quarta-feira, fevereiro 10, 2010

La nocheII

Em meio ao choro, nem notou que a porta havia ficado aberta. Também, quem haveria de querer ajudar a menina bêbada, sonhadora e submissa? Passavam mil loucuras pela sua cabeça em milésimos de segundo, os lábios dormentes não menos desejosos que quando em estado normal, se punham a cantar a música que soava no barzinho que ficava no térreo. A música parou. Helena achou que seria um intervalo, ou o fim do showzinho voz e violão. De qualquer forma, alguma música deveria tocar um pouco mais baixa, pra amenizar aquele silêncio perturbador, mas quando começou, Helena se deu conta de ainda havia silêncio no apartamento. Talvez fosse aquele nó no peito, aquela sensação ruim de que perdera algo que nem se quer tinha. Levantou ainda cambaleando para procurar um fundo musical, passou o olhar nos cds da estante de Cláudia e mesmo com a cabeça girando pôde notar o bom gosto da nova amiga. Escolheu um cd da primeira dama da França, francês era a língua chave dos seus desesperos, desvarios, devaneios e tudo mais que ela pudesse imaginar. Lavou o rosto enquanto cantarolava "C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore, serais ce possible alors?", talvez fosse possível, sim. Mas naquela noite ela já não teria a chance de saber. Quando voltava para o quarto, notou passos na escada, mas sabia que às duas da manhã ninguém iria voltar para casa, a não ser alguém tão tonto (em todos os sentidos) quanto ela. Notou que a porta estava aberta e caminhou para fecha-la, mas antes que pudesse, ela se abriu. Foi aí que as pernas de Helena tremerem, o coração quase saiu pela boca e o corpo todo explodiu numa onda de prazer inexplicável: Era ele.
- Helena, o que aconteceu? Achei que você havia subido para usar o banheiro, mas você não voltou.
- Acho que exagerei um pouco na bebida.
- De novo? Mas você não toma jeito, hein menina?!
- Você veio aqui pra brigar comigo, foi isso?!
- Não.
- Então pra que veio?
- Para concretizar o que sonhei para essa noite.

Henrique enlaçou os dedos nos cabelo de Helena, e beijou-lhe com desejo de quem espera séculos para concretizar um sonho. Tocava "Tu es ma came" quando o rapaz e a moça deitaram-se sobre as almofadas da sala, e trocaram todas as juras, todos os votos de amor que haviam balbuciado muitas vezes enquanto dormiam, ou enquanto sonhavam mesmo acordados. Henrique debruçou-se sobre o corpo de Helena, descobrindo-lhe. Era uma descoberta maravilhosa. Ela apenas suspirava. Um suspiro bom, ora fraquinho, ora ofegante. E cochichava no ouvido de Henrique "Tu es ma came, ma came", levando o rapaz à loucura e deixando ainda mais apaixonado por ela.

***

Continua no próximo post.

Um comentário:

Milla disse...

owwwn nada como o bom e velho frances dos apaixonados *-* adorei! continua rápido?

ps.desculpe a demora estou em viagem ainda :)