segunda-feira, abril 12, 2010

Como prêmio.


Melissa arrumou os cachinhos negros pela última vez, passou o brilho labial cor de boca e saiu. Carlos abriu um sorriso maravilhado quando a menina abriu a porta.

- Você está muito linda - ele disse.

Ela sorriu, e soube que naquele momento suas bochechas haviam ficado vermelhas. Procurou o celular dentro da bolsa para conferir a pontualidade do rapaz, mas lembrou-se de que o havia deixado em casa. Tudo o que ela não queria era um retorno de ligação. Já tinha dito tudo o que queria e se sentia livre para sair com quem quisesse. Mas no fundo, sabia que enganava a si própria com todo aquele teatrinho. Ela sabia que se ouvisse a voz do outro mais uma vez vacilaria. Sabia que mesmo depois de mil anos de espera, bastava que ele dissesse que iria, ainda que ficasse só um dia. Então ela suplicava em sua mente que ele não voltasse, que não aparecesse nos seus olhos e sonhos. Porque aqueles mil anos haviam deixado seu rosto cheio de rugas.

- Está tudo bem, amor?
- Claro que está! Que filme vamos assistir?
- Ah, eu escolhi um romance.

Ela sabia que o outro odiava romances, que ela adorava. Um ponto para Carlos, afinal. E assim como esse, Melissa procurava mais alguns muitos pontos que dissessem ao seu coração o que o cérebro sabia: Carlos era muito melhor que Lucas. Carlos dava a ela o mundo que um dia prometeu ao outro. Ele tinha tudo para ser o seu homem, e já era. Os olhos apaixonados dele não negavam, e isso só piorava a angústia da menina que se sentia enganando a ele e a ela com aquela busca sem sucesso por um novo amor.

- Chegamos, Mel.

Carlos era um cavalheiro de tirar o chapéu, daqueles que pegam a mão da moça para ajudá-la a descer do carro, daqueles que pagam a conta antes que ela se manifeste. Era um príncipe, um príncipe que não viraria sapo. O rapaz a amava, e isso era suficiente.

- Carlos, posso usar o banheiro antes de entrarmos?
- Mas é claro, meu amor, te espero aqui.

"Meu amor", Melissa não pode deixar de ouvir aquelas palavras que faziam seus olhos marejarem. Era um sentimento incalculável o daquele rapaz, e fitando-o, pode notar o quão grande era o mundo que ele tinha nas mãos. Sem saber que sentimento lhe tomava, Melissa o beijou. Com vontade, com alívio, intensa e verdadeiramente.
Ela era inteligente demais para recusar tudo aquilo a sua frente.

...Do outro lado da cidade, em cima do criado mudo, o celular de Melissa tocava milhares de vezes.

2 comentários:

Rafaela disse...

Olha queria dizer que adoro seu blog.
Mas esse texto q vc escreveu está simplesmente fabuloso!
Nada como a gente escrever aquilo que vem do fundo da alma né?

Uma ótima semana.
Beeeeeijo

Milla disse...

Huummm...adoooro continuações *-* Sabe eu acho que ela fez isso com medo de perder um mundo que estava sendo oferecido para ela, mas ela ainda pensa no Lucas e por causa disso, ela pode recusar um mundo inteiro.

vai continuar né? *-*

beijos