sábado, fevereiro 20, 2010

La nocheIII [Final]

Helena dormia no peito de Henrique quando o celular da moça tocou. Eram pouco mais que três horas da manhã, o que instigou a curiosidade do rapaz, e logo de início, uma pontinha de ciúmes. Quem ligava para Helena às três da manhã?! Para a SUA Helena? Deixou que tocasse, não queria invadir a vida dela dessa maneira, achava que nunca havia tido quilate pra isso. Se a própria Helena não tivesse tomado uma atitude, talvez eles nunca houvessem trocado aquelas palavras lindas. Lembrou-se do dia no jardim, em plena chuva, quando a garota lhe disse que poderia dar-lhe o mundo... E deu! Helena sim, tinha quilate, pose, e atitude para dar a cara à tapa por aquele amor. Ele não, nunca haveria de ser suficiente para aquela menina, não na sua mente cheia de complexos e limitações. Mal sabia ele que era o sonho mais almejado, a paixão mais ansiada por Helena. O telefone tocou novamente, e dessa vez, a moça moveu a cabeça, querendo acordar, mas nem se quer abriu os olhos. Só afastou a cabeça do colo do rapaz, e apoiando-a numa das almofadas. Agora a mão de Henrique estava livre para atender, mas não o fez. Apenas olhou para a menina maravilhosa que dormia do seu lado e pediu que aquilo nunca terminasse. Aquela menininha frágil de olhos penetrantes era muito mais do que ele imaginava, e ele sabia que aquela noite ficaria marcada para sempre, ainda que houvessem muitas outras depois dela. Foi como se tudo acontecesse pela primeira vez, mas sem medos e dúvidas, com vontade, verdade, com perfeição. Sim, ela era perfeita. O celular vibrou e anunciou uma mensagem de voz, e o rapaz decidiu ouvi-la. Que problema poderia haver? Eles eram um só agora, não haveria segredo que mudasse isso.

- Helena, preciso de você, meu amor. Venha me ver, por favor, não vá embora. O seu cheiro ainda está aqui. Seu vestido permanece guardado no meu guarda-roupas, junto que aquele par de sapatos que você adora. Eu te amo, eu te quero. Venha, e prometa que ficará comigo para sempre.

Atônito, Henrique desligou o celular. Havia reconhecido a voz do amigo sem esforço: Carlos, o ex-namorado de Helena. Rapaz por quem a moça jurou amores por mais de dois anos. Sabia que eles ainda se encontravam de vez em quando, mas nunca que tudo ainda permanecia daquele jeito. Henrique vacilou. Todos os medos do mundo pareceram se instalar ali dentro, seu coração doía e pulsava forte. Ele tinha as mãos quentes e úmidas. Procurou um papel e uma caneta. Suas mãos tremiam quando ele escreveu em garranchos: Carlos te deixou uma mensagem de voz. Deixou o papel do lado de Helena e vestiu-se. Desceu as escadas como um raio e sumiu. Saiu ainda lembrando dos traços da garota, da noite, do libido, tinha ainda na cabeça a idéia de que talvez ela fosse mesmo perfeita. Perfeita demais para ele.


La noche I - http://parteexiladademim.blogspot.com/2010/02/la-noche.html

La noche II - http://parteexiladademim.blogspot.com/2010/02/la-nocheii.html

3 comentários:

Milla disse...

aii que triste! e eu pensando que no final eles iriam ficar juntos...ciúmes é algo dificil de se lidar mesmo, mas não impossível :)

beijos

Samara disse...

Um final triste. Acho que a reação do Henrique foi exagerada, ou seria eu inocente a ponto de achar que aquilo veio só da parte do carlos? Gostei muito de como escreve. Vou ler o blog todo! ;p

téka ropelato disse...

Tomara que Helena vá atrás dele e prove que tudo naquela noite foi real, e o passado ficou pequeno em frente ao futuro que ela viu com ele. hihi

Vou comentar mais! hehe
Beijinhos