domingo, maio 30, 2010

Como se fuera la ultima vez.


Habita-me como nunca antes
Navega-me como teu mar
Afoga-me em nuvens de beijos
Tu, que lanças-me
Estes olhos de fogo
Põe em mim o teu desatino
Como se põe um laço de fita no cabelo
E despreocupa-te
Se haverá sou amanhã? Não sei
Não hei de ter necessidade de saber
Pois aqui há o brilho do olhar...
Do olhar mais bonito que já pousou sobre o meu.

sexta-feira, maio 28, 2010

Dreams, oh, dreams.

"E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
(...)
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser
Quem eu sou..."

Acabo de acordar, e já procuro esquecer os sonhos confusos que tive. Foram cenas e frases tão desconexas que eu quase não pude entender, mas ainda assim, tudo permanece sobrevoando os meus pensamentos. Admito que todas as minhas reflexões sobre passado, presente, afago e frieza me deixaram confusa. Ultimamente eu tenho pedido à rego publicamente. Essa febre não passa, e no meu intimo eu sei que ela não está aqui só pelo meu resfriado. Todo o meu corpo tem desmoronado milhares de vezes por dia. As minhas ideias tem ficado vagas, e eu tenho vivido num constante estado de embriaguez que me inquieta. Eu não sei dizer o que quero. Aliás, sei. Sei dizer o que quero muito, mas sei ver que nada disso tem futuro. Sei também lembrar de um passado e tentar colocá-lo lá atrás sem sucesso. E enquanto isso, sei ensaiar passos para dizer que está tudo bem. Mas os meus olhos sempre foram de me entregar, e continuam sendo. E o que eles denunciam é o meu desalento, o meu desespero, a minha carência, o que eles dizem é que eu preciso urgentemente de algo que me motive a acordar todos os dias. Porque sinceramente, eu não tenho visto motivo algum.
...Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer. ♫

domingo, maio 23, 2010

E uma cara embriagada no espelho do banheiro.


"Fiz mais do que posso
Vi mais do que agüento
E a areia dos meus olhos é a mesma
Que acolheu minhas pegadas."

Um porre, mais um. Eu já havia me acostumado a acordar pedindo à rego, mas dessa vez foi diferente, muito mais forte que todas as outras. E eu pude ver todos os barcos desaguarem sem que eu pudesse controlar. Quando o mundo girou, eu só consegui te chamar, mas quando você chegou, meu bem, eu não quis me mostrar daquele jeito mais uma vez. Te ser submissa, feia, pouco. Eu te mandei embora, aos gritos, pra depois me recompor e te chamar de novo. Porque eu te precisava, e sabia. Só não sabia te deixar me ver daquela maneira, nua, chorosa, deixando à mostra todos os meus desvios e imperfeições. Lembro de ter ouvido de alguém dizer: "Eva, pare de chorar, ele não gosta de você, não está nem ai, está rindo e conversando enquanto você tá aqui passando mal". Doeu. Ainda que eu não pudesse ouvir quase nada, ainda que todas as vozes se confundissem e meu estômago embrulhasse, aquela frase perfurou nitidamente os meus ouvidos. Se eu ainda tivesse forças para levantar, talvez iniciasse mais uma rodada de qualquer uma das bebidas à mesa, e dessa vez, sim, seria por você. Porque não foi. Mesmo sabendo que ultimamente você tem sido o meu itinerário maior. Eu só quis sentar com alguns bons amigos e mandar toda essa dor embora. Por metade dela você tem culpa, sim. Mas há outras questões que me fazem estar com os pés cansados. Há cada gole eu apenas buscava me mostrar feliz, ainda que fosse só pelo alcool me causando toda aquela sensação boa de poder fazer tudo. E eu me senti Deus e Diabo de um para outro minuto. Desandei, chorei, quebrei o meu combinado comigo mesma. Disse seu nome, depois de já ter jurado aos quatro cantos que te esqueceria ainda que tivesse que mudar de nome. Foi então que senti o passado me puxar pelas mãos, me abraçar forte, me dizer que não me deixaria sozinha. E pude perceber que você foi realmente a única estrela que não colori. Talvez por isso me tenha parecido tão perfeito. Mas não é. Não pude deixar de comparar-te com o outro garoto que me abraçava, que me jurava proteção até que eu voltasse ao meu normal. E tudo que notei foi que você realmente não me tem amor algum. Chega! Eu preciso esquecer esse papo dos meus amigos de que você se contém e não me acaricia, não me abraça, não me faz feliz. Você sempre foi tão seguro, não é? Sempre quis e fez tudo o que sentiu vontade. Então, por que acreditar que nós ainda seremos um casal bobo de namorados daqueles que passam tardes frias juntos assistindo qualquer besteirol romântico e comendo pipoca? Eu já não posso me prender as suas brincadeiras bobas, aos seus surtos de carinho ou ciúme, aos seus olhares loucos. Não posso caçar uma ou outra coisa no ar e lançar uma verdade absoluta só para amenizar a dor que o seu desamor me causa. Não posso me enganar mais. Enfim, cheguei ao fundo do teu mar, por onde mergulhei por tanto tempo. Bati a cabeça e agora sangro, tonteio. Estou perdida e quase morta no meio das suas águas escuras. Não quero morrer. Quero estar viva e poder pisar na terra firme. Quero recompor as minhas forças e se possível, voar para longe. Tudo o que eu preciso é parar de sangrar, é recobrar o meu ânimo. Tudo que eu quero éesquecer de uma vez o labirinto dos teus olhos.

sexta-feira, maio 21, 2010

Aquela competição.

"O meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria."

Eu te quis. Isso me foi impossível de segurar naquele dia de sol forte sobre as minhas e as tuas costas. Eu me machuquei, e foi difícil não chorar, não deixar transparecer o meu descontentamento por você me ser tão indiferente. E eu me reeduquei tanto, que quase não o senti, tanto que vibrei por você todo o tempo. Você sabe que estava sozinho, que eu era a única fã desvairada que queria te ver vencer a competição. Mas tudo o que eu fiz foi te ver buscar outros olhos, outros gritos. Ora, veja... Nenhum deles foi pra você! Nenhum ao não ser o meu, abafado pela minha armadura para não parecer submissa. Eu estava lá, todo o tempo. Preocupada com o risco de que você se machucasse, torcendo para que você pudesse ganhar. O que você fez foi não me dirigir a palavra sequer um momento. Sabe, eu quis comemorar com você, quis te abraçar. Mas me contentei em te dar um parabéns tímido, enquanto você me perguntava daquela maneira bruta sobre qualquer um dos acessórios que você tinha pedido para alguém (que não eu, como sempre) guardar. Esse alguém comentou comigo sobre um dos seus defeitos. Eu concordei, e apontei outros muitos, e ela me disse "mesmo assim você o quer, o deseja e o ama", eu não pude deixar de concordar. Eu realmente quero, realmente desejo, realmente amo. Talvez da maneira mais intensa que já senti. Mas não era para ser dessa forma, não era para ser desse jeito mau-feito, sem elo, sem cor. Deveria ser pelo menos como qualquer uma dessas suas amizades de banco de praça. Só que eu sei que não é, você sabe que não é. E me pergunto porque não já que você me fala tanto sobre o carinho amigo que me tem. Me pergunto porque tudo é diferente para você quando se trata de mim. Porque todas as coisas mudam tão drasticamente quando eu entro em campo. Talvez eu nem queira mais amor, talvez eu tenha cansado dessa espera esteticamente feia e utópica. Eu quero só o seu carinho amigo, o seu abraço antigo, a nossa cumplicidade e o nosso elo. Eu quero só ser aquela amiga que você colocava em primeiro lugar como antes, ou estar simplesmente no podium de onde parece que sai e já não posso mais voltar.


"What you got boy it's hard to find
I think about it all the time
I'm all strung out, my heart is fried
I just can't get you off my mind
(...)
Hey, so I gotta question
Do you wanna have a slumber party in my basement?
Do you wanna make it hot, beat like an 808 drum?"

segunda-feira, maio 17, 2010

É que o trem, o trem já vai partir.

Aqui dentro, em ebulição, todas as "certas coisas que eu não sei dizer". As palavras vem desabrochando nos meus lábios e se desconectando. Perto de você, não falo nada que se possa aproveitar. Acho esquisito mostrar-me assim, ver os outros falarem do meu romantismo enquanto você está presente. E te ver ficar sério, às vezes concordar, e me dizer que sou romântica por demais. Mas louco mesmo é esse turbilhão que me acontece por dentro. Estou uma loucura só. Já não sei dizer o que quero que fique, ou que deve ir embora. Aliás, no fundo, bem lá no fundo, eu devo saber. Só não quero entender que eu realmente preciso ir. Talvez por ter acreditado em todos os comentários bobos dos meus amigos, talvez por ter levado à sério demais as suas brincadeiras, ou simplesmente por não querer sentir esse desprezo que de vez em quando você borrifa pra perto de mim. Admito que não quero acreditar no fracasso dos meus encantos. Porque desacreditar novamente, seria como cortar à pele com afiadas facas. O problema envolve bem mais que o seu coração. Tudo toma outras dimensões e tende a ir de encontro com os meus medos, as minhas inseguranças. Eu nunca acreditei muito em mim, mas sempre tive quem fizesse isso. Se você foge a regra, eu caio feio. Mas sabe, ilusão também nunca foi o meu forte. Não quero confabular planos para um castelo que construí sozinha, não desejo acenar da janela mais alta esperando que aconteça o meu final feliz. É, talvez eu esteja me acostumando a ideia de sentir sangrar os cortes na pele. Então, não me venha perguntar de onde vem os meus olhos caídos, a minha cara amassada, o borrão na minha maquiagem. É uma questão de tempo, você sabe. Amanhã ficará tudo bem.

(ou não...)

domingo, maio 16, 2010

Fique mais.

Baby!
(...)
Dê-me seu relógio
Que eu quero saber
Quanto tempo falta
Para lhe esquecer
Quanto vale um homem
Para amar você?

Eu olho os espaços por entre as grades, vejo as pessoas pequenas lá embaixo. Faz frio, a noite está sem lua e eu, boba, ainda tenho você perambulando pelos meus pensamentos. E eles estão mais confusos do que estiveram durante essas duas semanas complicadas, meu amor. "Meu amor"... Quanto quis te chamar assim, quantas vezes, por descuido, não deixei escapar essa frase e meu segredo se esparramou pelo chão? Algumas milhares. E olhe, ainda quero. Como dizer que não? Não há forma, não há. Se minhas mãos desviam de ti, meus olhos te dizem tudo. Lembro de você reclamando do meu olhar. Dizendo que ele fugia de ti a todo o tempo, carregado de uma mágoa que quase me fez te pegar no colo e te ninar. Sabe, amor, foi de propósito. É que eu não queria que percebesse que eles estavam marejados por eu ter que te arrancar aqui de dentro. É, eu quis te arrancar. Não ria, não, eu estava levando isso à sério. Mas dessa vez foi você quem me quis volta. Obrigada. Obrigada por quebrar o seu orgulho, que eu conheço bem a dimensão e sei que é maior do que qualquer outro que eu já tenha sentido. Obrigada por me permitir abrir o seu coração de levinho, e te descobrir um pouco. Obrigada por me fazer sentir única. Desculpe-me se não pude te dar por inteiro toda a força para quebrar as tuas garras de fera. Eu juro que quis ser a sua mudança, o seu motivo para seguir em frente. E me doeu um tanto absurdo saber que você não quer mais tentar. Porque sabe, eu não queria ir embora. Queria ficar e tentar, queria lutar por esse propósito ao seu lado. Queria entender a sua angústia, curar a tua dor. Lembra de quando você falou sobre voltar depois do voo? Eu quis te dizer que eu ainda estava lá. E quando você disse que não valia a pena, eu quis dizer que pra mim, vale sim. Porque eu amo você. E esse motivo te faz importante e grande na minha vida, esse motivo me faz não conseguir desistir. Algo seu me puxa como um ímã, e me faz querer habitar um lugar bem maior aí dentro. Eu não sei o que é essa força invisível, mas sei que ela existe. Eu sei, você sabe. Então fique, por favor, não desista agora não. Dessa vez eu te levo nas costas pelo meu caminho, para que você não canse do seu. Nós sempre revezamos em tudo, não é mesmo? Eu quero revezar, dividir e multiplicar o teu sentimento. Porque ele existe, e é meu. Talvez não seja tão concreto assim pra ser chamado de amor. Mas é apaixonante. E foi por ele que eu me apaixonei, com todos os defeitos, todas as garras, todos os detalhes. Foi ele que me chamou atenção, exatamente como é. Assim, da mesma maneira que te quero: Inteiro.

sábado, maio 15, 2010

Please, don't leave me.

"Não tenho nada com isso,
nem vem falar!
Eu não consigo
entender sua lógica
Minha palavra cantada
pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica."

Mas acontece que não posso lhe deixar levar por um papo que não deu, que nunca vai dar em nada. Eu sei, eu sempre fui a mais devassa de todas, a mais louca. Eu sempre fui a única que pularia do barranco por qualquer amor de botequim. Sempre fui a que tragava uns cigarros e fazia umas viagens de vez em quando. Que tudo isso é falta de juízo, eu sei. Mas eu sempre tive um lucro qualquer nesse meio. Ainda que o lucro fosse me manter viva e respirando. Só que você sabe que esse é um beco sem saída, não sabe? Eu sei que você me entende e que pode decifrar o que digo, afinal, sua inteligência sempre foi comentada por todos. E eu te juro, juro que estaria com você em todas essas novas mancadas. Quem sou eu pra lhe falar sobre loucura? Ninguém. Aliás, acho que nada disso estaria acontecendo se eu mesma não tivesse te apresentado esse novo mundo. Mas me parece que você quer levantar voo, e seu voo está longe de mim. Sendo assim, eu já não poderei te socorrer quando cair. Você está esquecendo de mim, por esse seu arco-íris que por enquanto te parece tão bonito de decifrar. E se você for embora, me desculpe, mas eu não vou te seguir.

"Tentei falar, mas você não soube ouvir."

quinta-feira, maio 13, 2010

O dia de cinzas (ou a aula de inglês).

"Talvez eu volte
Um dia eu volto
Mas eu quero esquecê-la
Eu preciso!
Oh, minha grande
Oh, minha pequena
Oh, minha grande obsessão
Minha honey baby
Honey baby, baby, baby."

"He kisses...", a voz do professor soou no meio da sala e a partir dai, já não ouvi mais nada. Me perdi na frase que saiu dos lábios dele e me remeteu diretamente aos seus. Olhei de novo, e ele dizia "When you kiss me...". Quando você me beijou... Tinha rapidez, como se quisesse que tudo terminasse logo. Tanto que não tive a menor chance de lhe mostrar coisa alguma. Teus lábios logo desgrudaram dos meus, e eu desisti, ciente do meu insucesso naquela última vez, naquela última tentativa. Justo a última. Justo aquela em que eu precisava te mostrar que valia a pena ficar. Mas você foi embora sem nem sentir o desgosto do adeus que me disse, sem nem enxergar o mundo que jogava fora. Realmente, não havia nada para ver, se você não havia sentido. Se pela sua desistência eu me disse que deveria te deixar. Eu precisava de tempo, e isso você não me deu. Então o que eu faria ali parada, se mesmo quando tocava os teus cabelos, você recuava e mandava embora o meu carinho? Eu, me sentindo nua, em carne viva, completamente frágil. Com álcool emanando mil fluidos ruins naquela quarta-feira pós carnaval, me fazendo tontear. O que você esperava que eu dissesse? Como você esperava que eu reagisse? Eu queria falar, sim. Mas eu não poderia. Porque ainda que você me permitisse, os teus olhos me repreenderiam, e isso me doeria um tanto incontável. Quis te falar sobre a sua beleza, de como ela me encanta, como me faz sentir mil calafrios seguidos. Quis falar de quando os teus cabelos tocaram os meus lábios, e dizer que queria ter te puxado pelo braço na chuva. Quis te dizer que tive quinhentos pensamentos maldosos enquanto você despejava o doce por sobre a comida e eu fazia brincadeiras bobas. Por dentro, eu ardia, e acho até que você percebeu. Quis te olhar um pouco mais e analisar os seus traços perfeitos. Quis, mas não fiz. Permaneci imóvel e esperei sentada os seus passos se distanciarem e a sua imagem sumir da minha retina e das minhas esperanças.
"Can close your books, and good Monday".

quarta-feira, maio 12, 2010

Aquele comentário...

"E o teu olhar me diz tantas coisas
Tantas coisas loucas
Que quando chega perto
A minha alma não me deixa mentir
(...)
Eu juro,
Te juro amor eterno
Eu sinto...
A falta do teu sexo."

- Um dia, eu vou vê-lo muito, mas muito apaixonado. Vou vê-lo arriado por alguém.
- Isso se ele já não está, não é?
- Por quem?
- Por você.

Eu, é claro, desacredito.
Mas isso não quer dizer que
essas palavras não continuem
sobrevoando a minha mente
o resto do dia...

"Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
(...)
Serais ce possible alors?"

sábado, maio 08, 2010

Sentimento existe pra quem sabe ter.

"E hoje em dia, como é que se diz eu te amo?"

Engraçado, nós assistimos desastres acontecerem todos os dias, nas ruas, na tv, nos bairros, nos países, nas casas. Mas nunca achamos que eles um dia podem acontecer conosco, ou com alguém com quem nós temos intimidade. Parece que temos uma redoma que nos impede de passar por grandes acidentes. Só quando algo acontece na nossa frente é que notamos que somos tão humanos e vulneráveis quanto todos os outros, e temos total chance de nos machucar. E sabe, eu senti muito o último acontecimento que ocorreu na minha cidadezinha pacata. Uma menina, da minha idade, um acidente. É estranho pensar que eu mesma já havia passado por aquele local em alta velocidade (ou não...) muitas e muitas vezes. Aquela notícia me tocou, e desde ontem eu já não consigo pensar em mais nada, além da melhora de saúde dela. Mas sabe o que é mais louco? É notar que enquanto há um rebuliço no meu coração, há outras pessoas que nem se quer tem coração para sentir. Me pego pensando em como alguém pode ser totalmente frio à ponto de simplesmente não sentir, e pior, de confabular um desastre maior e expô-lo da forma mais ferina possível. Me pergunto como alguém pode rir ao pensar no que aconteceu. E chego a conclusão de que não quero deixar de sentir. Sinto porque nasci humana, de carne, osso e coração pulsante. E eu sinceramente espero que ele pulse até que eu desfaleça e morra, com a certeza de que estive viva o suficiente para senti-lo tocando a minha blusa, no lado esquerdo do peito.

Betinna, tenho torcido
e rezado por você, vai
dar tudo certo, menina
vai ficar tudo bem.

quinta-feira, maio 06, 2010

Discrepância do destino.

"Como velhos desconhecidos.
Se você não me escuta, eu não vou te chamar."

Ele era um rapaz frio. Sempre brincalhão, mas sem sentimentos. Odiava coisas muito melosas, demonstrações assoberbadas de amor, grandes cuidados. Era independente, auto-suficiente. Tinha cabelos castanhos que estavam sempre ao vento e a motocicleta do ano.
Ela era escorpiana. Tinha grandes olhos negros e penetrantes. Era sensível, cuidadosa. Gostava de colocá-lo pra cima, animá-lo, tentar fazer da vida dele mais bonita. Ciumenta, o queria sempre próximo, sempre por perto.
Ele não amava. Nunca havia sentido amor, e não estava nem um pouco a fim de aprender.
Um dia, ela resolveu ir embora. E foi. Não deixou bilhete dizendo que iria, não deixou nenhum vestígio da sua presença, simplesmente foi.
Os dias se passaram, e ele notou que ela não voltaria. Foi então, que passou a notar que sentia falta daquele bom dia animado de todos os dias. Sentia falta do abraço acolhedor, da voz quase insuportável perguntando se estava tudo bem. Notou que sentia falta dos bipes de mensagem no celular. Notou que sentia falta de ouvir o apelido que ela lhe dera, e das declarações em plena madrugada.
Ela também sentia falta dele, verdade. Mas não iria voltar. Seu coração estava tão cansado que se poria aos cacos com mais um passe-fora dele. As suas forças para lutar por aquela guerra sem futuro já haviam acabado.
Ele tinha medo de ligar, medo de entender que ela o tinha esquecido.
Ela tinha medo de voltar, e notar que ele não havia sentido a sua falta.

Eles se perderam no tempo, nos milésimos de segundos decisivos. Enquanto só precisavam de um deslize no orgulho para que pudessem se olhar e se dizer em tom maior: Eu amo você.

"É mágoa
(...)
O que eu choro é água com sal
Se der um vento é maremoto
Se eu for embora não sou mais eu
Água de torneira não volta
E eu vou embora
Adeus."

domingo, maio 02, 2010

Outras correntezas.

Meu B. (Que talvez já não seja tão meu para poder chamar...),
Sabe, hoje pela manhã eu senti tão grande o seu incomodo pelos meus cochichos com Alice, que senti que eu tinha a obrigação de te escrever, preciso te contar uma história. Será que você pode me ouvir? Será que você pode me emprestar um pouco da sua paciência para entender o que me aconteceu? Não sei, não sei mais. Mas eu vou te contar mesmo assim.
Ontem, eu encontrei César andando por aqui por perto, e o chamei para vir aqui em casa. Entre um gole ou outro de vinho, eu perguntei a ele sobre você. Desculpe, sei que não gosta que eu me meta na sua vida, mas não pude me controlar. E o que ele me disse foi que você está bem sem mim, que nunca houve vontade alguma de ter a minha presença na sua vida. Aquilo me doeu um tanto que nem sei explicar. E você me conhece, não é?! Depois do terceiro ou quarto copo eu não sei fazer muito além de desaguar em lágrimas. Pedi que César fosse embora com o intuito de me entregar às muitas garrafas que ainda haviam na geladeira, mas o telefone me fez mudar a rota. Era Fernanda. E eu não preciso nem comentar o que ela queria ligando para mim, não é? Juro que eu não estava com a mínima vontade de sair naquele dia, mas ela insistiu tanto que foi impossível dizer não. Pus a minha melhor roupa, e me arrumei como poucas vezes na vida. Se era pra esquecer você, eu deveria pelo menos estar a altura da noite que eu desejava ter.
B., você lembra do Bruno, não lembra? Aquele rapaz com que me trouxe para casa outra dia. É, ele estava lá. Bruno... Lembro que naquele dia eu me peguei pensando que se meu coração não fosse tão seu, eu poderia sem pensar me jogar naqueles braços fortes e tão receptivos. O olhar dele me tirou a roupa assim que cheguei, pude ler dentro das suas retinas o meu vestido vermelho ganhando vida e movimento, embalado pelas suas mãos. Arranjei um jeito de mencionar que iria embora, e pouco depois, me dirigi a saída. O que me aconteceu foi que o rapaz me esperava, extremamente lindo na porta da boate. Abriu a porta do carro vermelho, e me fez entrar. Nesse momento eu pensei não estar fazendo a coisa certa, e quase recuei, mas lembrando das palavras de César, voltei a fitar o menino. Como resposta, ele me beijou. Nós fomos para a casa dele. Bruno era extremamente quente, e o contato com ele não podia ser diferente. Ele me despiu com leveza, me fazendo arrepiar. Me beijou os seios, o ventre, descobriu cada parte do que sempre foi uma incógnita pra você. Lembrei que você costumava elogiar o corpo, dizia sempre que ele era lindo, me deixando vermelha. Mas você nunca, nunca o descobriu. Ele o fez, baby. E o fez da melhor maneira possível. Eu precisava sentir desejável novamente, entende? Não, eu sei que não. Você nunca entenderá que se você não está aqui eu preciso de alguém que fique. Você nunca entenderá que eu preciso de alguém que me diga o que você não diz. E que mesmo assim, você ainda é o homem da minha vida.
Bruno me penetrou com vontade, de uma maneira tão verdadeira que eu quase pude sentir as suas células tocando o meu corpo nu. Foi extraordinariamente bom. E, sinceramente, B., eu não me arrependo de um segundo daquela noite. Nunca gostei de brincar de sentir, nunca fui fã crises de infantilidade. Não sou adepta a lei de que não sou sua, mas não posso ser de mais ninguém. Eu preciso me sentir viva! Preciso ouvir o meu coração pulsar, preciso sentir o sangue correr pelas minhas veias. E tudo o que eu havia feito por todo esse tempo era morrer por você, baby. Você não me queria, mas não me deixava ir. E é por isso que estou escrevendo, para avisar que contrariei a sua ordem: Estou me curando de você. Minha doença, minha obsessão, meu carma. Não escreva me pedindo para ficar, porque eu amassarei todo e qualquer novo bilhete. Venha, me olhe, me peça. Pegue as minhas mãos com força e as prenda na parede, me beije. Caso contrário, eu seguirei minha viagem sem rota, mas para bem longe de você.

Da sua eterna,
O.C