segunda-feira, junho 28, 2010

A outra menina de Plutão.

Não me sinto invadida, de maneira alguma. Quero, na verdade, conhecer a opinião de quem supostamente me invadiu. "Eu sinto Eva Cidrack", ela disse. Se ela sente e admira, não repudia. Então, outra menina de Plutão, fique mais. Experimente e mastigue as minhas letras. Seja bem-vinda a mim.


# Esse textinho foi escrito para Tamires Amorim no ano passado, quando descobri que ela lia o blog quando ele ainda era muito íntimo e quase impublicável. Li novamente hoje e senti a necessidade de divulga-lo.
# Vou aproveitar o post para divulgar a comunidade do Parte Exilada de Mim no orkut, feita exatamente por ela e pela Rosângela Pimentel. (clique aqui para ver a comunidade)
# Ah, aproveitando a deixa, quero divulgar também o meu perfil de moderação de comunidades, que andava meio adormecido. (clique aqui para ver o perfil)

:*

domingo, junho 27, 2010

Você,










Que concluiu dia desses que a Bailarina é de gesso e quebra fácil,
por favor, não quebre-a por esse seu humor de chumbo.

quarta-feira, junho 23, 2010

Como não pensar em você?

"Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?" {Caio F. Abreu}
(sim, é um texto antigo.)


Eu poderia contar milhares de defeitos em você, milhares. Poderia fazer com eles um livro. E o estranho é que eu te amaria da mesma forma: Intensamente. Você me disse que eu não tenho se quer cinco defeitos, mas não me ama. Numa escala, posso dizer que você foi quem me deu menos carinho em toda essa minha caminhada, mas eu te adoro. Enquanto a sua boca me confessou dia desses que de todos os seus amigos, amores, parentes, eu fui a pessoa mais carinhosa que você já teve, mas você não me quer. Não é estranho que conheçamos tão bem um ao outro e que você me faça estar num podium que se assemelha a perfeição, e eu te veja tão imperfeito? Não é estranho que seja eu quem morre de amores por você? Tenho odiado com todas as minhas forças tudo, tudo isso. Sabe, dia desses eu estava falando com uma amiga sobre a menininha que eu acho linda e estuda numa das salas de baixo. Brinquei: "Quero que minha filha seja exatamente assim", ela achou a menina ridícula, mas me surpreendeu quando disse que mais alguém tinha achado-a linda e que também torcia para ter uma filha assim. Esse alguém era você. Lembra de quando você ficou muitos dias sem aparecer? Antes que pudesse voltar, eu senti que você viria. E o pior é que minha mãe não para de falar o teu nome, e lhe atribuir milhares de qualidades. Seu pai até parou a motocicleta hoje só para perguntar como eu estava e me chamar de "menininha". Por que é que essas coincidências existem? Por que você me é tanto se eu lhe sou nada? E por que é que você não pode ser meu amigo sem acrescentos, sem anormalidades? Não custaria nada se essa força louca deixasse de agir e tentar me mostrar essas impossibilidades de maneira tão possível. Não custaria nada a lua não estar tão linda e não me lembrar você.

Eu queria tanto mudar sua vida...♫

terça-feira, junho 22, 2010

Vai com os anjos, vai em paz.




"É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora cedo demais
(...)
Vai com os anjos, vai em paz.
(...)
Eu sei
Que você está bem agora.
(...)


Do resto não sei dizer"






E não existe coisa mais brutal e verdadeira do que a morte nos invadindo os poros num dia comum. É inacreditável, até que passam os dias e a gente nota que tudo aconteceu e não se pode voltar atrás. Mais que saudade, vem o medo. A vida é algo realmente raro. O mais é indizível em palavras fáceis e intransponíveis.

-

Ainda que seja difícil para todos nós acreditar, sabemos que você está num lugar bom, porque merece estar.
Jonas, descanse em paz.
Por ser amor, invade, e fim.

domingo, junho 20, 2010

She wanted.


O que ela queria mesmo era bater naquela porta e encontrar um homem inteiro. Um homem sem medo de arriscar e ser feliz. Um homem que (olha só que coisa!) como ela, não tivesse medo de violar o horário de volta pra casa. Um homem independente das outras pessoas. Um homem que lhe fizesse se apaixonar novamente todos os dias. Um homem que pudesse ler nos seus olhos as suas inquietações. Um homem com quem ela fizesse amor até amanhecer. Um homem que não se gabasse por ele, mas por ela. Um homem que lhe tirasse o ar num olhar. Um homem que não lhe desapontasse seguidas vezes. Um homem que quisesse tê-la por mais alguns minutos. Um homem que fosse meio bossa nova e rock'n roll. Um homem que a amasse como ela o amava. O homem que ele já não é mais.

quinta-feira, junho 17, 2010

Saudade.


"Eu hoje tive um pesadelo
E acordei atento
(...)
O passado me traz uma lembrança
Do tempo em que eu era criança."



Hoje foi um dia no mínimo complicado. Eu ouvi de algumas pessoas que eu parecia triste, perguntaram-me milhares de coisas. Não sei o que houve comigo, mas sei que acordei nostalgica. E a minha nostalgia não pedia beijos quentes, nem grandes amores. Minha nostalgia pediu felicidade. Pediu que eu ainda fosse a menininha que pedia pra dormir na cama da mãe e do padrasto. Pediu aquela vontade de querer tomar sorvete gripada, de andar de moto, de tirar notas altas. Veio a saudade de quando pedir um abraço não era demais, não era carência, não era bobagem. Saudade de não sentir medos de perder grandes amigos. Ah, tudo acordou doendo por demais. Quero voltar no tempo! Quero ter uma das mulheres mais fortes que conheci do meu lado novamente. Me pergunto porque a vida leva as pessoas assim, sem piedade. Me controlo para não colocar a culpa nessa tal "força divina", e me pego aqui pensando em deixar a saudade de lado. Tentando esquecer as lembranças e os pesares todos. Tentando pensar em não pensar.

Pró, eu sinto sua falta.

terça-feira, junho 15, 2010

O rapaz do ônibus.


Era sábado. Chovia como eu nunca havia visto em Salvador, e em meus olhos. Peguei o ônibus das sete pedindo que ele não viesse lotado, e graças aos deuses, não veio. Sentei olhando as árvores no caminho, procurando me distrair. No outro ponto, vi subir um moço de vinte e poucos anos. All star vermelho e calça surrada, encharcada pela chuva. Apontou para o lugar vago ao meu lado, como que perguntando se podia se sentar, eu balancei a cabeça de maneira afirmativa. Voltei a me concentrar nas imagens que se passavam lá fora, embaçadas pelo frio daquela noite. O rapaz discou alguns números no celular e esperou.

- Marina, você sabe o quanto eu lhe esperei naquele café? -

A garota falava coisas que eu não podia ouvir do outro lado, mas podia imaginar. Já havia assistido essa história outras vezes, com outros personagens.

- Você sabe, Marina, sabe que eu arrisco o mundo inteiro para te ver, que eu faço mil sacrifícios só pra poder olhar para você e me sentir completo.
- Eu te amo, Henrique. - Pude ouvir a fala da moça, que parecia gritar.
- Não diga que me ama, por favor. Prove, Marina, prove esse amor.

O moço (que atendia pelo nome de Henrique, como eu havia descoberto) suspirou rápido. Daqueles suspiros que seguram a lágrima prestes a escorregar pela face. No fundo, eu me sentia igual aquele rapaz de tênis surrado. Ele, como eu, era dessa gente intensa, sensível. Gente que promete apenas algumas estrelas, mas costuma dar o céu. Henrique pôs fones no ouvido, fones que estavam altos como a voz da moça. Ele ouvia Eu te amo, do Chico. Foi aí então que pude me ler em meio aquela música, e as falas daquele menino que ainda povoavam a minha cabeça. Ele puxou o cordão para pedir o ponto, e se foi. Eu desceria no próximo. Seria a minha vez de cuidar dos meus sacrifícios e dores.

segunda-feira, junho 14, 2010

Daqueles amores eternos.

"Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
(...)
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo."

Era meia noite novamente, e ela ainda estava sentada no sofá, perdida em algumas (muitas) garrafas de vinho. Já havia perdido a conta de quantas havia aberto. Amanhã contrataria uma diarista, e ficaria tudo bem com a casa. O problema era só o seu coração. Quem viria limpar a bagunça que todos aqueles compromissos desmarcados e desculpas esfarrapadas haviam feito? A voz do Ney Matogrosso lhe estremecia todo o corpo, a cabeça tonteava, os olhos naufragavam em lágrimas doloridas. Aspirina não curaria nada daquilo. Mesmo assim, tomou algumas e deitou. Fazia frio, e parecia ainda pior quando ela se pegava pensando no quanto desejava o abraço quente dele, no quanto queria que aquela campanhia tocasse e eles fizessem daquela madrugada eterna. Mas mais uma vez, ele não iria. Ela apanharia todos os instintos selvagens e sonhos loucos para aquela noite, prenderia os cabelos bem arrumados e jogaria as velas fora. Desligaria o rádio na tentativa de controlar a chuva que lhe molhava a face, em vão. Continuaria chorando até dormir, para acordar no outro dia sentindo o vazio naquele lado direito da cama. Sonharia com ele, fato. Notaria como as curvas dela se encaxavam perfeitamente nas mãos dele, como sua boca tinha de cor toda a geografia do corpo dela. Acordaria em êxtase, fumaria um cigarro, tomaria um remédio para dormir, dormiria novamente. Levantaria da cama com a sensação de ter alguns quilos à mais, escovaria os dentes, o encontraria. Gozaria em seus lençois, se assim ele permitisse. Ele, com as pernas ainda trêmulas, borraria todo o seu batom. Ela reclamaria com algum receio de que ele se importasse. Ele apenas seguraria forte na sua nuca e enlaçaria a sua lingua fria com dela, lhe jurando amores. Ele a mandaria embora. Ela tomaria um café na esquina, deixaria o troco para o garçom e suplicaria apenas que o tempo passasse o mais rápido o possível, para poder vê-lo novamente.

sexta-feira, junho 11, 2010

Eu (s)em você.

(Texto escrito em Lauro de Freitas, numa noite fria.)
Só porque você não veio dormir comigo hoje, a noite foi perfeita. A lua está cheia, grande, linda. Fui ao teatro e assisti uma peça que tenho certeza que você adoraria. Pensei em você todo o tempo, te senti ao meu lado, tive vontade de tê-lo comigo. Depois cogitei a ideia de você não ter vindo por vontade sua, e ri lembrando da sua raiva quando expressei dúvidas em relação a sua vontade. Não tenho culpa se você não a expressa, menino. "Meu menino", eu digo, me deliciando com a ideia de te sentir um pouco meu, e com a sua concessão. Ao chegar em casa vesti-me com a roupa que vestiria se você estivesse aqui, ela tem escrito "be my valentine" em letra manuscrita. Você não é meu namorado, verdade, e talvez eu nem te queria assim, dessa maneira séria. Gosto do nosso jogo intenso, só queria tê-lo mais vezes, mas devo me acostumar. Me acostumar em não te mostrar e não te dizer o quanto penso em você, o quanto enlouqueço com a lembrança da sua voz no meu ouvido, do teu abraço, dos teus olhos, das tuas curvas. Me conformar em não te dizer que estou pateticamente apaixonada por você, meu amigo. Então fecho os olhos e penso: "Dorns bien, mon bebé", e já não preciso de mais nada além dos meus sonhos proibidos para descansar.

quinta-feira, junho 10, 2010

Papo de Botequim

Num dia de sol, lá pelo mês de fevereiro, juntaram-se numa só mesa alguns nomes da Música Brasileira. Cansados da vida corrida da caótica São Paulo, eles haviam combinado de papear um pouco. Entre um gole ou outro duma cachaça de rolha, Adriana Calcanhotto levantou-se da mesa e exclamou:
- Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar!
-Mas por esses dias?- Pergunta Djavan.
-Sim, talvez até hoje! E o pior: Disseram que o desastre começará pelo Brasil. Deus está chateado por demais conosco!
Nesse instante, sem pestanejar, levantou-se Manuel Rosa:
-Vamos fugir proutro lugar, baby!
Frejat rebateu:
- Não me venha falar de medo, Samuel!
- Mas Frejat, é bom a gente ir mesmo... Aqui tá fazendo calor, deu pane no ventilador. Tomei a costeira em Belém do Pará, puseram uma usina no mar. Talvez fique ruim pra pescar. – Diz Chico Buarque, já com voz fina de embriagues.
Ary Barroso levantou, indignado:
- O Brasil, meu amor, é Terra de Nosso Senhor! Terra boa e gostosa, da morena sestrosa de olhar indiferente. O Brasil, samba que dá, bamboleio que faz gingar! Eu é que não saio daqui!
- Não me convidaram pra essa festa pobre! – Diz Cazuza, cambaleando.
Todos riram, logo depois concentraram-se, cada um nos seus medos, em silêncio. Aos poucos, o clima do botequim foi ficando tenso. O garçom, notando o desânimo dos clientes, que antes estavam muito animados, resolveu ligar a TV. É sempre bom uma televisãozinha de vez em quando, até para eles, que eram tão cultos, sem contar que a TV transmitia sem cortes o carnaval, olha só que maravilha! Ele, como bom brasileiro, sabia que não existe nada melhor que mulher, suor, e cerveja. O carnaval de Salvador exibia o corpo seminu da cantora, e o ritmo puxava os olhos dos rapazes sentados à mesa. Caetano Veloso, envolvido pelo pagode baiano, passou a dançar e cantar, Gilberto Gil, não ficando atrás, cantarolava o Kuduro à todo gás. Os amigos olhavam assustados. Cazuza e Frejat, já com o diabo subindo ao quadril, cochichavam que eles deveriam ter bebido demais, e só. Caetano desmentiu, e rebateu:
- Meu amigo, num país onde cueca é lugar pra se guardar dinheiro, lata de lixo é lugar de se colocar criança, em que Igreja é sinônimo de dinheiro fácil, médicos se agridem em plena sala de cirurgia, deixando morrer uma criança e pais jogam filhos pela janela, você acha mesmo que dançar o Kuduro é o maior problema?
- É, eu acho que não. Você tem toda razão. – Diz Cazuza, encabulado. – E agora eu sugiro que nós peguemos a estrada em direção ao Rio, porque o carnaval está fervendo por lá também.
E pegaram, afinal. Foram todos os cantores de renome, e alguns de nem tanto renome assim, dançar junto com as mulheres vestidas (?) para sambar por todo o sambódromo.
- Mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher. – Cantava o Neguinho da Beija-Flor, inspiradíssimo pelos corpos fartos e dançantes.
Depois de recuperado o fôlego, resolveram viajar. Se o mundo realmente acabasse naquele dia, eles teriam que desfrutar de todas as belezas brasileiras. Que não são escassas, não envergonham, não deixam a desejar. Passaram por todo o litoral, tiraram um dia pra vadiar em Itapoã, ao sol que arde em Itapõa, depois tocaram a viola na praça Caymmi. Dançaram frevo em Olinda. No Nordeste viram gente forte, que vai à luta, que sabe o que quer, e não o povo fraco deitado na rede de pernas pro ar. Viram gente gritar na grande São Paulo. Descansaram em Ipanema, e foram direto para Minas, exploraram a Gruta de Maquiné. Viram crianças sorrirem e mulheres cantarem. Depois se deliciaram com chimarrão no Rio Grande do Sul. No final de alguns dias de viagem, todos descobriram que o mundo não iria se acabar. Era conversa, balela, como sempre. Deitaram-se todos sobre a grama, e Caetano se pronunciou:
- E desse tempo todo que passamos juntos, o que tenho a dizer sem medo, é que, em quanto houver Brasil, eu sou do camarão ensopadinho com Chuchu!
Riram-se e continuaram respirando todo o ar brasileiro, que, venhamos e convenhamos, é bom por demais de inspirar e expirar. E só pra depois bater no peito e dizer: Eu sou brasileiro, com muito orgulho, e com muito amor.

# Texto publicado à pedido de Luciana Lustosa, minha professora de geografia, que pediu (praticamente ordenou) que ele fosse divulgado aqui. :)

terça-feira, junho 08, 2010

Eu.

... Vasculhar as gavetas nem sempre é bom.

Sei, que ainda que você não enxergue, esse alguém que te aprecia imensamente todos os dias sou eu. Eu, falando com você, sentindo meu coração acelerar. Eu, tentando disfarçar e pedindo que as minhas bochechas não avermelhem (de novo). Eu, sentindo as tuas costas. Eu, pedindo secretamente para cuidar do seu machucado. Eu, controlando as palavras quase rompendo os meus lábios. Eu, te oferecendo todo o amor que há em mim e pedindo que você o enxergue e aceite. Eu, amando a você bem mais que a mim mesma.

domingo, junho 06, 2010

Eu, sentimento e Chicos.


Mal entrávamos na sala, e o cheiro de cultura já me encantava um tanto incrível. As luzes se apagaram e o "climinha europeu", como diziam as minhas amigas, me fez arrepiar. Logo depois, a música. Quando a mulher subiu ao palco na ponta dos pés, juro que as minhas pernas tremeram, o mundo inteiro despencou. "A bailarina...", ressoava firme a voz do Chico, fazendo jus ao nome do espetáculo. Há quantos meses ganhei esse apelido? Não sei. Sei que foi num dia 22 de qualquer um desses meses que parecem breves. Um arrepio me subiu à espinha, e meus olhos marejaram. Antes que percorresse meu rosto, eu arranquei a lágrima de supetão. Arranquei como queria arrancar todo aquele sentimento, todas aquelas lembranças que me tomavam pelos braços por aquela música, aquela moça, aquele apelido. Justo quando eu tinha saído da minha velha cidade para pisar outros ares e esquecer. Mas tudo que fiz foi ver meus sentimentos aflorarem em meio aquele repertório maravilhoso de músicas, aquele cheiro bom de felicidade embalado à bom gosto, estilo, cultura, teatro. Me foi extraordinário cada novo ato, fala, suspiro dos atores. Foi então que, sem perceber, eu te quis ao meu lado, prestigiando a homenagem a um dos seus mestres preferidos. Balancei a cabeça para arrancar de novo, agora os pensamentos. Por consequência, me invadiram outros. Havia tanta gente por ali querendo gritar, querendo sentir. Por que haveria de ser você o rapaz dos meus sonhos? Se anda tão cabisbaixo, sem poder levantar a cabeça e enxergar o horizonte além, tão bonito. Não sabendo sentir o gosto delicioso de ousar, experimentar, se permitir. Há gente maior andando por essas ruas, há gente mais gente que você para encantar o meu coração. Eu quero mesmo é esse horizonte bonito. Toda essa maravilha de poder encontrar almas siamesas a minha. Siamesas como a sua não é, ainda que eu nunca tenha deixado de ansear por isso.

# Ps: A peça a que me refiro no texto é o espetáculo Chicos-Uma comédia musical, que assisti no último sábado, em Feira de Santana. Maravilhosamente bem feita, com ótimos atores e recursos de iluminação. Recomendo!

sexta-feira, junho 04, 2010

A declarar.

Depois da tarde fria de hoje, das palavras jogadas fora, atadas e desatadas mil vezes, tenho a declarar:
Aos amigos: Que por favor, por mim, por Deus, parem! Quando digo parem, digo para que deixem de me encher de esperanças. Parem de falar sobre ele, de mencionar sobre o seu possível (e irreal) sentimento. A partir de hoje, aquele nome está permanentemente proibido. Vamos ao teatro amanhã, não vamos? Por favor, me façam esquecê-lo para que eu volte a ser feliz.
Aos pais: Esqueçam de que eu existo, só por hoje. Por hoje não me peçam para falar nada, fazer nada. Me deixem de canto, no meu quarto, no meu lugarzinho, ouvindo as minhas músicas e armando os meus incensos.
A ele: Além do que disse, o que eu ainda poderia te dizer, meu bem? É, fiquemos assim. Continuemos nos nossos caminhos deveras divididos. E você sabe qual é a próxima etapa, não sabe? Não, eu não estarei te fazendo de bobo. Não estarei te usando. É que a vida é feita de escolhas, entende? A minha foi você. Mas a sua... A sua não fui eu. Então, o que mais posso fazer além de enveredar por outro caminho? Você sabe que eu preciso de alguém para mim. Eu só espero que agora deixe de doer o fato de ele não ser você.

quinta-feira, junho 03, 2010

Ah, literatura!


Apontaram às 11h40 do dia, e ela não resistiu. Se pôs a ir ao encontro dele, esquecendo a sua mania de superioridade e até as lágrimas de minutos atrás. Quando o viu, ele fez sinal para abraçar-lhe. Abraçou-lhe e desceu as escadas. Ela, que haveria de subir, inventou qualquer desculpa para descer também. Ele voltou a subir e disse que assistiria a sua aula. Era literatura (ah, literatura!). Na aula, os alunos leriam um conto de Machado de Assis que ela já conhecia. Se candidatou à leitura, escolhendo as partes mais envolventes. Descrevia os personagens como se o descrevesse, falava com força e leveza ao mesmo tempo. Mirada na leitura, não reparou se ele lhe olhava ou ouvia. O que soube, foi que quando levantou os olhos ele lhe pareceu pensativo, longe, quase preocupado. Continuo a ler outras partes, em voz alta, para toda a turma. Mas para ela, só havia ele na platéia. Leu sobre o sonho adolescente do personagem, e depois de recobrar o folêgo, fez ressoar a voz em meio a sala completamente concentrada:

Que não possamos ver os sonhos uns dos outros! D. Severina ter-se-ia visto a si mesma na imaginação do rapaz; ter-se-ia visto diante da rede, risonha e parada; depois inclinar-se, pegar-lhe nas mãos, levá-las ao peito, cruzando ali os braços, os famosos braços. Inácio, namorado deles, ainda assim ouvia as palavras dela, que eram lindas cálidas, principalmente novas, - ou, pelo menos, pertenciam a algum idioma que ele não conhecia, posto que o entendesse (...) E tornando, inclinava-se, pegava-lhe outra vez das mãos e cruzava ao peito os braços, até que inclinando-se, ainda mais, muito mais, abrochou os lábios e deixou-lhe um beijo na boca. Aqui o sonho coincidiu com a realidade, e as mesmas bocas uniram-se na imaginação e fora dela.

Quando arriscou um olhar, ele tinha os olhos grudados no livro. Ao soar do alarme, ela desceu as escadas. Ele lhe pareceu dócil, atrativo. Ela o abraçou sem medo de parecer carente, e afundou a face no seu peito. Ele sorriu, acariciando a sua cabeça, e logo depois as costas. Ficaram assim por um bom tempo. Ela trocaria a eternidade por ele. Ela viveria a eternidade com ele.

quarta-feira, junho 02, 2010

Change (mode on)

Tudo o que eu queria naquele momento era fugir. Calçar as minhas botas já batidas e seguir por um outro rumo. Esquecer amores, verdades, vontades, lágrimas. Tudo o que eu queria era fumar aquele velho cigarro à beira da praia. Tudo o que eu desejava era sentar ao lado do Vinicius no farol de Itapuã. Tudo o que me tomava era o desejo de vestir aquela minha saia longa, aquela minha sandalia rasteira, soltar o cabelo e andar por ai. Não queria amor, não queria carinho, não queria estar com ele. Eu queria era estar comigo, como há muito não faço. Me esqueci em alguma esquina escura dessa cidade qualquer, e estou cansada dessa nova menina que tomou o meu lugar. Eu não me quero mais, não assim. Quero poder esquecer e me livrar de todas essas coisas que me tomam. Quero não relembrar passado, não fantasiar o futuro, nem desaguar no presente. Quero me levantar e estar livre, limpa, com a mesma boca cheia de dentes à mostra. E a partir de hoje, eu vou me mudar. Tudo. Exatamente tudo. Dane-se a filosofia, o amor e todo o resto. Danem-se todas as barreiras. Eu quero é ser feliz.

terça-feira, junho 01, 2010

Eu não aceito.

"E a historia que nem passou por nós direito
ainda, pr'onde é que foi?"

Moço, tenho que contar-lhe uma coisa: Hoje meu dia se resumiu em você. Parece absurdo que isso tenha acontecido, mas eu não pude me conter quando achei algumas das nossas conversas antigas enquanto vasculhava o computador. Foi delicioso relembrar alguns momentos de carinho além do normal para dois amigos firmes como eramos naquela época. Lembrei dos teus comentários sobre o meu olhar penetrante, das nossas brincadeiras quentes, daquela história... Você se lembra? Nós liamos ao mesmo tempo e mandavamos partes que lembravam um ou o outro. Eu vi, nas letras em ítalico, as frases dos personagens que muito bem se encaixariam nos seus lábios, eu tinha absoluta certeza dos teus sentimentos naquela época. Me pergunto em que ponto perdemos o foco. Me pergunto em que momento você deixou de me abraçar todos os dias pela manhã. Me pergunto quando foi que nós deixamos nossos jogos quentes de lado, e quando deixamos de nos chamar por apelidos carinhosos, só nossos. Confesso que lembrei de tantos momentos que os meus olhos quase trairam a minha resistência. É, garoto, acho que chegamos ao fim. E tudo me parece tão ameno que estou quase enlouquecendo. Não é possível! Você não vai gritar comigo e dizer que eu não entendo você? Você não vai me dizer que eu sou uma menina muito muito chata e sair correndo para me pegar no colo depois que eu sair com a cara mais emburrada do mundo? Você não vai me ligar só para dizer que está feliz porque o seu time ganhou o campeonato brasileiro? Você não vai me abraçar e dizer que não vai soltar nunca mais? Será mesmo que é só isso? Que não tem mais jeito? Eu não consigo, não quero, não posso acreditar que você nunca mais vá me dar satisfações sobre a hora de chegar em casa, nem me pedir para não sair. Que você nunca mais vai me perguntar se eu não quero ir dormir com você, e nem me sacanear me chamando pelo segundo nome que eu odeio, me deixando roxa de raiva, só para depois comentar que fico muito bonitinha assim. Eu não aceito que você me cure de você. Não aceito que você jogue fora o seu sentimento por mim e as coisas boas que fomos. Não aceito deixar de ser a primeira garota em quem você pensa quando ouve a palavra "carinho". E eu te digo porque: Pelo simples fato de que eu ainda ter a sua respiração correndo por todos as minhas veias, e saber que uma parte do meu coração ainda bate do teu lado esquerdo do peito.