quarta-feira, janeiro 20, 2010

A última dose.


"Ah, se fosse só aquele cafuné pra você querer ficar..." 

Eu te entreguei de mão beijada pra aquela moça. Te entreguei porque não existia mais "nós", porque não podia e não precisava existir.  Eu marquei um encontro a três e quis que você sentisse as mãos dela, o beijo dela, ela. Eu engoli a seco o meu ciúme quando aquele nome saiu da sua boca. Ah, a sua boca. Há dias ela havia tocado a minha, o meu ventre, os meus seios, os meus pés. Há dias você havia me dito "eu te quis naquele dia como não havia querido ninguém". Então por que diabos eu estava sentada a sua frente enquanto você conversava com ela? Por que diabos eu queria te perder? Porque era demais. Porque é demais. Esse meu transbordar de sentimentos não te seria saudável. Nós não fomos feitos pra durar, baby. Mas hoje, só hoje, você pode colocar a sua cabeça no meu colo como naquele dia? Hoje, só hoje, você pode me abraçar forte e dizer "fica comigo" novamente? E você põe aquela nossa música pra tocar de novo? Você me põe fora de órbita? Só hoje. Amanhã o sonho se desfaz. Fica. Fica só o tempo de mais uma dose de você. 


"Vem, que eu te faço um cafuné aqui embaixo do edredom. 
Não vai dizer que cê não quer..." 

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