa. Discou alguns números no celular, caixa postal. "Graças a Deus!", pensou. Era loucura. O que ele diria para ela? O que faria Vivian olhar para Marcos como alguém além do colega de escola, além do amigo de guerra de travesseiro e sorveteria aos sábados? Onde estava o foco, o ponto que mudaria a cabeça de Vivian? Ele não sabia. Tentava não querer descobrir. Mas era teimoso, sempre. Passou o resto da noite pensando no que faria, e às seis e meia daquela segunda-feira, pela primeira vez, Marcos estava de pé, bem disposto, e de coração pulsante. Tinha planos. Iria tentar, iria em frente. Não custava. Se nada desse certo, não voltaria nunca mais ali. Mas ele tinha que arriscar. E foi.

# Depois de tempos sem um conto que tivesse mais de uma postagem, eu lhes apresento: Aquele último dia. Aguardem o desenrolar da história, e divirtam-se. Espero que gostem! (:

domingo, outubro 31, 2010

Desperto.

Cheguei a um ponto crítico, inegável. Ando beirando a loucura, querendo gritar, querendo ser. Enchendo a cara e esquecendo de tudo depois. Parece fácil, mas não é. Eu queria te dizer tanta coisa, mas tanta coisa... Inútil. Minhas palavras andam tão confusas quanto meu coração. Eu não tô me sacando mais, você me entende? Passo noites a fio pensando em milhares, milhares de coisas, pessoas, cheiros, lugares. Não me seguro em nada disso. Não quero brincar com você, não quero brincar com ninguém. Hoje eu acordei querendo que todo mundo me mandasse embora. Embora, sabe? Pra me desfazer de todos os meus laços sem culpa. Hoje eu acordei querendo ir pra qualquer lugar, esquecer. Pegar aquele ônibus pro Rio Vermelho e só voltar pra casa quando desse na telha. Hoje eu acordei querendo recomeçar do zero, sem marcas, sem sangue, sem cicatrizes. Falar palavrões e tomar banho de cachoeira. Andar em alta velocidade e não sentir medo de você. Não sentir medo de morrer, não sentir medo de ser feliz. Hoje eu acordei querendo não ser eu mesma.

sábado, outubro 30, 2010

O limite.

O céu parecia despencar quando Fernanda entrou no apartamento. O primeiro impulso foi jogar-se no sofá, com a cabeça enterrada numa das almofadas. Tudo que ela queria era chorar. Havia engolido aquelas lágrimas o dia inteiro, havia fingindo estar forte. Mas ali, sozinha, em meio ao breu e ao silêncio do próprio apartamento, ela podia desengasgar o choro. Sentia a necessidade de conversar com alguém, mas quem? Não havia mais um porto seguro para ela. Queria falar que estava tudo ruim. Queria contar que o amor da sua vida amava outra garota, queria dizer que sentia falta dos seus pais, queria dizer que odiava as responsabilidades que ganhou, mas não eram dela. Queria não estar tonta, embriagada, chorosa, perdida. Tragara já muitos cigarros, falara muitas coisas. Mas no fim da noite, quando o som da música havia ido embora junto com todos os convidados da festa, ela estava só. Sempre, sempre só. Sempre presa a ter de amar demais, e receber amor de menos. Sempre intensa, impulsiva, espontânea. Sempre esquisita, estranha, diferente. Suplicava pelo "algo mais" que haviam lhe prometido, pelo sonho que nunca chegava. Fazia frio, o termômetro marcava temperatura alta. Era inegável o precipício pavoroso ao qual pertencia. Ao qual estava presa desde o seu primeiro choro, desde a primeira vez em que se encontrou no mundo. Era antigo aquele estado deplorável. Era assustador, mas ela estava ali. Apenas esperando a visita macabra da morte.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Sargaço mar*

Vejo a sua foto subir no canto direito da tela do meu computador e não sinto fisgar o peito. Só cansaço, e algum medo de que você venha me contar mais alguma novidade ruim. Vejo as suas palavras amigas aparecerem e lembro de todas as frases quentes que ouvi naquele fim de março. Tento não pensar em todo o resto. Impossível. Seu corpo moreno ainda flutua pelo meu pensamento. Meus dedos ainda sentem o teu peito, minha boca ainda pede mais. Mais uma hora, um dia, um momento. Só pra saciar essa vontade louca do teu gosto, só pra te ouvir dizer novamente que eu sou a menina mais linda que você já viu. Só para beijar os teus olhos e sentir a sua barba arranhar o meu rosto. Só pra te ver chegar daquele jeito que eu adoro, sem marcar horário, sem que eu menos espere. Só pra falar sobre política e música, beijos e poesia. Só pra poder roubar pra mim mais um pedacinho de você, já que não posso tê-lo inteiro, completo, meu. Já que sei que os seus passos andam por outros caminhos, já que sei que o seu amor é mesmo o mundo inteiro. Peço, embora saiba que é de pedras perigosas o seu mar. Aqui, na areia quente dessa praia, desidrato. Sonho em me atirar, me perder, me afogar. Sonho, apenas. E volto sempre pra casa, com esse gosto amargo de limitação.

* Título emprestado da música do Cd Maré, da Adriana Calcanhotto. Muito bom, por sinal. ;)

segunda-feira, outubro 11, 2010

Menino de fogo.

Você - Fogo, inteiro. Menino frágil perdido nos meus olhos, menino louco por desbravar o mundo inteiro. E eu aqui, também louca, pensando em te mostrar tudo isso. Mas sabe, garoto, tenho medo. Não medo de não saber como te mostrar o mundo, não medo de não te ser suficiente. Tenho medo de te invadir demais, te assustar. Coração do outro é terreno complicado, é coisa difícil de se ter nas mãos. E noto que, ao fechar o meu punho, posso sentir o seu em decompasso descobrindo os meus dedos. Além do teu coração, algo mais descobrirá os meus dedos? Meus dedos, meu gosto, meu corpo inteiro? A que mais será que estamos predestinados a ser? Me pego já cheia de dúvidas, de planos. Me pego pensando em detalhes nunca antes imaginados. Lembro de você no fim do dia, e quase me assusto notando o revertério que me causaram as tuas palavras por esses tempos. Dessa vez, é o meu coração que revela taquicardia. Surge em mim a vontade de te proteger, cuidar, ninar. Junto com a vontade de ter perto, de sentir. Realizar o teu desejo de andar de mãos dadas comigo, escalar os tais caminhos, descobrir todas as cores. Eu sei que quero, eu sei que posso. O que me resta agora é só esperar que o tempo diga para nós dois o que há de se concretizar.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Mudaram as estações.

Já vou embora
Mas sei que vou voltar...♫

Bem, eu acho que não é mais novidade para nenhum de vocês, meus leitores, que o parteexiladademim anda sem posts ultimamente. Falei sobre excluir o blog, e notei que todos tiveram a mesma reação: Poxa Eva, o que eu vou ler agora? Juro que não queria desapontá-los, mas é que anda mesmo muito difícil escrever aqui. Ultimamente as ideias tem se misturado demais, e me tem sido impossível passar isso para o blog. Segundo um dos "reclamões", Marcos Vinicius, o problema é que eu não estou sofrendo! (rs), talvez todo o problema seja a gravidade das coisas, o que as torna indizíveis. Deixar aqui o selo da minha mudança não seria nada bom. Expor os novos acontecimentos da minha vida não se encaixaria nesse espaço. Então, meus amores, me desculpem, mas eu terei que desativar o blog por tempo indeterminado. Não estou indo embora não, só dando uma trégua. Pode ser que amanhã vocês já encontrem por aqui novos posts, mas pode ser também que isso só aconteça daqui há meses. Tudo ultimamente tem dependido de uma coisa só: O coração. Aliás, nada diferente do que sou, não é?! Do que passei por aqui pra vocês todo esse tempo. Obrigada por me incentivarem sempre, por me pararem no colégio para me elogiar, por me falarem coisas legais no Messenger. Obrigada mesmo por me reconhecerem. E eu vou voltar, podem esperar.

# Em contraponto, sugiro a vocês que acompanhem o meu fotolog. Tenho postado quase diariamente. Sem contar que assim dá pra matar a saudade do parteexiladademim. (:

quarta-feira, setembro 15, 2010

Encontro.

Bárbara andava pelas ruas solitárias da sua cidade, quando ela apareceu.

- Que triste você está hoje, Bárbara.
- Senhorita consciência! Já imaginava você por aqui. É, estou um pouco triste.
- O que houve, meu amor? Do que você precisa?
- Sinceramente?
- Sinceramente.
- De alguém que me chame exatamente assim.
- Então, qual o problema?
- O problema é que preciso que vá além dos meus sonhos bobos.

Foi então que ela sumiu, e Bárbara se viu ainda mais só. Insaciável, incompleta. Com a vida de pernas pro ar. Pendurada numa forca pela velha corda "problemas internos", apoiada no banquinho "problemas externos". Se pulasse do banquinho, seria enforcada imediatamente pela corda. Bárbara chorava, até quase desidratar. Depois voltava para casa com os mesmos olhos inchados de sempre. Pedia a rego e dormia fingindo nunca ter sentido nada daquilo.

terça-feira, setembro 14, 2010

Carta dele.

"És muito mais que essas criaturas que vagam perdidas nesse mundo". Ele me disse. E eu quis acreditar que sou. Quis ser. Ah, eu me ponho nessa noite a escrever, ler, desandar, pensar. A noite está vazia, e ao mesmo tempo, tão cheia... O quarto ainda guarda cenas, cenas loucas, sorrisos, lágrimas, alcool... Até mesmo o violão me lembra milhares de coisas. Tenho um suor que incomoda o meu sono. Aliás, ele nem se quer chegou ainda. Acho que esse desespero noturno afigura mais uma madrugada insone. Hoje pela manhã, alguém me falou sobre sentimento, e sentir é mesmo algo extraordinário. E eu sinto. Sinto sempre, sinto todas as coisas que parecem explodir aqui dentro. Surto com gente burra, mas não burra de cérebro, tem gente que tem o espírito emburrecido, tem gente que nem sequer tem alma. Pra mim, isso é muito estranho. Estranho que existam pessoas completamente avessas a lei natural das coisas. E eu, inconstante, inconsequente, continuo lendo a carta dele, que me diz: "Baby, não deixe seus impulsos destruirem você. Você é linda, inteligente, não quero te ver jogar isso fora". Tenho querido acreditar o tempo todo em todas essas coisas, acreditar em mim. Parar de confundir coragem com impulso, aprender que o sofrimento é opcional e eu não preciso procurar por ele. Aprender a não me preocupar com gente de alma pequena, mas sim, me render as pessoas de alma grande, de sentimento grande. A gente que sabe amar.

"Mas é claro que o sol vai voltar
amanhã mais uma vez, eu sei
(...)
Eu sei que um dia a gente aprende..."

terça-feira, setembro 07, 2010

Sobre forças.

- Você não passou por coisa piores do que você está passando?
- Passei, claro que passei! Mas acontece que justamente por ja ter passado por muita coisa, é que hoje eu não sei se ainda tenho forças.
- E amar, nao é ter forças?
(...)
- Não posso nem tentar lhe responder o contrário... É, amar é ir além das forças.

quinta-feira, setembro 02, 2010

A festa da festa.

- Alô.
- Clarissa, festa na casa do Sérgio às 3h. Recado dado.
- Do Sérgio? Você tá maluca?
- Cla, já passou da hora de vocês voltarem a se falar, você não acha? Já faz tanto tempo...
- Mas, Bruna...
- Nem mas, nem meio mas, Clarissa. Você vai.
- Ok, ok.

Não sabia se era a hora, mas se a oportunidade havia chegado, eu deveria ir em frente. Precisava encarar aquela verdade, testar o meu próprio coração e entender tudo aquilo. Pus o meu novo vestido vermelho, e me arrumei para uma festa comum. Não parei para pensar no que estava fazendo, sabia que se parasse, desistiria. Estacionei o carro na garagem do prédio. Não era a minha intenção, mas não quis render a conversa com o porteiro, que já havia aberto o portão para mim e me cumprimentado como antigamente. "Droga! Primeira a chegar." Pensei, quando Sérgio abriu a porta para mim e sorriu, como se não acreditasse no que via.

- Entre, Clarissa, sente. O pessoal deve estar chegando.

Tocava Chico Buarque. E eu odiava aquela fisgada no peito que ficava mais forte à cada segundo. Minhas mãos suavam, meu corpo inteiro tremia. Nem nas minhas piores estimativas eu havia pensado sentir tudo aquilo.

- Mando descerem as cervejas, ou a gente fica só no wiskhy enquanto a galera não chega?
- N-não sei, Sérgio. A festa é sua. - Gaguejei - Mas se não for incomodo, eu gostaria de um copo d'agua.
- Mas é claro... - Falou, dando-me o copo cheio, que me pus a tomar num gole só.

Não era bom aquilo. Eu havia mostrado estar nervosa. Mesmo após tanto tempo, tantas outras bocas, mãos, perfumes, aquele rapaz ainda me tirava do sério.

- Bom, acho que podemos conversar um pouco. - Olhou para o relógio. - Parece que você chegou um pouco antes do horário.
- É...

Eu, monossilábica. Nunca fui boa com palavras quando nervosa. Tocava "A Rita", e eu fingia não pensar naquela música, olhando o copo vazio. Podia trocar Rita por Sérgio e cantar a canção sem esforço. Talvez ele pudesse fazer o mesmo comigo. Nós dois, pura mágoa. Enganos, mancadas, viagens, compromissos, tudo aquilo havia feito desgastar o amor. Não me lembro em que ponto exatamente, perdemos o foco. Sei que do meio para o fim, ele se perdeu. E nos vimos ali, dois amantes perdidos entre frieza e desejo. Foi então que eu fui lá (na minha insuportável mania de querer resolver todas as coisas), e quebrei o nosso elo. Desfiz o nosso laço, desamarrei os cadarços dos nossos tênis surrados, mandei Sérgio embora. A partir daí, foi um desastre. Me contaram dos comprimidos, das internações. Depois me falaram sobre um novo amor, e outro, outro. Falaram sobre um cargo maior na empresa de seguros. Então percebi que ele estava bem. Não nos viamos desde aquele dia no apartamento, naquele mesmo sofá, em que eu fui embora. Agora eu estava ali, sentada. Olhando para o teto e pedindo que a festa começasse logo.

- Escute, Clarissa...

Sérgio se dirigiu ao som, e passou algumas músicas. Parou, olhou-me. Era "O meu amor". Era a nossa música. Como ele podia fazer aquilo? Como podia brincar com o meu nervosismo daquela maneira? E pior! Como podia mexer assim com a minha libido? Sérgio sentou-se ao meu lado. Estendeu-me a mão, aceitei. Como era maravilhoso sentir a pele dele novamente! Meu Deus, como era bom, doce, excitante. Soltei a minha mão, e passei a percorrer-lhe o seu braço. Aquele braço forte, lindo. Com a outra mão, Sérgio levantou-me o queixo. Nossos olhos se encontraram, fatais. Nos beijamos. Percebi que o tempo não havia desfeito o nosso encaixe. Nossas bocas pareciam ensaiadas. "Eu te amo" começou a tocar, e eu senti que além de mim, Sérgio também beirava uma taquicardia. Nossos corpos tentaram se encostar mais, como se desejassem adentrar um ao outro. Mas havia outra forte de fazer aquilo. Sérgio desamarrou o meu vestido e descobriu o meus seios. Eriçados, loucos, desejosos. Eu lhe tirei a camisa, e todo o resto. Deitamo-nos no chão, sem maiores preocupações. Ele olhou-me.

- Clarissa...
- Shiii, não, não, não fale nada. Não estrague o nosso momento.

Amamo-nos, em silêncio. Quentes, firmes, maduros. Qualquer palavra faria mudar aquela história. E não era isso que eu queria. Sérgio também não. Demos vazão as nossas vontades, apenas. Crus, nus, inteiros. Não nos cabia entender aquele sentimento. Não teríamos nunca inteligência para tanto. Algumas coisas não foram feitas para serem entendidas, mas para serem sentidas. Sérgio dormiu no meu colo. Corpo colado com o meu, suado. Como era bom aquele cheiro de sexo bem sucedido, aquele cheiro de amor. Fiquei mais um pouco ali, sentindo toda aquela atmosfera que ao mesmo tempo, fazia e não fazia tanta falta. Tocava "Trocando em miudos" quando parei na porta, olhando-lhe mais uma vez. Tomei o ultimo gole de whisky. E parecia que o Chico cantava para mim: Uma saidera, muita saudade, e a leve impressão de que já vou tarde.

terça-feira, agosto 31, 2010

Palavras


Talvez toda a sua preparação não a tivesse de verdade preparado. Naquele dia ela ouviu a voz sussurrada no seu ouvido tantas vezes lhe fazer cair como ela não imaginava nunca. Cada palavra adormecia músculo por músculo, enquanto ela tentava sem sucesso reverter a situação, falando daquelas coisas que insistia em tocar com naturalidade, como eterna sadomasoquista sentimental. Como se fingisse não ouvir, ouvindo. Sentindo, morrendo de medo, de ciúmes. Com aquela vontade chata de chorar. Ela conhecia de cor aquelas palavras, pois havia treinado ouvi-las em alguns de seus piores pesadelos. Mas saber que tudo era real, doía como navalha cortando carne viva. E o talvez se deitou sobre seus tímpanos, rendendo algumas lágrimas e chamando algumas loucuras, quando ela tentava a todo custo não se deixar levar. Mas estava só. Distante demais de um ombro que lhe acolhesse algum pranto. Por isso a solidão ecoava e doía, fazendo com que toda a tristeza fosse impossível de ser contida.

domingo, agosto 29, 2010

O mundo.

(...)

- É que algumas pessoas tem o mundo para dar as outras, menine.
- Diga-me...
- O que?
- Você pode me dar o mundo?
- Eu lhe daria, se você se permitisse recebê-lo.

Noite.

A lua laranja quase cheia abençoava aquela noite. O cheiro de perfumes misturados, vento, poeira, asfalto. A magia de me desprender das coisas ruins que haviam me feito desandar esses dias. Velocidade, aventura, loucura. No mais, as verdades sérias das quais tem sido difícil fugir. Mas tudo tão leve, brando... Delicioso laço que se faz forte e sem maldade. O sangue que correu mais forte nas veias só me faz continuar achando todas as mesmas coisas, agora divulgadas. Por coincidência ou necessidade. Talvez tudo junto. Histórias, vinho, ilhas descobertas e outras tantas a descobrir. Utopias secretas, eternas. Viagens, sorrisos, lábios falantes e vermelhos. Corpos pulantes e felizes. Fe-li-ci-da-de, apesar dos pesares. Uma noite incrível.

"Hoje eu acordei com vontade de esquecer
Todas as preocupações e ir depressa para algum lugar
Aonde o tempo pareça não existir."


sábado, agosto 28, 2010

Aquele dia.

Era um dia comum. Chato, como todos os letivos. Pesaroso, como haviam sido naquele mês. Mas eu já havia me acostumado com isso. Arrisquei até uns sorrisos, metade deles falsos. Só havia uma coisa de diferente, que fazia meu coração fisgar de medo, ansiedade: Era a aceitação ou reprovação de uma obra. Não sabia o que me diriam, como eu seria interpretada. Procurei esquecer, me concentrar em todas as matérias para estudar, em todos os encantos que me sugavam o corpo, em tudo mais que pudesse mudar o meu foco. Qual não foi a minha surpresa, quando, no momento em que eu esperava a normalidade, me veio quase uma homenagem. Alguém me lia, em voz alta, me elogiava, me amava um pouco. Era uma admiração boa de se ver. Aquele sorriso ao proferir palavras minhas, ficara pra sempre guardado em mim. Aquele momento, aquele dia, aqueles pequenos minutos. Tudo aquilo cresceu aqui dentro, se transformou num carinho tácito e enorme. Mas para o meu desespero (secreto), tão maior que o que vem para mim. É estranho, não é? Estranho que nutramos pelas pessoas tantos carinhos, e que às vezes recebamos quase nada do que damos. Nos dias normais, eu tento não me importar. Mas é que esse vinho tinto me deixa sensível como o diabo.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Platônico.

(18 de março de 2007)

Não há ninguém que apareça pra te levar pra casa. Não há ninguém que te beije no fim do dia. Não, querido, não há. E sabe, isso é o que eu mais odeio em ti. Eu sei que há alguém que te desconcerta, que te põe louco, mas sei também que daqui há pouco tempo você já terá mudado de "alguém" algumas vezes. Hoje eu senti vontade de te ver beijando alguém. Qualquer moça, entende? Qualquer uma. Só para que eu entendesse que há outras dimensões na sua vida. Só para eu enxergar ao vivo que você não sonha comigo. Mas não, você continua ai. Um bobo, sempre só. Sempre triste, sempre queixoso, sempre repelente. Sabe, hoje, quando te vi sentado naquele passeio feio, próximo aquelas rosas bonitas, senti vontade de lhe estender a mão, dar-lhe uma daquelas flores. Dei-lhe só um dos meus sorrisos ensaiados, e segui o meu caminho. Não tive coragem. Pode gritar comigo, me chamar de medrosa (como sempre), me dizer que tenho medo de tudo. Porque não é mentira. Tive medo, sim. Medo de que você me negasse, ou aceitasse sem vontade a minha ajuda. Medo de que você me mandasse embora de novo. Fiquei de longe te observando, te vendo levantar, e ir para eu não sei onde. Nunca sei. Juro que às vezes isso me faz louca, mas só às vezes. Só quando deslizo e noto que não sou tua dona, nem sequer sua mulher. Que talvez eu seja só a amiga de cabelos negros e cacheados de all star quadriculado, como você me definiu. Pequena definição. Sou um tanto mais, baby. Mas sabe, não sei se quero que me descubra muito mais que isso. Não sei se quero te fazer dar de cara com os meus defeitos, a minha instabilidade, a minha sensibilidade. Talvez esse seu jeito independente tenda a odiar o meu carinho extremo, minha estranha necessidade de sentir. Então, por isso, continuo aqui, por trás desse muro. Te olhando pelas pequenas frechinhas que se abriram com o tempo, decorando teus passos com meus olhos, querendo e não querendo te ver um dia tocar a minha campainha.

terça-feira, agosto 24, 2010

Como diria Mafalda...


Como diria Mafalda: E não é que neste mundo tem cada vez mais gente e cada vez menos pessoas?

Eu complemento: E não é que este mundo é a eterna quadrilha de Drummond, a maioria das pessoas é constituída de eternos piruás, e eu surto cada dia mais com a incapacidade de conviver nessa cidade-ovo, que me causa náuseas devastadoras?

(Para bom leitor, meia palavra basta.)

domingo, agosto 22, 2010

Ferrugem.


Ela sabia. Sabia como mais ninguém que as coisas não mudariam. Se conhecia o suficiente para entender que os seus impulsos não seriam nunca deixados para trás. Tinha o coração enorme, em chamas, em plena carência. O seguia, ainda que não gostasse disso. Odiava. Odiava quando as lágrimas vinham, odiava quando as palavras escapavam-lhe dos lábios e dos dedos. Odiava o "querer sempre mais", mas no fundo sabia que toda essa vontade vinha por não ter nada nas mãos. Tudo de mais concreto que havia entrado em sua vida, a tinha deixado sempre em segundo plano. E justo ela, que tinha tanto pra mostrar e para ser. Justo ela, que pedia apenas algo que a completasse e mandasse embora o oco dentro do peito. Algo lhe faltava, sempre. Ela não era de se abater, de se entregar sem lutar. Lá ia de novo, como se pro Vietnã, guerrear, sangrar, mutilar-se. E voltar de cara choro, de derrota, de sonho perdido. Pra no outro dia se levantar, e erguer as mesmas armas novamente, nenhuma dor era insuportável a ponto de lhe fazer desistir. Quanto tempo sua armadura resistiria aos tiros, às balas de canhão, às grandes corridas para algum lugar seguro? Verdade que já haviam se passado dezesseis invernos tempestivos, mas ela via todo o ferro enferrujar e pedir a rego como nunca antes.

segunda-feira, agosto 16, 2010

No barzinho.

- Garçom, vocês tem desamor por aqui?
- Temos sim, senhora.
- Desce quatro doses, com gelo, por favor.
- Mas quatro, senhora? Não acha um pouco demais?
- Meu bem, nem vinte doses disto recompensariam esse amor.
- Quantas doses dele tem ai?
- Infinitas, infinitas doses.

domingo, agosto 15, 2010

Stop, girl, please!

Garota, por favor, pare! Pare de imitar as minhas características, pare de seguir os meus passos. Pare de copiar o meu cabelo, as minhas roupas, os meus textos, as minhas dúvidas, os meus ídolos, as minhas escolhas, as minhas habilidades, os meus amigos, os meus amores, os meus olhos, os meus encantos, as minhas músicas, a minha história, o meu eu. Deve haver algo em ti que te permita mostrar e crescer por si só, sem ser essa sombra insuportável que busca sempre me transpor, que me irrita. Vá, voe! Aprenda a levantar o seu vôo sem olhar para o meu de canto de olho. Por que você sabe, não é? Se não olhar para a frente, você pode bater de frente com os montes, enquanto eu continuarei voando.

Para ouvir: Quem irá nos proteger - Vanessa da Mata.

# Antigo, clichê, piegas, mas que serviu como uma luva a esse 15 de agosto.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Como se fosse possível musicar o que há por dentro.

"Não há palavras pra explicar o que eu sinto..."

Não há. Eu tentei, tentei expressar em palavras toda essa sensação estranha que tem me adentrado esses dias, inútil tentativa. Não sei explicar o que passa por aqui. Não quis dissertar mais um desabafo, mais um BsemP, um Deve ser tudo uma questão de auto-estima. Tenho tido pensamentos maus. Não por mim, juro. Passo os dedos por sobre os livros na prateleira, busco alguma poesia que me identifique. Cyrano de Bergerac, Dom Casmurro. Pronto, eram meus eus em obras. Fui me lendo naquelas angústias, como quem pede para a dor doer. Murro em ponta de faca, entende? Verdade cara à cara, feito tapa. Ofereço as duas faces, corpo inteiro. Machuca. Prefiro assim. Nua e crua sobre isso aqui dentro que me molda essa diferença constante. Isso que é meu, nasceu comigo. E não morrerá porque é tudo aquilo que sou: Barquinho de papel, naufrágio, restos, pó.

"Sou uma gota d'água, sou um grão de areia."

terça-feira, agosto 10, 2010

A(pesar) de você.

"Hearing echoes from your heart
Learning how to recompose the words."

Eu analisava os passos da moça. Sempre independente, sempre diferente, sempre mais (ou menos). Observei o moço que estava ao lado e vi o quanto os olhos dele brilharam, o quão desconcertado ele estava por seus braços estarem preenchidos com outro corpo, e ainda assim, seu coração pulsar assustadoramente. Ele precisava seguir aquele caminho. Aquele caminho lhe era melhor, mais bonito, mais cômodo. Sofrer por amor é coisa complicada. Dor de amor não segura muitos tic tacs antes de desabar lágrimas. E lágrimas... Lágrimas não. Não cabiam mais. Não no rosto dele, não nos sonhos dele. Esperaria ela passar, esperaria acalmar o descompasso dentro do peito, fingiria novamente estar tudo bem. Assim foi. Só eu soube naquele momento o que ele sentia, porque pude ler nos seus olhos algo que me dizia "a moça dos meus sonhos ainda é você".

quarta-feira, agosto 04, 2010

Desses desabafos noturnos.

Eu estava aqui, tentando não explodir com todas essas ideias insuportaveis perambulando pelos meus pensamentos, lembrando dos ensinamentos que tenho tentado seguir. Lembrando do "servir, sem perguntar até quando", "semear o bem, sem pensar nos resultados", "compreender o próximo, sem exigir entendimento", "dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxas de reconhecimento". Verdade é que eu sempre fui assim, meio tirada à heroinazinha boba. Mas chega um momento em que as forças terminam. Chega um momento em que toda a falta de reconhecimento machuca. Chega um momento em que a gente para e se pergunta: Poxa, o que foi que eu fiz? Que parte de mim é que me torna tão diferente? Por que é que o meu carinho farto é tantas vezes trocado por carinhos escassos?
Queria ser desses seres evoluidíssimos que conseguem seguir todas essas leis de boa convivência sem querer nada em troca. Mas a minha conduta cada vez mais material e menos evoluída me torna esse poço insuportável de carência. Eu preciso de um sinal, um olhar, um recado. Algo que me faça pensar "Que bom que tu estás comigo, como estou contigo". Sabe, eu quero sempre ajudar. Tenho agonia de gente que se acostuma em ser triste, gente que não luta, gente que não enxerga oportunidades. Sinto vontade de arrancar a dor dali de alguma maneira. Poderia arrancá-la com as minhas próprias mãos, e em carne viva, chorar de felicidade por ver um sorriso. Gosto de ver as pessoas sorrirem. Me sinto bem em fazer o bem. Mas não tenho competência para Irmã Dulce. Preciso de algo em troca, de uma certeza que não me faça sentir esse oco enorme dentro de mim.
É como se eu estivesse indo para uma guerra lutar por algo que não me pertencerá. Como se eu iniciasse sempre o mesmo jogo perdido, o qual não me canso de jogar. Peço força suficiente para não querer jogar tudo para o alto. No fundo, sei que não conseguiria. Porque algo aqui dentro de mim, me pede para ser mudança, para servir e me machucar vezes seguidas. Algo dentro de mim me pede para ser amor da cabeça aos pés.

segunda-feira, agosto 02, 2010

(re)ler-me.

"Como sou insuportavelmente romântica, meu Deus!" Fernanda Yuong

Encontrei um folhetinho amassado na minha escrivaninha, com uma só folhinha escrita, uma letra rápida, despojada, apontando embriaguez, li:

Frio, amargo, forte. Tudo isto é o teu café.
E ainda assim, tenho sede de tomá-lo todos os dias.
(22.02.09)


Fiquei pensando em todos os personagens daquela confusão, e adormeci pensando em mim mesma e na minha (eterna) insensatez.

domingo, agosto 01, 2010

É teu.


- Olá.
- Oi.
- Como vai você, moça?
- Cansada.
- Não quer me contar o por quê?
- Tenho um coração... Um coração que me é grande demais.
- Mas é só esse o problema?
- Só esse? Não acha muito ter um coração que não me cabe no peito?
- Tenho a solução.
- Tem?
- Sim, sim. Dê-me um pedacinho dele.
- Ele já está aí, não vê? Ao seu lado, querendo que você o pegue. Não me coube no peito e saiu em pedaços por aí. Sente frio, sente fome.
- Por que é que você não me disse isso antes? Não poderia ajudá-lo sem que ele me pedisse ajuda.
- Então tome, pegue. Ele é seu, ele sempre foi seu.
O rapaz tomou o coração nas mãos, e o guardou dentro do peito.
- Pronto.
- Promete uma coisa?
- O que?
- Promete cuidar bem dele?
- Prometo.
- Promete cuidar bem dele infinitamente?
- Que seja infinito enquanto dure.
Ela sorriu.
- E que seja doce.
- Não, não.
- Não?
- Que seja tentador.
Beijaram-se.

sábado, julho 31, 2010

Alien(ação).



Esses dias eu me deparei com uma notícia assustadora. De repente, jornais, rádios, Tv, internet... Todos os meios de comunicação falavam sobre a mesma coisa: O caso 'Bruno' (acho engraçada essa mania da mídia de colocar nos crimes os nomes de seus feitores ou vítimas, a depender da situação financeira). Sentei para entender o que estava acontecendo, e sinceramente, não consegui pensar na possibilidade de ele não ter matado a tal moça. Minha indignação surgiu ali, mas logo baixei a guarda. O que não durou muito tempo. Qual foi a minha surpresa, quando presenciei um debate sobre o assunto, e pude notar que a minha opinião se diferenciava da opinião de outras pessoas. E juro, não foi isso o que me incomodou. O que realmente pesou foi o fato de que todas as defesas se estabeleceram pelo simples fato da alienação que o fanatismo causou. De repente, todas as provas eram pequenas, todas as evidências eram mentira. De repente, a moça se tornou alguém que tinha pedido a própria morte. Ah, façam-me o favor! Quando o caso era o Eloá, o Suzane von Richthofen, o João Hélio (alguém lembra?), o Isabella Nardoni, não haviam duvidas, ou tentativas de inocentar os assassinos. Por que com Bruno seria diferente?
Anuncio: Estou sim indignada. Tenho sim direito de me indignar, assim como fiz todas as outras vezes em que crimes grotescos ocorreram. Não, ele não é meu pai, meu irmão, um amigo próximo. Mas se fosse, isso o faria menos culpado? Quer dizer então que por amar alguém eu devo deixar que ele acabe com a vida de outras pessoas? Se a moça fosse mãe, irmã, amiga, de qualquer um dos fãs exacerbados e alienados, ele seria menos culpado, e ela menos gente? Postos à prova, os defensores buscam até desumanizar Eliza Samudio pela sua profissão. Mas, olha só que coisa: Ela era humana. Humana como você. De carne, osso, coração. Carne que foi devorada. Ossos que foram concretados. E não venha, motivado pelo seu fanatismo, tentar me provar o contrário.

# Era pra esse texto ter sido postado aqui há tempos, mas a correria não me permitiu. Quero deixar claro que esse não é um texto anti flamengo (embora eu não tenha simpatia alguma pelo time). Eu só tentei expressar a minha opinião em relação a alienação, cada vez mais presente nessa geração. A lei "parafuso e fluido em lugar de articulação", que foi cantada há anos atrás, parece se encaixar muito mais agora. Não peço desculpas aos meus leitores flamenguistas, pois sei que alienação deve (ou deveria) passar bem longe deles.

domingo, julho 25, 2010

A boca vermelha de uma dama louca V.

- Alô.
- Bom dia.
Fez-se silêncio.
- Raica? O que houve?
- Nada, Luiz, nada.
- Ei, será que posso aparecer por ai hoje?
- Venha.
Ela desligou, ele preferiu não retornar. Em alguns instantes, o moço já tocava a campainha do seu apartamento. Encontrou-a de cara feia, olheiras enormes, pijamas e pantufas.
- Você não está chateada comigo, está?
Raica não respondeu. Apenas desviou o olhar e focou na xícara de café que segurava.
- Raica...
Ele nunca a havia chamado pelo nome, e aquilo só piorou. Ela havia estupidamente adorado a voz dele chamando-a. Ela adorava o cheiro do seu perfume. Ela o adorava e se odiava por não conseguir odiá-lo. Ela tinha vontade de beijar-lhe a boca e rasgar-lhe a face. Tinha raiva, paixão. Tinha vontade de expulsá-lo dali. Tinha vontade de abraçá-lo para nunca mais soltar. Era um misto de sensações de endoidecer. Puxou a respiração de dentro do peito.
- Luiz, em algum momento da sua vida você já amou muito alguém?
- Eu não vim aqui para falar de amor com você.
- E por que não comigo?
- Porque você não é mulher pra mim, Raica.
O orgulho da moça desabrochou firme e ferido. Podia agüentar muito, mas aquilo já era demais. Luiz havia tocado brutalmente na parte mais frágil da ferida de Raica. Havia soltado numa só frase todos os seus demônios.
- Saia daqui, Luiz, agora. – Gritou.
- Mas, Raica...
- Não fale comigo, não me dirija a palavra. Vamos, saia. Fique longe. Vá embora, Luiz, agora!
Chorou um dia inteiro. Desligou o celular, a TV, o computador, o mundo. Buscou em si mesma a força para levantar novamente. Voltou a trabalhar. Muito mais, inclusive. Precisava gastar o tempo, ocupar a mente, o corpo. De vez em quando seu celular tocava a música dele de novo. Ela nunca atendia. Deixava cair a ligação. Até que um dia pôde perceber que se não atendesse, não iria nunca parar de sentir aquelas borboletas insuportáveis no seu estômago.
- Alô.
- Alô, Raica? Sou eu, Luiz. Por favor, não desligue. Me deixe falar com você.
- Fale, Luiz.
- Desde aquele dia que sai do seu apartamento, eu não consegui parar de pensar em você. No quanto fui bobo em te dizer aquilo. Você é sim mulher para mim, Raica. Aliás, a única mulher que me completou na vida. Por favor, me perdoe. Me deixe te mostrar cara a cara. Me deixe te fazer sentir.
- Me encontre naquele mesmo lugar.
Desligou. Arrumou-se, foi. Luiz a levou para o mesmo motel que o daquele primeiro de agosto. Não se falaram todo o caminho. Quando fechou a porta, Raica o beijou.
- Raica...
- Shhhi! Não fale nada não. – Puxou o lenço que tinha no pescoço, e amarrou a boca do rapaz. - Hoje eu vou te proporcionar uma noite diferente.
Jogou-o na cama, enquanto beijava-lhe o pescoço. Prendeu-lhe os braços.
- Gosta de algemas, Luiz?
Depois de completamente nus, a moça trabalhou como uma lady. O rapaz suspirava, ardia, suava. Todo o corpo tremia. Enquanto se movimentava rapidamente, prendeu o braço de Luiz em uma das algemas. Ele pareceu vibrar ainda mais com a ação. Com a mão livre, tirou o lenço da boca, e puxou-lhe os cabelos para cochichar algo no ouvido.
- Raica, eu não sei viver sem você.
Com um sorriso atrevido no rosto, controlando todos os movimentos de Luiz, Raica prendeu-lhe o outro braço.
- É mesmo Luiz? – Fechou a algema. – Uma pena...
Levantou-se de supetão, rindo-se. Vestiu-se, acompanhando o olhar assustado do rapaz e a sua tentativa para falar. Não perdeu a oportunidade de pegar o dinheiro sobre o criado mudo, e arremessar nas fuças dele.
- É, você não mentiu. Eu não sou mesmo para você. Sou mulher demais para que você possa pensar em ter. Até nunca mais, Luiz.

A porta se fechou. Raica sentiu-se livre. Não tinha mágoa, nem vontade, nem sequer saudade. Talvez houvesse um pouco daquele dose brutal de paixão. Mas sabia que alguns programas e tempo resolveriam. Raica não havia sido feita para um homem só. Guardava amor demais para ser divido apenas em dois.

A boca vermelha de uma dama louca IV

- Capitu, essa é minha mãe, Estela. Mãe, essa é minha namorada, Capitu.

Rubra, Raica tentou se recompor para cumprimentar Estela.

- Prazer em conhecê-la Capitu. Que nome bonito! E a moça mais ainda. Parabéns, meu filho.
Luiz sorriu.
- Obrigada, dona Estela. O prazer é todo meu.

Verdade que já tinha sido apresentada como namorada trilhões de vezes. Verdade que já tinha estado em festas iguais, ou até melhores que aquela. Mas alguma coisa soava diferente na voz de Luiz, algo lhe fazia se sentir muito bem em meio a tudo aquilo.
Passaram dias vendo-se todas as noites. Raica sabia que aquilo era um risco, entendia que estava brincando com fogo, mas não se importava mais em se queimar. Gostava do luxo que Luiz expirava, gostava daquelas noites, do sexo com ele, gostava dele. Por vezes, dispensava todos os clientes e se guardava para o rapaz. O seu trabalho havia perdido a graça. Um dia, ela parou, a pedido dele, de encontrar-se com outros homens. Dispensava todos, até estacionar na esquina da 25 de março o conhecido carro vermelho. De vez em quando, ela chegava quase a cogitar a idéia de casar-se, mas sabia que um dia esse sonho acabaria. Contou no calendário: Um mês. Lembrou-se de uma citação do filme Doce Novembro: “Um mês é tempo suficiente para não ter nada sério... e para se tornar inesquecível na vida de alguém”. Não era novembro, verdade. Estavam num agosto frio. Sweet August, pensava. Lembrando-se de como todos aqueles dias a haviam marcado.
Arrumou-se mais naquele dia, queria que ele fosse único, e foi, mas talvez não da maneira que desejava. Quando o salto quinze de Raica soou firme na calçada, ela se deparou com algo que desmanchou as suas esperanças. Conhecia aquele carro, aquelas mãos. Conhecia a moça que estava debruçada sobre a janela. Conhecia o sorriso dela de noite boa. Um torpor lhe subiu a cabeça e ela precisou segurar a parede para se apoiar.

- Não, Raica, você não tem porque sentir isso. Ele não é nada seu. Ele não é sequer seu amigo, quem dirá o seu homem. Vamos, mulher, reaja. – Pensava.

Equilibrou o passo e manteve a elegância. Os olhos insistiam em traí-la, molhados. Posicionou-se no seu ponto e observou de longe a moça entrar sorridente e vitoriosa no carro, enquanto o seu coração beirava um infarto e a sua face molhava. Não podia ser assim, ela sabia. Havia sonhado demais, se entregado demais, se esquecido demais. Naquela noite, o cigarro não lhe foi suficiente. Engatou mais programas que o comum, para curar aquela sensação ruim de impotência. Bebeu mais do que podia e acordou pedindo à rego no outro dia. Olhou o celular: 10 ligações perdidas. Luiz. Não retornou. Mas não demorou muito para que ela pudesse ouvir o toque conhecido que era só dele.

sábado, julho 24, 2010

A boca vermelha de uma dama louca III

Luiz estacionou o carro num prédio de luxo, que parecia residencial.
- Espere aqui. – Disse-lhe após estacionar o carro.
Depois de alguns instantes, Luiz já apontava descendo as escadas da recepção. Levava algo nas mãos que Raica tentava identificar com algum esforço. Entrou no carro com rapidez. Parou numa das ruas escuras da cidade.
- Tome, vista-se. Hoje você vai acompanhar-me numa noite diferente.
Era um vestido caro. Raica suspirou ao sentir aquele cheiro bom de grife, mas procurou disfarçar. Mostrar-se interessada por um presente de cliente estava fora de cogitação.Abriu os botões da sua blusa, enquanto Luiz a encarava. Não havia na face da terra homem que não desejasse os seios fartos e a cintura esculpida daquela mulher.
- Acho que podemos nos atrasar um pouco.
O homem surpreendeu-a num beijo longo e ávido. Despiram-se ali no mesmo, em meio ao som do blues que tocava no carro de Luiz. Raica havia perdido as contas de quantos corpos nus haviam tocado o dela, mas nunca havia sentido tamanha vontade de que a noite durasse mais. Os dois colavam de suor, entre beijos, mordidas, arranhões. Sexo selvagem e descuidado. Prazer dilatando os poros.
Luiz sugeriu que voltassem ao seu apartamento, afinal, precisavam urgentemente de um banho. Um só banho mesmo. Dividiram o mesmo chuveiro, entre mais beijos e afins. A essa altura, Raica quase havia esquecido de que estava trabalhando. Lembrava-se só quando o rapaz insistia em chamá-la de Capitu, ou simplesmente de “moça”. Vestiu-se ainda sem saber o que mais aconteceria naquela noite. Desceu as escadas atendendo o chamado de Luiz vindo da sala de jantar.
- O que você sabe sobre etiqueta, Capitu?
Raica não respondeu. Sentou-se a mesa, e agiu conforme todas as regras. O moço não escondeu a surpresa.
- Onde você aprendeu tudo isso?
- Acho que eu não estou aqui para responder perguntas, e você não está aqui para fazê-las, não é?! Vamos nos atrasar mais.
Fria, calculista, independente, era essa a imagem que queria passar, e passou. Era a cena suficiente para ocultar o seu coração aos pulos. Luiz estacionou o carro na garagem de uma mansão que quase marejou os olhos de Raica. Ela estava inegavelmente deslumbrada com tudo aquilo. Notou que uma mulher de idade chamava Luiz com ânimo. Eles achegaram-se.

domingo, julho 18, 2010

A boca vermelha de uma dama louca II.

A moça assustou-se. Podia lembrar sem esforço do codinome que se dera para apresentar-se ao rapaz: Capitu. Dera-se esse nome por conta do livro que havia ganhado do seu pai antes de sair de casa. Adorava o enredo, a sedução da personagem principal da história. Sentia-se Capitu. Dotada de beleza, mil encantos, e também daqueles olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Nunca, em toda o seu tempo de profissão, um cliente havia descoberto o seu nome verdadeiro. Puxou o ar o mais fundo que pode, tentando manter a normalidade:

- Não, não, Capitu. Você deve estar me confundindo.

- Você foi a única mulher de cabelos cacheados ruivos e olhos verdes que entrou no meu carro por esses tempos. E a única que deixou cair a identidade do bolso. - Falou, mostrando a Raica o documento entre os dedos.
A moça bateu a mão na testa como sinal de autoreprovação. Não podia ter deixado aquilo acontecer. Um cliente que descobrisse o seu nome, estaria descobrindo a verdadeira mulher que havia por trás de todos aqueles disfarces noturnos. Disfarçou o desconforto e puxou com rapidez o documento da mão de Luiz.

- Obrigada, Luiz.

- Ora, vejo que não fui só eu quem aprendeu um nome novo por esses tempos.

- Costumo me lembrar dos nomes dos meus clientes recentes. Depois esqueço.

Pronto, era o xeque-mate. Raica havia sido fria, como queria. A frase teve o poder de fazê-la se recompor e voltar a controlar o jogo de descobertas que aquele rapaz impertinente lhe proporcionava.


- Acho que você já fez o que desejava, não é?! Agora com licença, eu preciso trabalhar.

O rapaz hesitou um pouco, e continuou:

- Mas... Capitu! Hum, o nome não é mau. Será que encontrei pelas esquinas de São Paulo uma leitora de clássicos?


Sim, talvez ele houvesse encontrado. Vinda de uma família de intelecto, Raica havia sido iniciada no "caminho da leitura" desde cedo. Quando estava de folga, sempre lia para passar o tempo.

- Não, não. Li esse livro uma vez, por curiosidade, só. Não gosto de ler. - Falou, tentando desempolgar o rapaz, mas não obteve muito sucesso em sua mentira.
- De qualquer forma, Capitu, acompanha-me esta noite?
- Claro, estou aqui para isso mesmo.

A ideia era demonstrar o seu compromisso com o trabalho, mas no fundo, ela começava a pensar que talvez não fosse só isso. Sabia que duas vezes era o limite máximo para atender um cliente. Se tratando de homens como Luiz, uma seria de bom tamanho. Só que algo dentro dela não lhe deixava negar o pedido do rapaz. Algo já começava a fisgar timidamente o seu coração, e ela teria que se livrar disso.

...Continua.

# Meus amores, tá aí a continuação da história da Raica. Desculpem-me a enrolação (não é Tamires?), mas é que esses dias estão meio cheios para mim. Amor e escrita numa Eva só pode pesar um pouquinho! haha. ;)

terça-feira, julho 13, 2010

A boca vermelha de uma dama louca.


"Minha profissão
É suja e vulgar
Quero um pagamento
Para me deitar
E junto com você
Estrangular meu riso
Dê-me seu amor
Dele não preciso."


Era início da madrugada quando Raica adentrou a rua 25 de março, e recostou-se sobre a parede, numa esquina. Acendeu um cigarro e arrumou seus cabelos cacheados vermelhos. Havia começado o serviço um pouco mais tarde naquele dia, e as outras mocinhas estavam felizes, pois sabiam que com ela lá arranjar qualquer homem ficava difícil. Raica era uma ruiva linda, e, diferente das outras, gostava do que fazia. Havia naquela moça uma fome de libido, de gozo, de loucura. Fazia da sua vida uma jogatina, roubava no jogo, enganava os jogadores já viciados pelo seu corpo simétrico. Não se importava, não. Queria mais era que vestissem a roupa e pagassem o seu dinheiro. Limpava o batom, retocava a maquiagem, e estava pronta para a próxima rodada da noite. Constantemente, os seus clientes voltavam. Enchiam-lhe de presentes, pediam-na em casamento, juravam amor eterno. Ela ria-se. Achava engraçado ver todos aqueles rapazes loucos, que nunca seriam mais que a sua garantia de bolso cheio. Se muito lhe irritavam, ela trocava de ponto, de nome, de disfarce. Era Maria, Augusta, Carina. Quase nunca Raica. Raica ela só era para os (poucos) amigos que tinha ganhado com o passar do tempo.

Naquele dia a noite parecia diferente, o movimento estava fraco, ameaçando uma chuva. Raica já tinha fumado o seu quinto ou sexto cigarro. Estava quase indo embora, quando um carro vermelho parou a sua frente. O homem não falou, apenas olhou-a, como forma de perguntar se estava em serviço. Ela balançou a cabeça afirmativamente, e ele abriu a porta do carro para que ela entrasse. O moço, ela notou que se chamava Luiz, quando disse seu nome para um quarto num daqueles motéis de requinte, exatamente como Raica adorava. Ela fez o seu papel, foi paga, e deu por encerrada a noite de trabalho.

Os dias continuaram chuvosos, e ela decidiu dar-se umas férias. Não suportava trabalhar com chuva. Passou uma semana de pernas para o ar, mas depois acabou desistindo de esperar o tempo chuvoso passar, antes que o bolso começasse a dar sinais de que esvaziaria. Antes que pudesse se aquietar no seu ponto, uma das suas colegas lhe acenou.


- Raica, um homem veio aqui todos esses dias procurando por você.
- Todos os dias homens procuram por mim. - Brincou.
- Mas esse parecia estar muito interessado, deixou até o cartão.
- Ah... Eu gostava tanto desse ponto! - Falou, já premeditando uma fuga.


Olhou o cartão e viu impresso nome dele: Luiz Durans. Fez algum esforço para lembrar-se quem era e depois despertou. Não se esqueceria nunca do cheiro de luxo que aquele lugar tinha, dos lençóis azuis que faziam conjunto com o belo par de olhos do rapaz. Amassou o cartão, jogou-o fora. Não tinha o costume de ligar para clientes, nem de atendê-los muitas vezes. Era uma romântica nata, e apegava-se fácil fácil. O céu desabava sobre a sua cabeça, a maquiagem derretia pela sua face, quando estacionou novamente na esquina o carro vermelho que ela lembrava de cor. O vidro baixou, e os olhos azuis do rapaz pousaram novamente sobre os seus olhos verdes.

- Raica, não é? - Disse Luiz com um sorriso atrevido no rosto.
... Continua.

# Há tempos não publico um conto aqui, não é? Depois do La Noche, estou começando A boca vermelha de uma dama louca, espero que gostem. :)


A boca vermelha de uma dama louca II.
A boca vermelha de uma dama louca III.
A boca vermelha de uma dama louca IV.
A boca vermelha de uma dama louca V

segunda-feira, julho 12, 2010

Reblog.

Eu tenho (x) e ajo como (quantidade de afirmações que marcou)

[X] Você sabe como fazer café
[X] Você acompanha as datas usando o calendário
[ ] Você tem um cartão de crédito / débito
[ ] Você sabe como mudar o óleo em um carro
[] Você já fez a sua própria roupa
[X] Você pode votar em uma eleição
[X] Você pode cozinhar para si mesmo
[X] Você acha que a política é interessante
+ 5

[X] Você chega na escola tarde
[X] Você sempre leva uma caneta / lápis na sua bolsa / bolso
[X] Você nunca foi detento
[X] Você esqueceu seu próprio aniversário
[X] Você gosta de passear sozinho
[X] Você sabe o que significa credibilidade, sem olhar para cima
[X] Você bebe cafeína pelo menos uma vez por semana
+ 7

[X] Você sabe como lavar os pratos
[X] Você pode contar até 10 em outro idioma
[X] Quando você diz que vai fazer algo, faz
[X] Você pode cortar a grama
[ ] Você estuda, mesmo quando você não tem que estudar
[ ] Você tem um carro limpo antes
+ 4

[ ] Você pode significar experiência, sem olhar para cima ?
[ ] O povo do Starbucks conhece você por nome
[X] O seu tipo favorito de comida é a de fora
[X] Você pode ir à loja sem ter algo que você necessite
[X] Você entende piadas políticas a primeira vez que são ditas
[X] Você pode digitar muito rápido
+ 4

[ ] Seus amigos são apenas a partir do seu local de trabalho
[ ] Você foi a uma festa Tupperware
[ ] Você percebeu que quase ninguém levará a sério a menos que você tenha mais que 25 e tenha um emprego
[ ] Você tem mais contas do que você pode pagar
[X] Você vai à praia
[X] Você usa a internet todos os dias
[ ] Você já foi para fora de seu país três ou mais vezes
[X] Você faz a sua cama na manhã
+ 3

TOTAL: 23


- Eu tenho 16 anos, e ajo como alguém de ... 23? :O

sábado, julho 10, 2010

Não entendo o terrorismo...

...Falávamos de amizade.

"Am I so insignificant?"

Às vezes a gente nutre pelas pessoas sentimentos que não são recíprocos. Quando é um amor amante, ainda que eu não aceite, entendo. Mas se tratando de um carinho amigo, me dói. Sim, eu estou machucada. Não foi um acontecimento, foram muitos, e ultimamente, seguidas vezes. Como num jogo de cartas onde eu nunca fui o Coringa. Os cenários se invertem e eu apareço sempre de Bobo da Corte desses milhares de castelos superpovoados, sem espaço para graças, mimos e preocupações de um funcionário descartável. Descartar, descartar, descartar. Todos os meus calafrios rondam essa palavra dura. Talvez eu precise mesmo mudar. Talvez eu esteja exagerando nos meus dramas. Talvez eu tenha aprendido a amar demais, a me importar demais, a querer demais. Mania escorpiana de sentimento à flor da pele, coração acelerado, loucura extrema. Mania que tem me feito desejar mil vezes estar mais longe de mim.


"Shards of me too sharp to put back together
Too small to matter, but big enough to cut me in to
And I bleed..."

terça-feira, julho 06, 2010

Between jealousy and madness.


"Meu bem, meu bem, meu bem
Ouça o mau tom do alheio
(...)
A inveja é a vontade de ter o que não é seu
O ciúme é o medo
De tomarem o que é meu
Não nos sirva a ninguém
Dê à ingenuidade adeus
Muitos querem se vestir
Do que não lhes fica bem
Sempre imitando o alheio
Maledicenciando em vão."

Ela devia estar meio louca. Não sabia, não sabia o que era. Talvez fossem os seus demônios que, acabara de descobrir, também existem. Se perdia ali confabulando acontecimentos, criando mil histórias na sua cabeça desvairada. Quem sabe também não fosse um pouco doente, quem sabe seus olhos não a tivessem enganado e visto a pele dele rubra, os lençóis desarrumados, e o sorriso dela vitorioso lhe fazendo arder de raiva. Mais um pouco e as faíscas que tomavam o seu olhar queimariam por completo aqueles cabelos negros que quis arrancar um a um. Ainda mais depois de ouvir dos lábios dele toda a admiração notável e cega que nutre pela outra, depois de vê-la roubar o seu tempo com tanta sutileza que até teria acreditado nas boas intenções dela, se não fosse a vítima. Pedia, pedia sempre, suplicava, que ele não expusesse assim aos outros os sussurros debaixo dos lençóis à meia luz. Tempo perdido, sabia. A outra tomaria o seu tempo, os seus beijos, as suas tardes, sem que ele pudesse notar. Ela morria de medo. Ele era ingênuo. A outra, uma réplica perfeita da serpente do Jardim do Éden. Que dessa vez seduzia a Adão, para que Eva sentisse o seu exército morrer em pleno campo de guerra, enquanto Adão se punha a adentrar outro país. "Loucura!", pensava. E ali louca, ali quieta, ali chorosa, ali perdida, buscava a passagem para o término de toda aquela incontestável crise de ciúmes.

"O peixe é pro fundo das redes
Segredo, pra quatro paredes
Não deixe que males pequeninos
Venham transformar o nosso destino."

domingo, julho 04, 2010

Disritmia.

Eu tremia, enlouquecia, desesperava. Há coisas que realmente nos transportam para outros lugares. Mania minha de sentir tudo a mais. Só sei que tremia como se habitasse um dos pólos, enlouquecia como um paciente de qualquer um desses hospícios para casos críticos. Recompus a respiração e reeduquei a minha desritmia, debrucei-me sobre o parapeito da janela para me mudar o foco, não molhar as lentes. Fiquei quieta para que sanasse aquela sensação insuportável.
Passou. Tudo, um dia passa.

sábado, julho 03, 2010

59 coisas para fazer antes do 20.

1- Fazer uma tatuagem
2 - Colocar um piercing
3 - Beijar o(a) melhor amigo(a)
4 - Se declarar pra alguém
5 - Correr de bikini/sunga pelo quarteirão de madrugada
6 - Ir pra porrada com alguem
7 - Ficar muito bêbado a ponto de não lembrar nada no dia seguinte
8 - Andar de caminhao de lixo
9 - Pegar carona com desconhecidos
10 - Invadir alguma casa com piscina e tomar banho
11 - Tomar banho no caminhão pipa
12 - Nadar nu
13 - Viajar com os amigos
14 - Sair escondido de casa
15 - Pintar o cabelo
16 - Fingir que fala outro idioma em algum lugar
17 - Pular de pára-quedas
18 - Ir em uma rave
19 - Ficar com um menino(a) muito feio(a)
20 - Subir em um palco e dançar loucamente
21 - Entrar de penetra em alguma festa
22 - Ir pra escola bêbado
23 - Dormir na rua
24 - Tomar banho de chuva no inverno
25 - Se apaixonar
26 - Ser expulso da escola
27 - Ir pra um jogo de futebol e ficar na torcida errada com sua camisa do time oposto
28 - Roubar o carro dos pais
29 - Pichar o muro de algum lugar
30 - Beber uma garrafa de tequila
31 - Matar aula pra ir no buteco
32 - Sair sem calcinha (cueca)
33 - Ir a praia de nudismo
34 - Usar a melhor roupa pra ir ao mercado
35 - Sair com o(a) melhor amigo(a) do(a) seu(ua) ex
36 - Chorar vendo um desenho
37 - Ir parar na delegacia
38 - Aprender a tocar algum instrumento
39 - Ter um diário secreto
40 - Beijar um passante
41 - Ir numa boate gay
42 - Conversar com seu animal de estimação
43 - Encontrar um ídolo
44 - Compor uma música
45 - Plantar uma árvore
46 - Viajar sozinho
46 - Escrever um livro
47 - Comprar cinco sapatos em um único dia
48 - Ir em uma vidente
49 - Correr pelada(o)
50 - Ter uma coleção inútil
51 - Mandar um professor chato ir a merda
52 - Perguntar para um estranho como vai a familia
53 - Responder um ‘Oi’ que não foi pra você
54 - Ficar bebada e tirar foto com uma galera que você não conhece
55 - Escrever em um papel, ‘chute-me’ e colar nas costas de alguem
56 - Pedir 10 pizzas, com o endereço de alguem, sem que ela saiba, e fazer ela pagar tudo
57- Enxer a cara e fazer 10 amizades novas
58 - Botar laser na cara dos outros, escondido
59 - Avacalhar uma prova.

- é, parece que não estou tão mal assim!


# Leitores meus, perdoem-me o abandono. Sei que ando ausente, mas é que esse recesso Junino foi um agito so! Não tive tempo para nada. Prometo que a partir de segunda volto a ativa.

segunda-feira, junho 28, 2010

A outra menina de Plutão.

Não me sinto invadida, de maneira alguma. Quero, na verdade, conhecer a opinião de quem supostamente me invadiu. "Eu sinto Eva Cidrack", ela disse. Se ela sente e admira, não repudia. Então, outra menina de Plutão, fique mais. Experimente e mastigue as minhas letras. Seja bem-vinda a mim.


# Esse textinho foi escrito para Tamires Amorim no ano passado, quando descobri que ela lia o blog quando ele ainda era muito íntimo e quase impublicável. Li novamente hoje e senti a necessidade de divulga-lo.
# Vou aproveitar o post para divulgar a comunidade do Parte Exilada de Mim no orkut, feita exatamente por ela e pela Rosângela Pimentel. (clique aqui para ver a comunidade)
# Ah, aproveitando a deixa, quero divulgar também o meu perfil de moderação de comunidades, que andava meio adormecido. (clique aqui para ver o perfil)

:*

domingo, junho 27, 2010

Você,










Que concluiu dia desses que a Bailarina é de gesso e quebra fácil,
por favor, não quebre-a por esse seu humor de chumbo.

quarta-feira, junho 23, 2010

Como não pensar em você?

"Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?" {Caio F. Abreu}
(sim, é um texto antigo.)


Eu poderia contar milhares de defeitos em você, milhares. Poderia fazer com eles um livro. E o estranho é que eu te amaria da mesma forma: Intensamente. Você me disse que eu não tenho se quer cinco defeitos, mas não me ama. Numa escala, posso dizer que você foi quem me deu menos carinho em toda essa minha caminhada, mas eu te adoro. Enquanto a sua boca me confessou dia desses que de todos os seus amigos, amores, parentes, eu fui a pessoa mais carinhosa que você já teve, mas você não me quer. Não é estranho que conheçamos tão bem um ao outro e que você me faça estar num podium que se assemelha a perfeição, e eu te veja tão imperfeito? Não é estranho que seja eu quem morre de amores por você? Tenho odiado com todas as minhas forças tudo, tudo isso. Sabe, dia desses eu estava falando com uma amiga sobre a menininha que eu acho linda e estuda numa das salas de baixo. Brinquei: "Quero que minha filha seja exatamente assim", ela achou a menina ridícula, mas me surpreendeu quando disse que mais alguém tinha achado-a linda e que também torcia para ter uma filha assim. Esse alguém era você. Lembra de quando você ficou muitos dias sem aparecer? Antes que pudesse voltar, eu senti que você viria. E o pior é que minha mãe não para de falar o teu nome, e lhe atribuir milhares de qualidades. Seu pai até parou a motocicleta hoje só para perguntar como eu estava e me chamar de "menininha". Por que é que essas coincidências existem? Por que você me é tanto se eu lhe sou nada? E por que é que você não pode ser meu amigo sem acrescentos, sem anormalidades? Não custaria nada se essa força louca deixasse de agir e tentar me mostrar essas impossibilidades de maneira tão possível. Não custaria nada a lua não estar tão linda e não me lembrar você.

Eu queria tanto mudar sua vida...♫

terça-feira, junho 22, 2010

Vai com os anjos, vai em paz.




"É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora cedo demais
(...)
Vai com os anjos, vai em paz.
(...)
Eu sei
Que você está bem agora.
(...)


Do resto não sei dizer"






E não existe coisa mais brutal e verdadeira do que a morte nos invadindo os poros num dia comum. É inacreditável, até que passam os dias e a gente nota que tudo aconteceu e não se pode voltar atrás. Mais que saudade, vem o medo. A vida é algo realmente raro. O mais é indizível em palavras fáceis e intransponíveis.

-

Ainda que seja difícil para todos nós acreditar, sabemos que você está num lugar bom, porque merece estar.
Jonas, descanse em paz.
Por ser amor, invade, e fim.

domingo, junho 20, 2010

She wanted.


O que ela queria mesmo era bater naquela porta e encontrar um homem inteiro. Um homem sem medo de arriscar e ser feliz. Um homem que (olha só que coisa!) como ela, não tivesse medo de violar o horário de volta pra casa. Um homem independente das outras pessoas. Um homem que lhe fizesse se apaixonar novamente todos os dias. Um homem que pudesse ler nos seus olhos as suas inquietações. Um homem com quem ela fizesse amor até amanhecer. Um homem que não se gabasse por ele, mas por ela. Um homem que lhe tirasse o ar num olhar. Um homem que não lhe desapontasse seguidas vezes. Um homem que quisesse tê-la por mais alguns minutos. Um homem que fosse meio bossa nova e rock'n roll. Um homem que a amasse como ela o amava. O homem que ele já não é mais.

quinta-feira, junho 17, 2010

Saudade.


"Eu hoje tive um pesadelo
E acordei atento
(...)
O passado me traz uma lembrança
Do tempo em que eu era criança."



Hoje foi um dia no mínimo complicado. Eu ouvi de algumas pessoas que eu parecia triste, perguntaram-me milhares de coisas. Não sei o que houve comigo, mas sei que acordei nostalgica. E a minha nostalgia não pedia beijos quentes, nem grandes amores. Minha nostalgia pediu felicidade. Pediu que eu ainda fosse a menininha que pedia pra dormir na cama da mãe e do padrasto. Pediu aquela vontade de querer tomar sorvete gripada, de andar de moto, de tirar notas altas. Veio a saudade de quando pedir um abraço não era demais, não era carência, não era bobagem. Saudade de não sentir medos de perder grandes amigos. Ah, tudo acordou doendo por demais. Quero voltar no tempo! Quero ter uma das mulheres mais fortes que conheci do meu lado novamente. Me pergunto porque a vida leva as pessoas assim, sem piedade. Me controlo para não colocar a culpa nessa tal "força divina", e me pego aqui pensando em deixar a saudade de lado. Tentando esquecer as lembranças e os pesares todos. Tentando pensar em não pensar.

Pró, eu sinto sua falta.

terça-feira, junho 15, 2010

O rapaz do ônibus.


Era sábado. Chovia como eu nunca havia visto em Salvador, e em meus olhos. Peguei o ônibus das sete pedindo que ele não viesse lotado, e graças aos deuses, não veio. Sentei olhando as árvores no caminho, procurando me distrair. No outro ponto, vi subir um moço de vinte e poucos anos. All star vermelho e calça surrada, encharcada pela chuva. Apontou para o lugar vago ao meu lado, como que perguntando se podia se sentar, eu balancei a cabeça de maneira afirmativa. Voltei a me concentrar nas imagens que se passavam lá fora, embaçadas pelo frio daquela noite. O rapaz discou alguns números no celular e esperou.

- Marina, você sabe o quanto eu lhe esperei naquele café? -

A garota falava coisas que eu não podia ouvir do outro lado, mas podia imaginar. Já havia assistido essa história outras vezes, com outros personagens.

- Você sabe, Marina, sabe que eu arrisco o mundo inteiro para te ver, que eu faço mil sacrifícios só pra poder olhar para você e me sentir completo.
- Eu te amo, Henrique. - Pude ouvir a fala da moça, que parecia gritar.
- Não diga que me ama, por favor. Prove, Marina, prove esse amor.

O moço (que atendia pelo nome de Henrique, como eu havia descoberto) suspirou rápido. Daqueles suspiros que seguram a lágrima prestes a escorregar pela face. No fundo, eu me sentia igual aquele rapaz de tênis surrado. Ele, como eu, era dessa gente intensa, sensível. Gente que promete apenas algumas estrelas, mas costuma dar o céu. Henrique pôs fones no ouvido, fones que estavam altos como a voz da moça. Ele ouvia Eu te amo, do Chico. Foi aí então que pude me ler em meio aquela música, e as falas daquele menino que ainda povoavam a minha cabeça. Ele puxou o cordão para pedir o ponto, e se foi. Eu desceria no próximo. Seria a minha vez de cuidar dos meus sacrifícios e dores.