sábado, fevereiro 27, 2010

[Des]amando por postal. (amorosamente falando.)

Querido B.

Hoje, alguém me perguntou sobre uma frase escrita numa das suas blusas, e eu notei que ainda sabia a frase de cor, e a tradução dela. Notei que sabia o modelo, e todos os detalhes da blusa. Então pude perceber que ainda conheço cada linha do seu corpo. Tenho ainda a sua imagem cravada na minha retina, e ver isso com tanta nitidez me assustou um pouco. Por incrível que pareça, justamente hoje, alguém repetiu do meu lado uma frase que você sempre usa, e na minha cabeça se firmou a sua imagem falando-a. Hoje, alguém me disse que você estava apaixonado, e devo admitir que meu sorriso amarelou um pouco, mas não chorei. Não mais. Ela te abraçou na minha frente, e como que por programação, voltei o rosto para vocês dois. Mas não senti como se me roubassem algo, nem se quer uma fisgada de ciúmes no peito. Quando não temos nada, não há o que perder. Sua voz ainda soa linda, mas não arrepio. Já o seu sorriso me arrepia de maneira incontrolável. Acho que paixão é assim, sabe?! Um dia eu vou acordar e ao identificar o seu rosto no meio do nosso grupo de amigos na foto em cima do meu criado mudo, não sentirei nada além de um carinho fraterno. Ainda que não seja, tem que ser assim. Estou batalhando para me tornar adepta ao conformismo, e nada mais gratificante que notar que a falta que você me faz é cada vez menor. Espero que um dia você acorde por alguém que tenha te proporcionado algo melhor que o mundo que um dia eu te prometi, e que daria. Espero que ninguém nunca mencione o apelido que eu costumava te dar, e te faça lembrar de mim. Espero que alguém te dê colo, carinho e abraço na mesma proporção que eu. Espero que a sua vida seja completamente feliz sem mim.

P.s: Mando seu casaco por Hélia no sábado. (Ótima escolha, B., Ótima escolha.)
Um abraço amigo,
O. C.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Devolve-me.

- Posso fazer-te uma pergunta?
- Mas é claro!
- Por onde anda a parte do meu coração que te dei, quando pedira?
- Está ainda aqui, guardada.
- Posso agora, pedir-te uma coisa?
- Sim, sim.
- Devolve-me.
- Mas por quê?
- Porque já não aguento mais viver com esse buraco no peito com as tuas medidas. Tu não o preenche, e sinto dor.
- Prometo-lhe curar a dor, com o meu ombro amigo.
- Junto com a parte do meu coração, dei-te amor-amante. Ainda que me desses o teu amor-amigo, ele sofreria por um vácuo sem tamanho. Então, por favor, devolve-me.

sábado, fevereiro 20, 2010

La nocheIII [Final]

Helena dormia no peito de Henrique quando o celular da moça tocou. Eram pouco mais que três horas da manhã, o que instigou a curiosidade do rapaz, e logo de início, uma pontinha de ciúmes. Quem ligava para Helena às três da manhã?! Para a SUA Helena? Deixou que tocasse, não queria invadir a vida dela dessa maneira, achava que nunca havia tido quilate pra isso. Se a própria Helena não tivesse tomado uma atitude, talvez eles nunca houvessem trocado aquelas palavras lindas. Lembrou-se do dia no jardim, em plena chuva, quando a garota lhe disse que poderia dar-lhe o mundo... E deu! Helena sim, tinha quilate, pose, e atitude para dar a cara à tapa por aquele amor. Ele não, nunca haveria de ser suficiente para aquela menina, não na sua mente cheia de complexos e limitações. Mal sabia ele que era o sonho mais almejado, a paixão mais ansiada por Helena. O telefone tocou novamente, e dessa vez, a moça moveu a cabeça, querendo acordar, mas nem se quer abriu os olhos. Só afastou a cabeça do colo do rapaz, e apoiando-a numa das almofadas. Agora a mão de Henrique estava livre para atender, mas não o fez. Apenas olhou para a menina maravilhosa que dormia do seu lado e pediu que aquilo nunca terminasse. Aquela menininha frágil de olhos penetrantes era muito mais do que ele imaginava, e ele sabia que aquela noite ficaria marcada para sempre, ainda que houvessem muitas outras depois dela. Foi como se tudo acontecesse pela primeira vez, mas sem medos e dúvidas, com vontade, verdade, com perfeição. Sim, ela era perfeita. O celular vibrou e anunciou uma mensagem de voz, e o rapaz decidiu ouvi-la. Que problema poderia haver? Eles eram um só agora, não haveria segredo que mudasse isso.

- Helena, preciso de você, meu amor. Venha me ver, por favor, não vá embora. O seu cheiro ainda está aqui. Seu vestido permanece guardado no meu guarda-roupas, junto que aquele par de sapatos que você adora. Eu te amo, eu te quero. Venha, e prometa que ficará comigo para sempre.

Atônito, Henrique desligou o celular. Havia reconhecido a voz do amigo sem esforço: Carlos, o ex-namorado de Helena. Rapaz por quem a moça jurou amores por mais de dois anos. Sabia que eles ainda se encontravam de vez em quando, mas nunca que tudo ainda permanecia daquele jeito. Henrique vacilou. Todos os medos do mundo pareceram se instalar ali dentro, seu coração doía e pulsava forte. Ele tinha as mãos quentes e úmidas. Procurou um papel e uma caneta. Suas mãos tremiam quando ele escreveu em garranchos: Carlos te deixou uma mensagem de voz. Deixou o papel do lado de Helena e vestiu-se. Desceu as escadas como um raio e sumiu. Saiu ainda lembrando dos traços da garota, da noite, do libido, tinha ainda na cabeça a idéia de que talvez ela fosse mesmo perfeita. Perfeita demais para ele.


La noche I - http://parteexiladademim.blogspot.com/2010/02/la-noche.html

La noche II - http://parteexiladademim.blogspot.com/2010/02/la-nocheii.html

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

La nocheII

Em meio ao choro, nem notou que a porta havia ficado aberta. Também, quem haveria de querer ajudar a menina bêbada, sonhadora e submissa? Passavam mil loucuras pela sua cabeça em milésimos de segundo, os lábios dormentes não menos desejosos que quando em estado normal, se punham a cantar a música que soava no barzinho que ficava no térreo. A música parou. Helena achou que seria um intervalo, ou o fim do showzinho voz e violão. De qualquer forma, alguma música deveria tocar um pouco mais baixa, pra amenizar aquele silêncio perturbador, mas quando começou, Helena se deu conta de ainda havia silêncio no apartamento. Talvez fosse aquele nó no peito, aquela sensação ruim de que perdera algo que nem se quer tinha. Levantou ainda cambaleando para procurar um fundo musical, passou o olhar nos cds da estante de Cláudia e mesmo com a cabeça girando pôde notar o bom gosto da nova amiga. Escolheu um cd da primeira dama da França, francês era a língua chave dos seus desesperos, desvarios, devaneios e tudo mais que ela pudesse imaginar. Lavou o rosto enquanto cantarolava "C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore, serais ce possible alors?", talvez fosse possível, sim. Mas naquela noite ela já não teria a chance de saber. Quando voltava para o quarto, notou passos na escada, mas sabia que às duas da manhã ninguém iria voltar para casa, a não ser alguém tão tonto (em todos os sentidos) quanto ela. Notou que a porta estava aberta e caminhou para fecha-la, mas antes que pudesse, ela se abriu. Foi aí que as pernas de Helena tremerem, o coração quase saiu pela boca e o corpo todo explodiu numa onda de prazer inexplicável: Era ele.
- Helena, o que aconteceu? Achei que você havia subido para usar o banheiro, mas você não voltou.
- Acho que exagerei um pouco na bebida.
- De novo? Mas você não toma jeito, hein menina?!
- Você veio aqui pra brigar comigo, foi isso?!
- Não.
- Então pra que veio?
- Para concretizar o que sonhei para essa noite.

Henrique enlaçou os dedos nos cabelo de Helena, e beijou-lhe com desejo de quem espera séculos para concretizar um sonho. Tocava "Tu es ma came" quando o rapaz e a moça deitaram-se sobre as almofadas da sala, e trocaram todas as juras, todos os votos de amor que haviam balbuciado muitas vezes enquanto dormiam, ou enquanto sonhavam mesmo acordados. Henrique debruçou-se sobre o corpo de Helena, descobrindo-lhe. Era uma descoberta maravilhosa. Ela apenas suspirava. Um suspiro bom, ora fraquinho, ora ofegante. E cochichava no ouvido de Henrique "Tu es ma came, ma came", levando o rapaz à loucura e deixando ainda mais apaixonado por ela.

***

Continua no próximo post.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Deve ser tudo uma questão de auto-estima.

Deve ser tudo uma questão de espelho, de carnes fartas. Tudo uma questão de auto-estima. Ou rivalidade feminina mesmo, ou dor de cotovelo, ou ciúmes. Medo de perder o podium, entende? Porque convenhamos que perdê-lo não é difícil. Auto-estima em baixa, anuncio. Não, hoje não tem conto de Helena. Não tem "La noche" nenhuma. Porque o astral da autora resolveu pedir à rego e o espelho se tornou perturbador, e rente aos seus olhos parecia destacar-se da parede e vir cortá-la, pedaço por pedaço. Não que aquilo fosse algo muito grande para a sua vida, mas era questão de auto-estima, repetia. Era só o lugar no podium diminuindo, gente abrindo os olhos. Não é por sentimento não, não pense. Não tem amor nenhum nessa história, é só um reflexo dasagradável. Que não adianta achar que vai mudar, porque dessa vez, não vai. Não vai passar.

(Não é necessário entender.
Desculpas mil a quem pediu
para postar o "La noche"
hoje. :/)

domingo, fevereiro 07, 2010

La noche

O dia havia acordado mais bonito para Helena. Homessa! É claro que havia, era um dos dias mais excitantes de toda a sua vida. Acordou com borboletas no estômago e no parapeito da janela. Olhou para Flávia e disse:
- Não está um dia lindo?
- Dia lindo? Mas tá ameaçando cair uma chuva daquelas!
- Então será um lindo dia de chuva!
A colega de quarto não entendeu, também, nem deveria. A alegria de Helena era só dela, era algo que mais ninguém no mundo poderia compreender. Não... Talvez houvesse alguém. Um único alguém no mundo que a essa hora também devia ter milhares daqueles bichinhos perambulando no seu estômago: Ele.
Tomou um banho longo e se arrumou para sair. Passaria o dia na casa de um amigo em comum dos dois, aliás, o dia e a noite! E a cabeça sonhadora de Helena já havia confabulado mil e um planos para a noite maravilhosa que sonhara. Um barzinho, era o programa do grupo. A voz soava no meio do salão, enquanto entre goles e goles de cerveja, os jovens trocavam os olhares mais loucos. Era tudo como um sonho, estava finalmente acontecendo outra vez. E ela sabia que outra vez ele a tomaria nos braços, como naquele dia em que ela lhe pediu que ele a levasse ao paraíso. Um torpor subiu pelo cérebro de Helena e ela vacilou por um instante: A bebida havia pesado.
- Está tudo bem, Helena?
- Cláudia, me empresta a chave do seu apê? Preciso subir, não tô nada bem.
- Claro, mas não quer que eu suba para ajudar?
- Não, não, me viro bem sozinha. Podeixá!
Subiu as escadas cambaleando, se sentindo uma boba. "Inventar de beber demais justo hoje, Helena? No grande dia?", pensava, indignada consigo mesma. Tirou o all star e se jogou na primeira cama que encontrou. A cabeça girava e a menina chorava compulsivamente.

***

Curtiu o conto? Então, as próximas partes serão divulgadas nos próximos posts! Notei que os contos estavam ficando muito grandes pra um post só e resolvi atiçar a curiosidade dos meus leitores um pouquinho também. Querem saber o que vai acontecer com Helena? Continuem visitando e saberão.
Beijo e ótimo domingo. :)

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Poeminha

-

E eu fico me perguntando o porque
De eu me ver tão distante de você
Quando me dizes que sou tão perto
Quando sou teu destino certo

Cada momento em vão me passa
Quando simplesmente abraça
Qualquer dos amigos meus
Que por me serem, são tão seus

Esqueço de tudo, em meio a aurora
E peço-te apenas que vá embora
Pois as dúvidas já me tomam o juízo
Cabe-me agora reparar o prejuízo

Dos desvarios que me incendeiam
Dos sonhos que me tonteiam
Do desejo que me aperta a roupa
Dessa nossa sintonia louca

Então, à meu pedido, vais
Crente de que não te quero mais
E é nessas horas que entendo o porque
De eu me ver tão distante de você

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Mágoa I

- Guarda rancor?
- Rancor, não. Rancor é uma palavra feia, um sentimento feio. Talvez eu guarde mágoa, mas não porque eu quero, ou por ser algo muito grande, mas sabe quando você para pra pensar em alguém e dá aquele aperto no peito e você se lembra daqueela situação? Então, isso é mágoa. E é um daqueles sentimentos impossíveis de controlar, mas que só apontam vezenquando.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Um dia você acorda...

Um dia você acorda e decide que não vai mais ligar. Decide que simplesmente não quer ouvir a voz dele te dizendo milhões de besteiras, ainda que no fundo você ache o máximo aquele jeito que ele tem de fazer brincadeiras tolas com tudo. Um dia você decide que não vai mais mandar mensagem quando estiver de porre e quiser colo, mesmo você não deixando de beber e ficar carente. Um dia você decide que já não vai jogar nenhum joguinho de sedução, mesmo porque, você sabe que a seduzida já foi você, e o sedutor nem precisou passar da segunda jogada, mas você não vai dizer isso, não. Um dia você acorda e decide não mais elogiar a beleza dele, mesmo ele não tendo ficado menos perfeito por causa disso. Um dia você acorda e decide não mais convidá-lo para te visitar, porque visita é igual a carinho: Não se pede. Um dia você acorda e decide não chorar por ele, porque sabe que ela não merece metade do seu sofrimento. Então, um outro belo dia você acorda, e nota que a vontade de ligar passou, nota que nem se lembra do celular na pista de dança, que a sedução passou, que mesmo a beleza sumiu. Acorda e nota que não quer a companhia dele na sua casa, nota que já não sente vontade de chorar. Acorda e nota que o amor, ah, esse já passou faz tempo!