sábado, julho 31, 2010

Alien(ação).



Esses dias eu me deparei com uma notícia assustadora. De repente, jornais, rádios, Tv, internet... Todos os meios de comunicação falavam sobre a mesma coisa: O caso 'Bruno' (acho engraçada essa mania da mídia de colocar nos crimes os nomes de seus feitores ou vítimas, a depender da situação financeira). Sentei para entender o que estava acontecendo, e sinceramente, não consegui pensar na possibilidade de ele não ter matado a tal moça. Minha indignação surgiu ali, mas logo baixei a guarda. O que não durou muito tempo. Qual foi a minha surpresa, quando presenciei um debate sobre o assunto, e pude notar que a minha opinião se diferenciava da opinião de outras pessoas. E juro, não foi isso o que me incomodou. O que realmente pesou foi o fato de que todas as defesas se estabeleceram pelo simples fato da alienação que o fanatismo causou. De repente, todas as provas eram pequenas, todas as evidências eram mentira. De repente, a moça se tornou alguém que tinha pedido a própria morte. Ah, façam-me o favor! Quando o caso era o Eloá, o Suzane von Richthofen, o João Hélio (alguém lembra?), o Isabella Nardoni, não haviam duvidas, ou tentativas de inocentar os assassinos. Por que com Bruno seria diferente?
Anuncio: Estou sim indignada. Tenho sim direito de me indignar, assim como fiz todas as outras vezes em que crimes grotescos ocorreram. Não, ele não é meu pai, meu irmão, um amigo próximo. Mas se fosse, isso o faria menos culpado? Quer dizer então que por amar alguém eu devo deixar que ele acabe com a vida de outras pessoas? Se a moça fosse mãe, irmã, amiga, de qualquer um dos fãs exacerbados e alienados, ele seria menos culpado, e ela menos gente? Postos à prova, os defensores buscam até desumanizar Eliza Samudio pela sua profissão. Mas, olha só que coisa: Ela era humana. Humana como você. De carne, osso, coração. Carne que foi devorada. Ossos que foram concretados. E não venha, motivado pelo seu fanatismo, tentar me provar o contrário.

# Era pra esse texto ter sido postado aqui há tempos, mas a correria não me permitiu. Quero deixar claro que esse não é um texto anti flamengo (embora eu não tenha simpatia alguma pelo time). Eu só tentei expressar a minha opinião em relação a alienação, cada vez mais presente nessa geração. A lei "parafuso e fluido em lugar de articulação", que foi cantada há anos atrás, parece se encaixar muito mais agora. Não peço desculpas aos meus leitores flamenguistas, pois sei que alienação deve (ou deveria) passar bem longe deles.

Um comentário:

disse...

Concordo com você! Todas as evidências o denuciava e por um tempo a mídia tentou colocar o goleiro Bruno, apenas como um suspeito. Sim, falaram do passado da moça, do que ela fazia ou deixou de fazer, mas o que de fato isso importa? Como você mesma disse ela era um ser humano e todos nós erramos e temos defeitos ô se temos. Nada justifica a covardia na qual essa moça foi assassinada a maneira mais brutal... Tudo isso me assustou e assustou muito. Quando penso que o ser humano chegou ao limite de sua incapacidde de amar o próximo, derespeitar... Quando penso que o homem chegou ao limite da sua maldade eu vejo o quando estou enganada... E quanta coisa teremos que ver ainda? Quantas injustiças nos esperam? Quanta impunidade?
Até quando?!
Espero por dias de paz.

Gostei muito do seu post!