sábado, janeiro 30, 2010

Inerte

Hoje acordei querendo sentir saudades, talvez porque assim algo de bom pudesse se configurar na minha lembrança e deixasse o presente mais ameno, menos ferido. Mas a quem eu queria enganar? Nunca houve passado capaz de substituir esse vazio aqui. Esse em especial, que não é amante, que não é materno, e (por incrível que pareça) também não é paterno. Era de praxe perguntar sobre qualquer evento, qualquer lugar onde, ainda que desfocada, eu estaria presente. Era clichê se utilizar da conveniência... Ou não. Acho que todos esses momentos se resumiram numa só sensação quando abri os olhos, e meu peito apertou, junto com a minha gastrite nervosa. Sim, eram mesmo os meus nervos que estavam à flor da pele, mas não, eu não iria gritar, ou mesmo falar do que me incomoda. Eu permaneceria calada, como sempre, como o vento passando de leve nos cabelos, sem mudança alguma em ninguém. Queria ser uma ventania, como a que tenho aqui dentro. Uma ventania, um furação, um vulcão. Mas tudo isso está fora de atividade a exatos 16 anos e 47 dias. Minto! Um dia, há anos atrás, eles causaram uma catástrofe dentro e fora de mim. Um onze de setembro inesquecível. Não pelo ataque as torres gêmeas, mas pelo meu ataque a mim mesma. Não desejo atacar-me de novo, calma. Seria infantil e insensato da minha parte, novamente. É por isso que sigo assim, meio introspectiva, meio estranha, meio repelente, mas não é por vontade não, viu?! Acredite, mudaria se pudesse ser diferente. Não posso. Faz parte de mim essa armadura que criei para sangrar menos, para ser-me menos patética e sensível, e mesmo assim, ainda me dôo de vez em quando, como no frio dos dias de chuva como o de hoje, em que tudo que se quer é alguém para abraçar. Se não tem abraço, compro um agasalho e me sento para assistir qualquer clichê televisivo. É a vida, não é? Se vai mudar? Não sei. E quer saber? Já tanto faz.

2 comentários:

téka ~ disse...

As armaduras só duram até esses dias chuvosos, infelizmente.

:*

Milla disse...

queria eu poder conseguir manter uma armadura que resista mais tempo do que todas as outras. por mais que tente, eu sempre deixo ela quebrar em mil pedaços :/

gostei muito do texto e do blog :)

beijos