domingo, maio 02, 2010

Outras correntezas.

Meu B. (Que talvez já não seja tão meu para poder chamar...),
Sabe, hoje pela manhã eu senti tão grande o seu incomodo pelos meus cochichos com Alice, que senti que eu tinha a obrigação de te escrever, preciso te contar uma história. Será que você pode me ouvir? Será que você pode me emprestar um pouco da sua paciência para entender o que me aconteceu? Não sei, não sei mais. Mas eu vou te contar mesmo assim.
Ontem, eu encontrei César andando por aqui por perto, e o chamei para vir aqui em casa. Entre um gole ou outro de vinho, eu perguntei a ele sobre você. Desculpe, sei que não gosta que eu me meta na sua vida, mas não pude me controlar. E o que ele me disse foi que você está bem sem mim, que nunca houve vontade alguma de ter a minha presença na sua vida. Aquilo me doeu um tanto que nem sei explicar. E você me conhece, não é?! Depois do terceiro ou quarto copo eu não sei fazer muito além de desaguar em lágrimas. Pedi que César fosse embora com o intuito de me entregar às muitas garrafas que ainda haviam na geladeira, mas o telefone me fez mudar a rota. Era Fernanda. E eu não preciso nem comentar o que ela queria ligando para mim, não é? Juro que eu não estava com a mínima vontade de sair naquele dia, mas ela insistiu tanto que foi impossível dizer não. Pus a minha melhor roupa, e me arrumei como poucas vezes na vida. Se era pra esquecer você, eu deveria pelo menos estar a altura da noite que eu desejava ter.
B., você lembra do Bruno, não lembra? Aquele rapaz com que me trouxe para casa outra dia. É, ele estava lá. Bruno... Lembro que naquele dia eu me peguei pensando que se meu coração não fosse tão seu, eu poderia sem pensar me jogar naqueles braços fortes e tão receptivos. O olhar dele me tirou a roupa assim que cheguei, pude ler dentro das suas retinas o meu vestido vermelho ganhando vida e movimento, embalado pelas suas mãos. Arranjei um jeito de mencionar que iria embora, e pouco depois, me dirigi a saída. O que me aconteceu foi que o rapaz me esperava, extremamente lindo na porta da boate. Abriu a porta do carro vermelho, e me fez entrar. Nesse momento eu pensei não estar fazendo a coisa certa, e quase recuei, mas lembrando das palavras de César, voltei a fitar o menino. Como resposta, ele me beijou. Nós fomos para a casa dele. Bruno era extremamente quente, e o contato com ele não podia ser diferente. Ele me despiu com leveza, me fazendo arrepiar. Me beijou os seios, o ventre, descobriu cada parte do que sempre foi uma incógnita pra você. Lembrei que você costumava elogiar o corpo, dizia sempre que ele era lindo, me deixando vermelha. Mas você nunca, nunca o descobriu. Ele o fez, baby. E o fez da melhor maneira possível. Eu precisava sentir desejável novamente, entende? Não, eu sei que não. Você nunca entenderá que se você não está aqui eu preciso de alguém que fique. Você nunca entenderá que eu preciso de alguém que me diga o que você não diz. E que mesmo assim, você ainda é o homem da minha vida.
Bruno me penetrou com vontade, de uma maneira tão verdadeira que eu quase pude sentir as suas células tocando o meu corpo nu. Foi extraordinariamente bom. E, sinceramente, B., eu não me arrependo de um segundo daquela noite. Nunca gostei de brincar de sentir, nunca fui fã crises de infantilidade. Não sou adepta a lei de que não sou sua, mas não posso ser de mais ninguém. Eu preciso me sentir viva! Preciso ouvir o meu coração pulsar, preciso sentir o sangue correr pelas minhas veias. E tudo o que eu havia feito por todo esse tempo era morrer por você, baby. Você não me queria, mas não me deixava ir. E é por isso que estou escrevendo, para avisar que contrariei a sua ordem: Estou me curando de você. Minha doença, minha obsessão, meu carma. Não escreva me pedindo para ficar, porque eu amassarei todo e qualquer novo bilhete. Venha, me olhe, me peça. Pegue as minhas mãos com força e as prenda na parede, me beije. Caso contrário, eu seguirei minha viagem sem rota, mas para bem longe de você.

Da sua eterna,
O.C

3 comentários:

téka ~ disse...

Intenso, deliciosamente intenso. hihi


Beijinhos

Milla disse...

Intenso..Acho que só essa palavra pode descrever o texto todo e eu ainda concordo com as palavras finais dela "Venha, me olhe, me peça." Talvez sem isso ele sinta de verdade a perda que vai sofrer.

beijos

Mariana Leal disse...

liindo,intenso e perfeito