segunda-feira, junho 14, 2010

Daqueles amores eternos.

"Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
(...)
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo."

Era meia noite novamente, e ela ainda estava sentada no sofá, perdida em algumas (muitas) garrafas de vinho. Já havia perdido a conta de quantas havia aberto. Amanhã contrataria uma diarista, e ficaria tudo bem com a casa. O problema era só o seu coração. Quem viria limpar a bagunça que todos aqueles compromissos desmarcados e desculpas esfarrapadas haviam feito? A voz do Ney Matogrosso lhe estremecia todo o corpo, a cabeça tonteava, os olhos naufragavam em lágrimas doloridas. Aspirina não curaria nada daquilo. Mesmo assim, tomou algumas e deitou. Fazia frio, e parecia ainda pior quando ela se pegava pensando no quanto desejava o abraço quente dele, no quanto queria que aquela campanhia tocasse e eles fizessem daquela madrugada eterna. Mas mais uma vez, ele não iria. Ela apanharia todos os instintos selvagens e sonhos loucos para aquela noite, prenderia os cabelos bem arrumados e jogaria as velas fora. Desligaria o rádio na tentativa de controlar a chuva que lhe molhava a face, em vão. Continuaria chorando até dormir, para acordar no outro dia sentindo o vazio naquele lado direito da cama. Sonharia com ele, fato. Notaria como as curvas dela se encaxavam perfeitamente nas mãos dele, como sua boca tinha de cor toda a geografia do corpo dela. Acordaria em êxtase, fumaria um cigarro, tomaria um remédio para dormir, dormiria novamente. Levantaria da cama com a sensação de ter alguns quilos à mais, escovaria os dentes, o encontraria. Gozaria em seus lençois, se assim ele permitisse. Ele, com as pernas ainda trêmulas, borraria todo o seu batom. Ela reclamaria com algum receio de que ele se importasse. Ele apenas seguraria forte na sua nuca e enlaçaria a sua lingua fria com dela, lhe jurando amores. Ele a mandaria embora. Ela tomaria um café na esquina, deixaria o troco para o garçom e suplicaria apenas que o tempo passasse o mais rápido o possível, para poder vê-lo novamente.

Um comentário:

Erica Vittorazzi disse...

Eva, muito bom!!! Fiquei presa do começo ao fim.


beijos