quarta-feira, abril 28, 2010

De uma vez por todas.

This Romeo is bleeding
But you can't see his blood
It's nothing but some feelings
That this old dog kicked up.


A garota chegou da escola cansada, mas dessa vez, o cansaço era diferente: Era o cansaço do amor. O cansaço de amar por dois, de viver um amor de um lado só. Estava sem fome, como na maioria dos dias letivos. Para esquecer o cansaço, tentou resolver alguns problemas de matemática, mas as incógnitas que não lhe saiam da cabeça eram outras. Puxou uma folha em meio as contas que tentava fazer e escreveu o que seu coração já não suportava mais esconder, parte do desastre que ela havia confessado há dias atrás. Só que dessa vez, era algo mais que uma carta de amor, era uma carta de despedida. Ao terminar, fechou a carta com convicção e caminhou até a casa do rapaz que havia povoado os seus sonhos por todo aquele tempo. Ele abriu a porta e se mostrou receptivo.
-Entre, Clarisse, precisamos conversar.
Ela sabia que havia depois de expor tudo, rompido o elo de carinho que havia entre eles. Ele se dirigiu ao quarto, ela o acompanhou. Palavras duras em voz de veludo, e tudo muda. No fim, ele só pediu que tudo ficasse como antes, que ela não deixasse aquele amor a abater. Disse-lhe que ela era jovem e linda, que encontraria alguém que a amasse como ela o amava. Clarisse balançou a cabeça afirmando que sim, lhe entregando a carta que havia escrito. O caminho até a sua casa lhe pareceu mais longo, a água que lhe escorria pelo rosto molhava as calçadas sujas. Ao chegar no apartamento com cheiro de cigarro e vodka, trancou-se no banheiro. A campainha tocou, lhe tirando a atenção. Ela sabia exatamente quem era. Com as forças escassas, buscou se equilibrar nas paredes para abrir a porta, abriu-a. O rapaz, assustado, reconheceu o objeto logo que o viu em suas mãos cheias de sangue: O coração da moça. Quando seus olhos molhados e apertados de dor encontraram os do rapaz, ela lhe disse:
- Tome, ele sempre foi seu mesmo!
E dormiu, nos braços do seu primeiro e único amor, para nunca mais acordar.

P.s:É claro que está fora das condições humanas
arrancar o próprio coração e continuar vivendo
ainda que por segundos,mas segundo a Zizi...
É sobre humano amar.

domingo, abril 25, 2010

Desabafo noturno.

Ei, você. É, você mesmo. Não leia esse post. Eu sei que você lê todos, mas deixa esse. (Eu sei que você entendeu que foi exclusivamente pra você, e seria legal respeitar.)

-Quanto aos seguidores, leiam a vontade. :)



"Só você pra dar a minha vida

Direção, o tom, a cor.

(...)

Ninguém jamais te amou

Como eu, como eu."



Por que é que só você parece me dar a direção para seguir? Não entendo como não me canso e desisto de uma vez por todas desse jogo que já perdi faz tempo. Por que é que eu só me sinto impulsionada a sair quando sei que vou te encontrar? E por que a sua voz me causa calafrios tão intensos? Esses dias, um acontecimento quase me enlouqueceu.

Estávamos todos na sala de aula, quando entrou para tratar de uns assuntos conosco a professora por quem tenho mais carinho. Eu vibrei, e nesse momento uma colega minha comentou:

- Ela é sua professora preferida, não é?

- Eu acho que sim.

- Incrível, ela é do signo que você mais odeia, que mais fala mal. Você vive falando desse signo, mas tem uma ligação incrível com ele, e vai ter pra sempre.

Foi então que me aconteceu o inesperado: Quando dei por mim, eu tinha os olhos cheios de lágrimas e a face completamente vermelha. Minha colega se assustou, e utilizou aquilo como prova do que havia acabado de dizer. Eu pedi que ela parasse e tentei me recompor. Em algum tempo eu já estava tranquila como antes, mas aquele momento não me saiu da cabeça. Nunca, em toda minha vida eu vacilei nas atitudes como tenho vacilado por esses tempos. Chorar era um milagre. Expor? Um outro, bem maior. Agora eu estou aqui, explodindo. Incapaz de esconder todos esses efeitos que você me causa. Fico me perguntando os porques de tudo e nunca chego a uma conclusão racional. É claro, foi-se também a minha racionalidade. E o meu coração continua entrando em descompasso enquanto falo com você e finjo controle. Lá dentro de mim acontece um carnaval. Sinto todo o meu corpo se desmanchar ao som do seu sorriso, e um arrepio me subir por toda a espinha quando os meus dedos tocam o seu corpo. Se evito te ver, é para não expor tudo isso. Se te ponho longe vezenquando é pra testar a minha memória e torcer para que ela esteja muito ruim e te esqueça de vez. Mas eu tenho mil imagens suas fotografadas na minha retina. E pior: No meu coração. Declaro: Eu continuo apaixonada por você, e você ainda é o início e o fim de todos os meus meios.

sábado, abril 24, 2010

Tudo que pode acontecer com dois bicudos.


"Vai, se você precisa ir."

Havia num belo jardim, um beija-flor. Ele tinha grande amor pelas suas flores e nunca havia pensado em deixá-las. Elas eram lindas, apaixonantes, suficientes para lhe prender a atenção a vida inteira. Até que num dia incomum de sol, apareceu no seu jardim um outro beija-flor. E os outros dele imediatamente brilharam diante da beleza daquele ser que sem pedir licença, invadia o seu jardim. No começo, sentira ciúmes. Quem era aquele que se apossava assim das suas flores? Mas logo cresceu-lhe uma admiração por aquele pássaro lindo...Tão lindo! Ensaiou os passos mil vezes para chegar até o outro, encheu o peito e voou.
Diferente do que achara que iria acontecer, ele lhe foi cordial, perdera a pose. Tornaram-se amigos íntimos, voaram pelos mais diversos jardins. Mas aos poucos, o beija-flor notou que ardia-lhe o peito cada beijo que o outro dava em tantas flores. Escondia dentro de si todo e qualquer desejo pelo amigo, ignorava a vontade que surgia de pedir-lhe para ficarem juntos. Mas o ciúme lhe mordiscava o coração e o fazia tomar o espaço do outro, o impedindo de respirar. Um dia, o outro lhe disse:
- Amigo, preciso ir.
O coração do pássaro gelou. Já não sabia como voar novamente, havia se acostumado com a companhia do dele. Sentia por ele um amor que nunca havia sentido por nenhuma flor.
- Mas por que tens de ir?
- É que a sua proteção...
- O que tem a minha proteção?
Ele virou-se, mostrando-lhe as asas. Elas estavam machucadas, sagravam, estavam cheias de fraturas.
- A sua proteção está me cortando as asas, machuca-me.
O pássaro abaixou a cabeça, rubro de vergonha. Admitia que tinha prendido por demais o outro, que precisava voar.
- Vai, vai-te embora. Quando quiser, volta. Eu estarei aqui. - Ele disse, tentando controlar as lágrimas que já lhe desciam fartas pelas penas.
O belo beija-flor foi-se, deixando-o com um vazio imenso e o medo de não conseguir nunca mais voar. Nunca lhe dera a oportunidade de dizê-lo o quanto o amava, o quanto desejava as suas cores e sonhava com as suas asas. Durante meses, o esperou voltar, mas desistiu de esperar. Aprendeu que beija-flores foram feitos para beijar flores. E dois bicudos, meu amor... Dois bicudos não se beijam.

segunda-feira, abril 19, 2010

Amor.



Hoje à noite um emaranhado de ideias me ocorreu, e em meio a elas vieram frases desconexas. Aos poucos eu notei que havia desviado todas para um só rumo: Eu pensava sobre amor.
Ah, o amor... O amor nos torna inevitavelmente cegos. O amor é benevolente, submisso. O amor nos desvaira, nos anima, desanima, constrói, destrói. O amor é capaz de mudar a mais sólida convicção. O amor tem cheiro de morangos, de chantilly, de terra molhada. De vez em quando, fede como um porco. O amor nos complica e descomplica num levantar de mãos, num arrepio. O amor nos molha a face e as enche de dentes. O amor nos balança e nos levanta, além de nos fazer cair. O amor nos enlouquece e fortalece. O amor nos mata e ressuscita, nos caminha e desencaminha, nos retrai e distrai. O amor nos faz parecer patéticos, poéticos, caquéticos. O amor nos envelhece e rejuvenesce. O amor perdoa. O amor espera. O amor faz. O amor nos faz insistir. O amor não nos deixa desistir, nem se quer resistir. Amor é só invadir, invadir, invadir. E tudo, tudo isso acontece num lugar pequenininho, que nunca para de bater.

sexta-feira, abril 16, 2010

Verdades.

"Ah, e quantos sonhos sem realizar,
quantos desejos presos no olhar.
(...)
Quantas vezes eu pensei
não ouvir meu coração."

- Eva...
- Oi...
- Alguma coisa já te fez muito bem, mas ao mesmo tempo te fez muito mal?
- Alguém tem me feito muito bem e muito mal todos os dias, Amanda...
- O que você faz?
- Eu tento não levar tão à sério quando faz mal, e viver ao máximo quando me faz bem. Mas por que a pergunta?
- Nada, nada... Obrigada.
- Por nada...

*

- Ele só faz isso porque quer que eu vá lá, que peça pra ele ficar, que mendigue.
- Então vá, Eva!
- Não!
- Amiga, reaja. Você nunca foi assim, eu que era. E eu mudei porque você me ensinou a perseguir o que eu queria. Agora você está imóvel.
- Sabe qual é a diferença básica entre a Eva de antes e a Eva de agora?
- Qual?
- A Eva de antes lutava porque valia a pena.

(Incrível como às vezes as verdades nos obrigam a enxerga-las cara à cara.)

Posso só contar um último segredo?
Eu não aguento mais chorar por você.


segunda-feira, abril 12, 2010

Como prêmio.


Melissa arrumou os cachinhos negros pela última vez, passou o brilho labial cor de boca e saiu. Carlos abriu um sorriso maravilhado quando a menina abriu a porta.

- Você está muito linda - ele disse.

Ela sorriu, e soube que naquele momento suas bochechas haviam ficado vermelhas. Procurou o celular dentro da bolsa para conferir a pontualidade do rapaz, mas lembrou-se de que o havia deixado em casa. Tudo o que ela não queria era um retorno de ligação. Já tinha dito tudo o que queria e se sentia livre para sair com quem quisesse. Mas no fundo, sabia que enganava a si própria com todo aquele teatrinho. Ela sabia que se ouvisse a voz do outro mais uma vez vacilaria. Sabia que mesmo depois de mil anos de espera, bastava que ele dissesse que iria, ainda que ficasse só um dia. Então ela suplicava em sua mente que ele não voltasse, que não aparecesse nos seus olhos e sonhos. Porque aqueles mil anos haviam deixado seu rosto cheio de rugas.

- Está tudo bem, amor?
- Claro que está! Que filme vamos assistir?
- Ah, eu escolhi um romance.

Ela sabia que o outro odiava romances, que ela adorava. Um ponto para Carlos, afinal. E assim como esse, Melissa procurava mais alguns muitos pontos que dissessem ao seu coração o que o cérebro sabia: Carlos era muito melhor que Lucas. Carlos dava a ela o mundo que um dia prometeu ao outro. Ele tinha tudo para ser o seu homem, e já era. Os olhos apaixonados dele não negavam, e isso só piorava a angústia da menina que se sentia enganando a ele e a ela com aquela busca sem sucesso por um novo amor.

- Chegamos, Mel.

Carlos era um cavalheiro de tirar o chapéu, daqueles que pegam a mão da moça para ajudá-la a descer do carro, daqueles que pagam a conta antes que ela se manifeste. Era um príncipe, um príncipe que não viraria sapo. O rapaz a amava, e isso era suficiente.

- Carlos, posso usar o banheiro antes de entrarmos?
- Mas é claro, meu amor, te espero aqui.

"Meu amor", Melissa não pode deixar de ouvir aquelas palavras que faziam seus olhos marejarem. Era um sentimento incalculável o daquele rapaz, e fitando-o, pode notar o quão grande era o mundo que ele tinha nas mãos. Sem saber que sentimento lhe tomava, Melissa o beijou. Com vontade, com alívio, intensa e verdadeiramente.
Ela era inteligente demais para recusar tudo aquilo a sua frente.

...Do outro lado da cidade, em cima do criado mudo, o celular de Melissa tocava milhares de vezes.

sábado, abril 10, 2010

Só mais um minuto.

- Alô.
- Lucas?
- Melissa...
- Não, não fale nada. Não me mande desligar, não diga que já é a terceira, quarta, quinta vez, porque será a última, mesmo. Por favor, não diga que eu nunca mudo. Não diga que eu pareço sumir da sua vida mas sempre volto atrás. Eu preciso te dizer, me deixe falar. Porque dessa vez eu quero dizer tudo, de alma pra alma. Você lembra daquele dia em que eu te falei todas aquelas coisas? O meu bafo era de alcool além da medida, eu sei. Mas nem assim eu disse tudo que queria. Porque não quis me mostrar frágil, não quis ir além da minha superioridade, do meu quilate. Não quis me rebaixar e dizer: Eu estou apaixonada por você. Porque sabe, Lucas, quando você me dissesse não, ia ser por muito mais coisas, e eu sabia que não podia suportar. Só que hoje eu acordei assim, louca de vontade de dizer as coisas de uma vez, acabar com esse nó no peito. Eu quero me livrar disso, e por esse motivo é que preciso colocar tudo pra fora de uma vez. Não foi você quem me mandou seguir outros rumos? Pois é. A casa está vazia, todos acabaram de sair, eu quis ficar só. Antes pensei que poderia te ver, e quase aceitei ir também, mas não. Preferi me enrolar no edredon e tomar o meu chocolate quente em paz. Minha mãe provavelmente te encontrará. Ela vai adorar encontrar você, porque como você sabe, ela tem tanto carinho por você que quase me causa ciúmes, e nem sei dizer de qual dos dois. Ela vai te chamar pra vir aqui em casa passar o dia comigo, vai te chamar de pequenino e te fazer mil e um mimos. Você ficará vermelho e dirá que não, como sempre.
-Melissa, eu...
-Não, Lucas, não. Me deixe continuar, eu preciso. Eu preciso te dizer que nunca chorei por ninguém, nunca. E você, como meu melhor amigo, sabe que não foram poucos os homens que cruzaram o meu caminho. Mas nenhum deles me fez chorar. Só que você tem me feito chorar muitas e muitas vezes. Ontem, a minha máscara de durona caiu no meio da sala de estar, eu derramei mais lágrimas do que meus olhos estão acostumados a produzir. Tudo porque você falou bem demais de outro alguém e eu morri de ciúmes. E toda a minha noite foi embalada por sonhos onde os seus cabelos se prendiam nos meus dedos, aliás, não diferente das outras. Já faz mais de um ano que você está aqui dentro, e o que me incomoda é perceber o quanto demora a passar todo esse sentimento. Sabe Lucca... Você me é perfeito. Os teus olhos, o teu corpo, os teus cabelos, o teu sorriso, a tua boca. Tudo, tudo em você parece ter sido esculpido por Deus para chegar o mais próximo da perfeição possível para um humano. O que às vezes penso que você não é. Afinal, deuses são dotados de beleza, não de sentimento. Mas você, Lucca... Você tem sentimentos até demais. Você grita aos quatro cantos um pedido de felicidade. Eu tenho ela nas minhas mãos, guardada só para você. Eu posso te dar um mundo inteiro, te fazer viver muito mais que essas migalhas as quais você já se acostumou a ter.
-Ei...
-Eu sei, eu sei! Não diga. Eu não preciso te ouvir dizendo não de novo, sinceramente. Eu já entendi que você não quer o mundo. Eu já entendi que você não quer ser feliz comigo. Eu sei, Lucas, sei de tudo isso. Mas é que eu queria te dizer pela última vez que você foi, que você é... o amor da minha vida. Que por você eu senti mais do que por qualquer outra pessoa, que por você eu arrisquei o céu, o inferno e todo o resto. Eu só queria dizer que eu te amo, pra sempre.
-Mel...
-Espere, estou quase no fim. Já está na hora, Carlos vem me pegar. É, Carlos. Vamos sair, sim, Lucca. Vamos ao cinema. Sim, eu estou de casaco, não vou congelar de frio dessa vez. Se o filme for bom, depois podemos chamar Clara para ir também, sei que você vai adorar ter a presença dela. É só torcermos para ela não levar o namorado, não é?! A campanhia está tocando. Deve ser Carlos. Me deseje sorte, amigo!

Tum tum tum tum

Do outro lado da linha, Lucas tinha uma expressão que variava entre alívio e desespero. Ele nunca a amara, verdade. Mas sabia que recusar o mundo era muito mais doloroso que aceita-lo.

quinta-feira, abril 08, 2010

O último.

"...Mas que perder
seja o melhor destino..."


O sentimento estava lá, mais que um banho de chuva aceito, mais que um quase beijo. O trevo de duas folhas rodava entre os dedos ao lado, retirando de mim, muito mais que duas folhas de sorte. Sorte? Sorte era mesmo o que eu não tinha, o que nunca tive. Sorte, isso que quis e que jurei tantas vezes ter. Quem dera tivesse, ao invés da angústia que sinto, desse nó no peito, ao invés dos meus olhos marejados e do meu corpo cansado de ser só. Faz tanto frio aqui que as minhas entranhas tremem, ele não passa, nem mesmo com o casaco negro que cobre os meus ombros que quiseram te acolher. Que boba! Dar a cara a tapa por você não vale a pena, não vale! Eu sei que não, sempre soube que não daria peixe esse mar, quem não sabe nada é esse músculo trouxa que insiste em pulsar quando você passa, que insiste em fazer o meu sorriso sumir ao dar de cara com o seu desamor. Queria não querer dançar com você sobre essa novela triste de sentimentos, queria não sentir vontade das suas curvas intocáveis, queria não sentir doer a minha alma quando a sua dói. Tudo que eu desejava era sentir o nada que você sente.

quarta-feira, abril 07, 2010

Minha impossível chance.

-Bailarina, desista de encontrar algo impossível.
-Não é uma busca. É uma realidade que me aparece em frente aos olhos! Não tem como não pensar.

Estive conversando sobre impossibilidades, e devo admitir, me assustei. Nunca me vi tão conformada, tão pessimista. Me pego tentando provar o contrário do que provava há tempos atrás. Mas sabe, acho que te ouvi falar por tantas vezes sobre mil dificuldades que me acostumei com essa ideia de que algumas coisas simplesmente não acontecem. Ontem as minhas certezas viraram ao avesso, porque alguém pôs na minha mente uma necessidade de acontecimentos, e eu parei para pensar sobre essas coisas que me comem os dias. Sim, os dias, os pensamentos, a felicidade, a sobriedade, tudo, tudo vai por água a baixo com um toque, uma palavra. Não sei se acreditar no impossível não é pra mim uma maneira de não prolongar essa dor esperando pelo tal dia que você sempre cita. A vida é hoje, e eu quero hoje. Não sei viver esperando tudo acontecer, sei fazer ser possível. E com você, menino, eu não pude. Com você, eu fracassei. Com você, fiz fenecer o que nem se quer havia nascido direito. Ainda que dos seus lábios a palavra impossível nunca tenha saido, saíram tantas outras, cruéis de mesmo modo. Eu me decidi por acreditar no não, pelo menos até que você me prove (de verdade) o contrário.

sexta-feira, abril 02, 2010

E não é que ela é mesmo da paixão?







*

Eva: Sabe do que eu tô com saudades?
Isabella: De que?
Eva: Do Umbuzeiro.
Isabella: Eu tô com saudades de mim.
Eva: Nossa, que (in)tenso.
Isabella: Acho que me esqueci em alguma rua...
Eva: Tenho a mesma impressão, mas isso aconteceu há tanto tempo que nem lembro mais de mim.

*

Mariana: Ui, que povo romântico! Bom é assim!
Eva: Bom? Você é louca?
Isabella: Aí já é um estágio além da loucura. Muito além, diga-se de passagem.
Eva: Eu não queria ser romântica. Dói muito.
Mariana: Lembre-se... Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena, Evinha.
Eva: Minha alma não, mas meu coração anda pequenininho.
Mariana: Acho que seremos recompensadas! Gosto de acreditar nisso!
Eva: Acreditemos.
Isabella: Eu também, acho que tem que ter uma recompensa, pelo menos é um consolo.
Eva: Tem que ter.
Mariana: Tem que ter.

*

Paixão: s.f

1. Impressão viva.
2. Perturbação ou movimento desordenado de ânimo.
3. Grande inclinação ou predileção.
4. Afeto violento, amor ardente.
5. Objeto desse amor.
6. Pena, cuidado, trabalho.
(...)
(Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

quinta-feira, abril 01, 2010

Noite rara.

"Me deixas louca
Quando transmites o calor de tuas mãos
Pro meu corpo que te espera."

Dormíamos no mesmo quarto há tempos, sempre em camas separadas. Verdade que já tinhamos algum tempo de uma relação estável, e eu queria que tudo aquilo se concretizasse. Mas eu controlava os meus desvarios, esperando que você tomasse qualquer iniciativa. Perto de você, eu esquecia o meu programa de TV preferido, e deixava que me cobrisse dos melhores beijos que minha boca já provara. Só tinha medo do horário, que quando avançava, lhe fazia se apressar para dormir. Mas naquele dia, ao badalar das doze horas, você me disse:

- Dorme comigo?

Não sentia os pés no chão, minha boca tremeu como que morrendo de frio, mas eu estava quente, quente, quente. De repente, suas palavras já faziam o calor subir e percorrer todo o meu corpo. Não disse nada, só beijei. Eu nem quis dizer, pois sabia que nenhuma palavra expressaria o tamanho da minha felicidade. Você me conduziu até o quarto, ainda embalada no teu beijo. Não senti medo, só vontade de passar a vida inteira ali, naquele contato maravilhosamente íntimo. Quando nossos corpos se encaixaram, eu quis te olhar. Você tinha os olhos apertados, e sua pele, iluminada pela luz do abajur me trazia uma leveza que eu não conhecia. Mais delicioso que o meu prazer, era te ver sentir toda a satisfação que você me cochichava ao pé do ouvido. E quando seus olhos se abriram em sintonia com o seu sorriso, não tive maior certeza que a que te confessei:

- Eu te amo. - Eu disse, com algum receio de que você não dissesse o mesmo.
- Eu amo você. - Sua voz soou linda

E eu adormeci nos teus braços anjo. Antes, olhei os teus olhos uma vez mais, e eles me disseram que você ficaria, que não iria embora. Me disseram que essa seria a primeira noite de um amor sem fim.

-

é, eu estou um tanto sensível.