quarta-feira, janeiro 06, 2010

Teu rastro pólen.

Hoje você me tomou, de novo. Mas os goles de hoje foram lentos. Quando vi o meu corpo tocar o seu, senti que não haveria outra noite como aquela, não por agora. Então eu dedilhei o teu corpo como um violão, e o som fez bem demais aos meus ouvidos. Eu quis não ouvir que o nosso amor não tem futuro, quis não lembrar. E naquela noite, naquele dia, eu consegui. Você não me doeu por um instante se quer. Cheguei ao ápice de todas aquelas emoções e me pareceu o paraíso, e ele era castanho como os teus olhos. Não era azul, nem se quer verde, e me refletia, também castanha, em êxtase. Beijou-me os seios, suspirou. E eu mencionei que havia chegado a minha hora, quando na verdade, eu até passara dela. Então você me cochichou: É perigoso despertar as pessoas dos seus sonhos. Senti uma pontinha de culpa. Não quis te acordar, não quis me acordar daquele sonho. Do nosso sonho. Quis passar lá o resto do dia, o resto de todos os meus dias. Mas o meu relógio despertou novamente e o mundo invadiu os meus poros num segundo. Precisava falar-te que o tempo já não nos é amigo, e que castanho é cor de tempestade. Dessa vez, nem ela se mostrou. Choveu de leve, apenas. E ao levantar deixei meu corpo molhar, entre lágrimas e saliva, entre chuva e breu. Quis escrever, mas me parece que pra você nunca consigo escrever o que quero, as palavras se tornam insuficientes e se perdem no meio do meu coração aos pulos. Deixo que a chuva molhe ainda mais um pouco o meu rosto, e percebo que as gotas nunca me vieram tão salgadas! Noto então que percorrendo os meus lábios há o resumo de todo o sentimento. E não é preciso dizer nada além de que seremos, sim! Não mais hoje, mas um dia, em que te direi: Hoje fico, e não me vou. Hoje fico para sempre.

Um comentário:

Pâmela Marques. disse...

Deu um aperto enorme dentro do peito. Isso sim.
Me li aqui e doeu. Profundamente.