sábado, julho 31, 2010

Alien(ação).



Esses dias eu me deparei com uma notícia assustadora. De repente, jornais, rádios, Tv, internet... Todos os meios de comunicação falavam sobre a mesma coisa: O caso 'Bruno' (acho engraçada essa mania da mídia de colocar nos crimes os nomes de seus feitores ou vítimas, a depender da situação financeira). Sentei para entender o que estava acontecendo, e sinceramente, não consegui pensar na possibilidade de ele não ter matado a tal moça. Minha indignação surgiu ali, mas logo baixei a guarda. O que não durou muito tempo. Qual foi a minha surpresa, quando presenciei um debate sobre o assunto, e pude notar que a minha opinião se diferenciava da opinião de outras pessoas. E juro, não foi isso o que me incomodou. O que realmente pesou foi o fato de que todas as defesas se estabeleceram pelo simples fato da alienação que o fanatismo causou. De repente, todas as provas eram pequenas, todas as evidências eram mentira. De repente, a moça se tornou alguém que tinha pedido a própria morte. Ah, façam-me o favor! Quando o caso era o Eloá, o Suzane von Richthofen, o João Hélio (alguém lembra?), o Isabella Nardoni, não haviam duvidas, ou tentativas de inocentar os assassinos. Por que com Bruno seria diferente?
Anuncio: Estou sim indignada. Tenho sim direito de me indignar, assim como fiz todas as outras vezes em que crimes grotescos ocorreram. Não, ele não é meu pai, meu irmão, um amigo próximo. Mas se fosse, isso o faria menos culpado? Quer dizer então que por amar alguém eu devo deixar que ele acabe com a vida de outras pessoas? Se a moça fosse mãe, irmã, amiga, de qualquer um dos fãs exacerbados e alienados, ele seria menos culpado, e ela menos gente? Postos à prova, os defensores buscam até desumanizar Eliza Samudio pela sua profissão. Mas, olha só que coisa: Ela era humana. Humana como você. De carne, osso, coração. Carne que foi devorada. Ossos que foram concretados. E não venha, motivado pelo seu fanatismo, tentar me provar o contrário.

# Era pra esse texto ter sido postado aqui há tempos, mas a correria não me permitiu. Quero deixar claro que esse não é um texto anti flamengo (embora eu não tenha simpatia alguma pelo time). Eu só tentei expressar a minha opinião em relação a alienação, cada vez mais presente nessa geração. A lei "parafuso e fluido em lugar de articulação", que foi cantada há anos atrás, parece se encaixar muito mais agora. Não peço desculpas aos meus leitores flamenguistas, pois sei que alienação deve (ou deveria) passar bem longe deles.

domingo, julho 25, 2010

A boca vermelha de uma dama louca V.

- Alô.
- Bom dia.
Fez-se silêncio.
- Raica? O que houve?
- Nada, Luiz, nada.
- Ei, será que posso aparecer por ai hoje?
- Venha.
Ela desligou, ele preferiu não retornar. Em alguns instantes, o moço já tocava a campainha do seu apartamento. Encontrou-a de cara feia, olheiras enormes, pijamas e pantufas.
- Você não está chateada comigo, está?
Raica não respondeu. Apenas desviou o olhar e focou na xícara de café que segurava.
- Raica...
Ele nunca a havia chamado pelo nome, e aquilo só piorou. Ela havia estupidamente adorado a voz dele chamando-a. Ela adorava o cheiro do seu perfume. Ela o adorava e se odiava por não conseguir odiá-lo. Ela tinha vontade de beijar-lhe a boca e rasgar-lhe a face. Tinha raiva, paixão. Tinha vontade de expulsá-lo dali. Tinha vontade de abraçá-lo para nunca mais soltar. Era um misto de sensações de endoidecer. Puxou a respiração de dentro do peito.
- Luiz, em algum momento da sua vida você já amou muito alguém?
- Eu não vim aqui para falar de amor com você.
- E por que não comigo?
- Porque você não é mulher pra mim, Raica.
O orgulho da moça desabrochou firme e ferido. Podia agüentar muito, mas aquilo já era demais. Luiz havia tocado brutalmente na parte mais frágil da ferida de Raica. Havia soltado numa só frase todos os seus demônios.
- Saia daqui, Luiz, agora. – Gritou.
- Mas, Raica...
- Não fale comigo, não me dirija a palavra. Vamos, saia. Fique longe. Vá embora, Luiz, agora!
Chorou um dia inteiro. Desligou o celular, a TV, o computador, o mundo. Buscou em si mesma a força para levantar novamente. Voltou a trabalhar. Muito mais, inclusive. Precisava gastar o tempo, ocupar a mente, o corpo. De vez em quando seu celular tocava a música dele de novo. Ela nunca atendia. Deixava cair a ligação. Até que um dia pôde perceber que se não atendesse, não iria nunca parar de sentir aquelas borboletas insuportáveis no seu estômago.
- Alô.
- Alô, Raica? Sou eu, Luiz. Por favor, não desligue. Me deixe falar com você.
- Fale, Luiz.
- Desde aquele dia que sai do seu apartamento, eu não consegui parar de pensar em você. No quanto fui bobo em te dizer aquilo. Você é sim mulher para mim, Raica. Aliás, a única mulher que me completou na vida. Por favor, me perdoe. Me deixe te mostrar cara a cara. Me deixe te fazer sentir.
- Me encontre naquele mesmo lugar.
Desligou. Arrumou-se, foi. Luiz a levou para o mesmo motel que o daquele primeiro de agosto. Não se falaram todo o caminho. Quando fechou a porta, Raica o beijou.
- Raica...
- Shhhi! Não fale nada não. – Puxou o lenço que tinha no pescoço, e amarrou a boca do rapaz. - Hoje eu vou te proporcionar uma noite diferente.
Jogou-o na cama, enquanto beijava-lhe o pescoço. Prendeu-lhe os braços.
- Gosta de algemas, Luiz?
Depois de completamente nus, a moça trabalhou como uma lady. O rapaz suspirava, ardia, suava. Todo o corpo tremia. Enquanto se movimentava rapidamente, prendeu o braço de Luiz em uma das algemas. Ele pareceu vibrar ainda mais com a ação. Com a mão livre, tirou o lenço da boca, e puxou-lhe os cabelos para cochichar algo no ouvido.
- Raica, eu não sei viver sem você.
Com um sorriso atrevido no rosto, controlando todos os movimentos de Luiz, Raica prendeu-lhe o outro braço.
- É mesmo Luiz? – Fechou a algema. – Uma pena...
Levantou-se de supetão, rindo-se. Vestiu-se, acompanhando o olhar assustado do rapaz e a sua tentativa para falar. Não perdeu a oportunidade de pegar o dinheiro sobre o criado mudo, e arremessar nas fuças dele.
- É, você não mentiu. Eu não sou mesmo para você. Sou mulher demais para que você possa pensar em ter. Até nunca mais, Luiz.

A porta se fechou. Raica sentiu-se livre. Não tinha mágoa, nem vontade, nem sequer saudade. Talvez houvesse um pouco daquele dose brutal de paixão. Mas sabia que alguns programas e tempo resolveriam. Raica não havia sido feita para um homem só. Guardava amor demais para ser divido apenas em dois.

A boca vermelha de uma dama louca IV

- Capitu, essa é minha mãe, Estela. Mãe, essa é minha namorada, Capitu.

Rubra, Raica tentou se recompor para cumprimentar Estela.

- Prazer em conhecê-la Capitu. Que nome bonito! E a moça mais ainda. Parabéns, meu filho.
Luiz sorriu.
- Obrigada, dona Estela. O prazer é todo meu.

Verdade que já tinha sido apresentada como namorada trilhões de vezes. Verdade que já tinha estado em festas iguais, ou até melhores que aquela. Mas alguma coisa soava diferente na voz de Luiz, algo lhe fazia se sentir muito bem em meio a tudo aquilo.
Passaram dias vendo-se todas as noites. Raica sabia que aquilo era um risco, entendia que estava brincando com fogo, mas não se importava mais em se queimar. Gostava do luxo que Luiz expirava, gostava daquelas noites, do sexo com ele, gostava dele. Por vezes, dispensava todos os clientes e se guardava para o rapaz. O seu trabalho havia perdido a graça. Um dia, ela parou, a pedido dele, de encontrar-se com outros homens. Dispensava todos, até estacionar na esquina da 25 de março o conhecido carro vermelho. De vez em quando, ela chegava quase a cogitar a idéia de casar-se, mas sabia que um dia esse sonho acabaria. Contou no calendário: Um mês. Lembrou-se de uma citação do filme Doce Novembro: “Um mês é tempo suficiente para não ter nada sério... e para se tornar inesquecível na vida de alguém”. Não era novembro, verdade. Estavam num agosto frio. Sweet August, pensava. Lembrando-se de como todos aqueles dias a haviam marcado.
Arrumou-se mais naquele dia, queria que ele fosse único, e foi, mas talvez não da maneira que desejava. Quando o salto quinze de Raica soou firme na calçada, ela se deparou com algo que desmanchou as suas esperanças. Conhecia aquele carro, aquelas mãos. Conhecia a moça que estava debruçada sobre a janela. Conhecia o sorriso dela de noite boa. Um torpor lhe subiu a cabeça e ela precisou segurar a parede para se apoiar.

- Não, Raica, você não tem porque sentir isso. Ele não é nada seu. Ele não é sequer seu amigo, quem dirá o seu homem. Vamos, mulher, reaja. – Pensava.

Equilibrou o passo e manteve a elegância. Os olhos insistiam em traí-la, molhados. Posicionou-se no seu ponto e observou de longe a moça entrar sorridente e vitoriosa no carro, enquanto o seu coração beirava um infarto e a sua face molhava. Não podia ser assim, ela sabia. Havia sonhado demais, se entregado demais, se esquecido demais. Naquela noite, o cigarro não lhe foi suficiente. Engatou mais programas que o comum, para curar aquela sensação ruim de impotência. Bebeu mais do que podia e acordou pedindo à rego no outro dia. Olhou o celular: 10 ligações perdidas. Luiz. Não retornou. Mas não demorou muito para que ela pudesse ouvir o toque conhecido que era só dele.

sábado, julho 24, 2010

A boca vermelha de uma dama louca III

Luiz estacionou o carro num prédio de luxo, que parecia residencial.
- Espere aqui. – Disse-lhe após estacionar o carro.
Depois de alguns instantes, Luiz já apontava descendo as escadas da recepção. Levava algo nas mãos que Raica tentava identificar com algum esforço. Entrou no carro com rapidez. Parou numa das ruas escuras da cidade.
- Tome, vista-se. Hoje você vai acompanhar-me numa noite diferente.
Era um vestido caro. Raica suspirou ao sentir aquele cheiro bom de grife, mas procurou disfarçar. Mostrar-se interessada por um presente de cliente estava fora de cogitação.Abriu os botões da sua blusa, enquanto Luiz a encarava. Não havia na face da terra homem que não desejasse os seios fartos e a cintura esculpida daquela mulher.
- Acho que podemos nos atrasar um pouco.
O homem surpreendeu-a num beijo longo e ávido. Despiram-se ali no mesmo, em meio ao som do blues que tocava no carro de Luiz. Raica havia perdido as contas de quantos corpos nus haviam tocado o dela, mas nunca havia sentido tamanha vontade de que a noite durasse mais. Os dois colavam de suor, entre beijos, mordidas, arranhões. Sexo selvagem e descuidado. Prazer dilatando os poros.
Luiz sugeriu que voltassem ao seu apartamento, afinal, precisavam urgentemente de um banho. Um só banho mesmo. Dividiram o mesmo chuveiro, entre mais beijos e afins. A essa altura, Raica quase havia esquecido de que estava trabalhando. Lembrava-se só quando o rapaz insistia em chamá-la de Capitu, ou simplesmente de “moça”. Vestiu-se ainda sem saber o que mais aconteceria naquela noite. Desceu as escadas atendendo o chamado de Luiz vindo da sala de jantar.
- O que você sabe sobre etiqueta, Capitu?
Raica não respondeu. Sentou-se a mesa, e agiu conforme todas as regras. O moço não escondeu a surpresa.
- Onde você aprendeu tudo isso?
- Acho que eu não estou aqui para responder perguntas, e você não está aqui para fazê-las, não é?! Vamos nos atrasar mais.
Fria, calculista, independente, era essa a imagem que queria passar, e passou. Era a cena suficiente para ocultar o seu coração aos pulos. Luiz estacionou o carro na garagem de uma mansão que quase marejou os olhos de Raica. Ela estava inegavelmente deslumbrada com tudo aquilo. Notou que uma mulher de idade chamava Luiz com ânimo. Eles achegaram-se.

domingo, julho 18, 2010

A boca vermelha de uma dama louca II.

A moça assustou-se. Podia lembrar sem esforço do codinome que se dera para apresentar-se ao rapaz: Capitu. Dera-se esse nome por conta do livro que havia ganhado do seu pai antes de sair de casa. Adorava o enredo, a sedução da personagem principal da história. Sentia-se Capitu. Dotada de beleza, mil encantos, e também daqueles olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Nunca, em toda o seu tempo de profissão, um cliente havia descoberto o seu nome verdadeiro. Puxou o ar o mais fundo que pode, tentando manter a normalidade:

- Não, não, Capitu. Você deve estar me confundindo.

- Você foi a única mulher de cabelos cacheados ruivos e olhos verdes que entrou no meu carro por esses tempos. E a única que deixou cair a identidade do bolso. - Falou, mostrando a Raica o documento entre os dedos.
A moça bateu a mão na testa como sinal de autoreprovação. Não podia ter deixado aquilo acontecer. Um cliente que descobrisse o seu nome, estaria descobrindo a verdadeira mulher que havia por trás de todos aqueles disfarces noturnos. Disfarçou o desconforto e puxou com rapidez o documento da mão de Luiz.

- Obrigada, Luiz.

- Ora, vejo que não fui só eu quem aprendeu um nome novo por esses tempos.

- Costumo me lembrar dos nomes dos meus clientes recentes. Depois esqueço.

Pronto, era o xeque-mate. Raica havia sido fria, como queria. A frase teve o poder de fazê-la se recompor e voltar a controlar o jogo de descobertas que aquele rapaz impertinente lhe proporcionava.


- Acho que você já fez o que desejava, não é?! Agora com licença, eu preciso trabalhar.

O rapaz hesitou um pouco, e continuou:

- Mas... Capitu! Hum, o nome não é mau. Será que encontrei pelas esquinas de São Paulo uma leitora de clássicos?


Sim, talvez ele houvesse encontrado. Vinda de uma família de intelecto, Raica havia sido iniciada no "caminho da leitura" desde cedo. Quando estava de folga, sempre lia para passar o tempo.

- Não, não. Li esse livro uma vez, por curiosidade, só. Não gosto de ler. - Falou, tentando desempolgar o rapaz, mas não obteve muito sucesso em sua mentira.
- De qualquer forma, Capitu, acompanha-me esta noite?
- Claro, estou aqui para isso mesmo.

A ideia era demonstrar o seu compromisso com o trabalho, mas no fundo, ela começava a pensar que talvez não fosse só isso. Sabia que duas vezes era o limite máximo para atender um cliente. Se tratando de homens como Luiz, uma seria de bom tamanho. Só que algo dentro dela não lhe deixava negar o pedido do rapaz. Algo já começava a fisgar timidamente o seu coração, e ela teria que se livrar disso.

...Continua.

# Meus amores, tá aí a continuação da história da Raica. Desculpem-me a enrolação (não é Tamires?), mas é que esses dias estão meio cheios para mim. Amor e escrita numa Eva só pode pesar um pouquinho! haha. ;)

terça-feira, julho 13, 2010

A boca vermelha de uma dama louca.


"Minha profissão
É suja e vulgar
Quero um pagamento
Para me deitar
E junto com você
Estrangular meu riso
Dê-me seu amor
Dele não preciso."


Era início da madrugada quando Raica adentrou a rua 25 de março, e recostou-se sobre a parede, numa esquina. Acendeu um cigarro e arrumou seus cabelos cacheados vermelhos. Havia começado o serviço um pouco mais tarde naquele dia, e as outras mocinhas estavam felizes, pois sabiam que com ela lá arranjar qualquer homem ficava difícil. Raica era uma ruiva linda, e, diferente das outras, gostava do que fazia. Havia naquela moça uma fome de libido, de gozo, de loucura. Fazia da sua vida uma jogatina, roubava no jogo, enganava os jogadores já viciados pelo seu corpo simétrico. Não se importava, não. Queria mais era que vestissem a roupa e pagassem o seu dinheiro. Limpava o batom, retocava a maquiagem, e estava pronta para a próxima rodada da noite. Constantemente, os seus clientes voltavam. Enchiam-lhe de presentes, pediam-na em casamento, juravam amor eterno. Ela ria-se. Achava engraçado ver todos aqueles rapazes loucos, que nunca seriam mais que a sua garantia de bolso cheio. Se muito lhe irritavam, ela trocava de ponto, de nome, de disfarce. Era Maria, Augusta, Carina. Quase nunca Raica. Raica ela só era para os (poucos) amigos que tinha ganhado com o passar do tempo.

Naquele dia a noite parecia diferente, o movimento estava fraco, ameaçando uma chuva. Raica já tinha fumado o seu quinto ou sexto cigarro. Estava quase indo embora, quando um carro vermelho parou a sua frente. O homem não falou, apenas olhou-a, como forma de perguntar se estava em serviço. Ela balançou a cabeça afirmativamente, e ele abriu a porta do carro para que ela entrasse. O moço, ela notou que se chamava Luiz, quando disse seu nome para um quarto num daqueles motéis de requinte, exatamente como Raica adorava. Ela fez o seu papel, foi paga, e deu por encerrada a noite de trabalho.

Os dias continuaram chuvosos, e ela decidiu dar-se umas férias. Não suportava trabalhar com chuva. Passou uma semana de pernas para o ar, mas depois acabou desistindo de esperar o tempo chuvoso passar, antes que o bolso começasse a dar sinais de que esvaziaria. Antes que pudesse se aquietar no seu ponto, uma das suas colegas lhe acenou.


- Raica, um homem veio aqui todos esses dias procurando por você.
- Todos os dias homens procuram por mim. - Brincou.
- Mas esse parecia estar muito interessado, deixou até o cartão.
- Ah... Eu gostava tanto desse ponto! - Falou, já premeditando uma fuga.


Olhou o cartão e viu impresso nome dele: Luiz Durans. Fez algum esforço para lembrar-se quem era e depois despertou. Não se esqueceria nunca do cheiro de luxo que aquele lugar tinha, dos lençóis azuis que faziam conjunto com o belo par de olhos do rapaz. Amassou o cartão, jogou-o fora. Não tinha o costume de ligar para clientes, nem de atendê-los muitas vezes. Era uma romântica nata, e apegava-se fácil fácil. O céu desabava sobre a sua cabeça, a maquiagem derretia pela sua face, quando estacionou novamente na esquina o carro vermelho que ela lembrava de cor. O vidro baixou, e os olhos azuis do rapaz pousaram novamente sobre os seus olhos verdes.

- Raica, não é? - Disse Luiz com um sorriso atrevido no rosto.
... Continua.

# Há tempos não publico um conto aqui, não é? Depois do La Noche, estou começando A boca vermelha de uma dama louca, espero que gostem. :)


A boca vermelha de uma dama louca II.
A boca vermelha de uma dama louca III.
A boca vermelha de uma dama louca IV.
A boca vermelha de uma dama louca V

segunda-feira, julho 12, 2010

Reblog.

Eu tenho (x) e ajo como (quantidade de afirmações que marcou)

[X] Você sabe como fazer café
[X] Você acompanha as datas usando o calendário
[ ] Você tem um cartão de crédito / débito
[ ] Você sabe como mudar o óleo em um carro
[] Você já fez a sua própria roupa
[X] Você pode votar em uma eleição
[X] Você pode cozinhar para si mesmo
[X] Você acha que a política é interessante
+ 5

[X] Você chega na escola tarde
[X] Você sempre leva uma caneta / lápis na sua bolsa / bolso
[X] Você nunca foi detento
[X] Você esqueceu seu próprio aniversário
[X] Você gosta de passear sozinho
[X] Você sabe o que significa credibilidade, sem olhar para cima
[X] Você bebe cafeína pelo menos uma vez por semana
+ 7

[X] Você sabe como lavar os pratos
[X] Você pode contar até 10 em outro idioma
[X] Quando você diz que vai fazer algo, faz
[X] Você pode cortar a grama
[ ] Você estuda, mesmo quando você não tem que estudar
[ ] Você tem um carro limpo antes
+ 4

[ ] Você pode significar experiência, sem olhar para cima ?
[ ] O povo do Starbucks conhece você por nome
[X] O seu tipo favorito de comida é a de fora
[X] Você pode ir à loja sem ter algo que você necessite
[X] Você entende piadas políticas a primeira vez que são ditas
[X] Você pode digitar muito rápido
+ 4

[ ] Seus amigos são apenas a partir do seu local de trabalho
[ ] Você foi a uma festa Tupperware
[ ] Você percebeu que quase ninguém levará a sério a menos que você tenha mais que 25 e tenha um emprego
[ ] Você tem mais contas do que você pode pagar
[X] Você vai à praia
[X] Você usa a internet todos os dias
[ ] Você já foi para fora de seu país três ou mais vezes
[X] Você faz a sua cama na manhã
+ 3

TOTAL: 23


- Eu tenho 16 anos, e ajo como alguém de ... 23? :O

sábado, julho 10, 2010

Não entendo o terrorismo...

...Falávamos de amizade.

"Am I so insignificant?"

Às vezes a gente nutre pelas pessoas sentimentos que não são recíprocos. Quando é um amor amante, ainda que eu não aceite, entendo. Mas se tratando de um carinho amigo, me dói. Sim, eu estou machucada. Não foi um acontecimento, foram muitos, e ultimamente, seguidas vezes. Como num jogo de cartas onde eu nunca fui o Coringa. Os cenários se invertem e eu apareço sempre de Bobo da Corte desses milhares de castelos superpovoados, sem espaço para graças, mimos e preocupações de um funcionário descartável. Descartar, descartar, descartar. Todos os meus calafrios rondam essa palavra dura. Talvez eu precise mesmo mudar. Talvez eu esteja exagerando nos meus dramas. Talvez eu tenha aprendido a amar demais, a me importar demais, a querer demais. Mania escorpiana de sentimento à flor da pele, coração acelerado, loucura extrema. Mania que tem me feito desejar mil vezes estar mais longe de mim.


"Shards of me too sharp to put back together
Too small to matter, but big enough to cut me in to
And I bleed..."

terça-feira, julho 06, 2010

Between jealousy and madness.


"Meu bem, meu bem, meu bem
Ouça o mau tom do alheio
(...)
A inveja é a vontade de ter o que não é seu
O ciúme é o medo
De tomarem o que é meu
Não nos sirva a ninguém
Dê à ingenuidade adeus
Muitos querem se vestir
Do que não lhes fica bem
Sempre imitando o alheio
Maledicenciando em vão."

Ela devia estar meio louca. Não sabia, não sabia o que era. Talvez fossem os seus demônios que, acabara de descobrir, também existem. Se perdia ali confabulando acontecimentos, criando mil histórias na sua cabeça desvairada. Quem sabe também não fosse um pouco doente, quem sabe seus olhos não a tivessem enganado e visto a pele dele rubra, os lençóis desarrumados, e o sorriso dela vitorioso lhe fazendo arder de raiva. Mais um pouco e as faíscas que tomavam o seu olhar queimariam por completo aqueles cabelos negros que quis arrancar um a um. Ainda mais depois de ouvir dos lábios dele toda a admiração notável e cega que nutre pela outra, depois de vê-la roubar o seu tempo com tanta sutileza que até teria acreditado nas boas intenções dela, se não fosse a vítima. Pedia, pedia sempre, suplicava, que ele não expusesse assim aos outros os sussurros debaixo dos lençóis à meia luz. Tempo perdido, sabia. A outra tomaria o seu tempo, os seus beijos, as suas tardes, sem que ele pudesse notar. Ela morria de medo. Ele era ingênuo. A outra, uma réplica perfeita da serpente do Jardim do Éden. Que dessa vez seduzia a Adão, para que Eva sentisse o seu exército morrer em pleno campo de guerra, enquanto Adão se punha a adentrar outro país. "Loucura!", pensava. E ali louca, ali quieta, ali chorosa, ali perdida, buscava a passagem para o término de toda aquela incontestável crise de ciúmes.

"O peixe é pro fundo das redes
Segredo, pra quatro paredes
Não deixe que males pequeninos
Venham transformar o nosso destino."

domingo, julho 04, 2010

Disritmia.

Eu tremia, enlouquecia, desesperava. Há coisas que realmente nos transportam para outros lugares. Mania minha de sentir tudo a mais. Só sei que tremia como se habitasse um dos pólos, enlouquecia como um paciente de qualquer um desses hospícios para casos críticos. Recompus a respiração e reeduquei a minha desritmia, debrucei-me sobre o parapeito da janela para me mudar o foco, não molhar as lentes. Fiquei quieta para que sanasse aquela sensação insuportável.
Passou. Tudo, um dia passa.

sábado, julho 03, 2010

59 coisas para fazer antes do 20.

1- Fazer uma tatuagem
2 - Colocar um piercing
3 - Beijar o(a) melhor amigo(a)
4 - Se declarar pra alguém
5 - Correr de bikini/sunga pelo quarteirão de madrugada
6 - Ir pra porrada com alguem
7 - Ficar muito bêbado a ponto de não lembrar nada no dia seguinte
8 - Andar de caminhao de lixo
9 - Pegar carona com desconhecidos
10 - Invadir alguma casa com piscina e tomar banho
11 - Tomar banho no caminhão pipa
12 - Nadar nu
13 - Viajar com os amigos
14 - Sair escondido de casa
15 - Pintar o cabelo
16 - Fingir que fala outro idioma em algum lugar
17 - Pular de pára-quedas
18 - Ir em uma rave
19 - Ficar com um menino(a) muito feio(a)
20 - Subir em um palco e dançar loucamente
21 - Entrar de penetra em alguma festa
22 - Ir pra escola bêbado
23 - Dormir na rua
24 - Tomar banho de chuva no inverno
25 - Se apaixonar
26 - Ser expulso da escola
27 - Ir pra um jogo de futebol e ficar na torcida errada com sua camisa do time oposto
28 - Roubar o carro dos pais
29 - Pichar o muro de algum lugar
30 - Beber uma garrafa de tequila
31 - Matar aula pra ir no buteco
32 - Sair sem calcinha (cueca)
33 - Ir a praia de nudismo
34 - Usar a melhor roupa pra ir ao mercado
35 - Sair com o(a) melhor amigo(a) do(a) seu(ua) ex
36 - Chorar vendo um desenho
37 - Ir parar na delegacia
38 - Aprender a tocar algum instrumento
39 - Ter um diário secreto
40 - Beijar um passante
41 - Ir numa boate gay
42 - Conversar com seu animal de estimação
43 - Encontrar um ídolo
44 - Compor uma música
45 - Plantar uma árvore
46 - Viajar sozinho
46 - Escrever um livro
47 - Comprar cinco sapatos em um único dia
48 - Ir em uma vidente
49 - Correr pelada(o)
50 - Ter uma coleção inútil
51 - Mandar um professor chato ir a merda
52 - Perguntar para um estranho como vai a familia
53 - Responder um ‘Oi’ que não foi pra você
54 - Ficar bebada e tirar foto com uma galera que você não conhece
55 - Escrever em um papel, ‘chute-me’ e colar nas costas de alguem
56 - Pedir 10 pizzas, com o endereço de alguem, sem que ela saiba, e fazer ela pagar tudo
57- Enxer a cara e fazer 10 amizades novas
58 - Botar laser na cara dos outros, escondido
59 - Avacalhar uma prova.

- é, parece que não estou tão mal assim!


# Leitores meus, perdoem-me o abandono. Sei que ando ausente, mas é que esse recesso Junino foi um agito so! Não tive tempo para nada. Prometo que a partir de segunda volto a ativa.