quinta-feira, março 04, 2010

O vassalo, a avassaladora.

- Bruno, você anda tão fechado... - A voz de Mariana soou alta na sala silenciosa.
- Eu, Mari? Claro que não! Sou o mesmo Bruno de sempre, sua boba. - Falou, desarrumando o cabelo da amiga.

Lá dentro ele sabia que acabara de contar uma mentira. Não, ele não era o mesmo Bruno de sempre, não depois que ela apareceu em sua vida. Ela sempre havia estado lá, mas ele não tinha malícia alguma para nota-la nas brincadeiras bobas de criança. Só que agora todos os hormônios do rapaz entravam em completa ebulição quando os olhos dele encontravam aqueles outros com cor de céu. Marina... Linda, inteligente, maravilhosa. Ultimamente, ele se pegava sonhando com os lábios dela, com os seios fartos da moça. Muitas vezes, a imaginava nua. Corpo colado ao dele, trêmulo, mas, principalmente, os seios, sempre. Desenhava-os perfeitamente em sua mente sem nunca tê-los visto, e deixava que eles protagonizassem suas libidinagens embaixo do chuveiro. Hoje, um ano depois da primeira declaração Marina para ele, Bruno estava perdido no meio dos seus devaneios. Ele lembrava da citação que ela havia usado para denomina-lo: Era de um livro que se estudava nas aulas de literatura do Ensino Médio, e que ele, um ano mais novo que ela, estudava agora. O coração palpitou quando no livro, a citação pulou aos seus olhos. Lembrou de tudo, e se pegou pensando e sentindo todo o fervor do seu coração naquela época. Por onde ele andava nesse tempo? Por quem batia o coração dele, se não pela mulher mais perfeita que ele havia visto? Bruno passou a se fazer perguntas desesperadas, como quem pede pra voltar no tempo e fazer tudo mudar. Confabulou internamente todos as outras bandeiras da garota, e aos poucos foi lembrando o porque de ele não ter acreditado nela. Havia naquela menina uma inconstância perturbadora. Lembrou de cada 'eu te amo' rebatido com um 'não tenho tempo pra você', lembrou de cada abraço desencantado por um olhar frio. Bruno tinha os olhos marejados pelas lembranças, e um vontade enorme de não sentir mais vontade. E lutava para isso, era bem verdade. Tentava também fugir, ser frio, fingir que nada daquilo era importante. Mas ele era péssimo no jogo de cartas que ela jogava como uma lady. Lembrava dela e perdia o fôlego, apertava o coração, alterava o humor, a visão, a aparência. Qualquer palavra da menina tinha o poder de atravessar o seu corpo como uma corrente elétrica, e naquele momento, ele se sentia em coma após milhares de choques. Levantou, jogou os fones do aparelho que ouvia em cima da mesa, jogou fora o resto do Whisky, puxou a toalha e tomou um banho rápido. Tomou alguns comprimidos para dormir, e pediu a Deus para sonhar. Pediu para ter em sonhos o que a realidade nunca lhe daria.

3 comentários:

Milla disse...

é o exemplo da frase 'só damos o valor certo depois que perdemos as coisas' acho que não resta nada a dizer..

beijos e linda a foto de Capitu *-*

May disse...

A gente sempre acaba querendo alguém depois que essa pessoa já não nos quer mais. Ou pelo menos finge muito bem que não quer.
Adorei *-*

Samara disse...

Amo o teu jeito de escrever! Já fiquei viciada em teu blog. E olha que isso nunca me acontece. Adorei a história tão cheia de detalhes nos sentimentos e emoções. ^^