domingo, julho 18, 2010

A boca vermelha de uma dama louca II.

A moça assustou-se. Podia lembrar sem esforço do codinome que se dera para apresentar-se ao rapaz: Capitu. Dera-se esse nome por conta do livro que havia ganhado do seu pai antes de sair de casa. Adorava o enredo, a sedução da personagem principal da história. Sentia-se Capitu. Dotada de beleza, mil encantos, e também daqueles olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Nunca, em toda o seu tempo de profissão, um cliente havia descoberto o seu nome verdadeiro. Puxou o ar o mais fundo que pode, tentando manter a normalidade:

- Não, não, Capitu. Você deve estar me confundindo.

- Você foi a única mulher de cabelos cacheados ruivos e olhos verdes que entrou no meu carro por esses tempos. E a única que deixou cair a identidade do bolso. - Falou, mostrando a Raica o documento entre os dedos.
A moça bateu a mão na testa como sinal de autoreprovação. Não podia ter deixado aquilo acontecer. Um cliente que descobrisse o seu nome, estaria descobrindo a verdadeira mulher que havia por trás de todos aqueles disfarces noturnos. Disfarçou o desconforto e puxou com rapidez o documento da mão de Luiz.

- Obrigada, Luiz.

- Ora, vejo que não fui só eu quem aprendeu um nome novo por esses tempos.

- Costumo me lembrar dos nomes dos meus clientes recentes. Depois esqueço.

Pronto, era o xeque-mate. Raica havia sido fria, como queria. A frase teve o poder de fazê-la se recompor e voltar a controlar o jogo de descobertas que aquele rapaz impertinente lhe proporcionava.


- Acho que você já fez o que desejava, não é?! Agora com licença, eu preciso trabalhar.

O rapaz hesitou um pouco, e continuou:

- Mas... Capitu! Hum, o nome não é mau. Será que encontrei pelas esquinas de São Paulo uma leitora de clássicos?


Sim, talvez ele houvesse encontrado. Vinda de uma família de intelecto, Raica havia sido iniciada no "caminho da leitura" desde cedo. Quando estava de folga, sempre lia para passar o tempo.

- Não, não. Li esse livro uma vez, por curiosidade, só. Não gosto de ler. - Falou, tentando desempolgar o rapaz, mas não obteve muito sucesso em sua mentira.
- De qualquer forma, Capitu, acompanha-me esta noite?
- Claro, estou aqui para isso mesmo.

A ideia era demonstrar o seu compromisso com o trabalho, mas no fundo, ela começava a pensar que talvez não fosse só isso. Sabia que duas vezes era o limite máximo para atender um cliente. Se tratando de homens como Luiz, uma seria de bom tamanho. Só que algo dentro dela não lhe deixava negar o pedido do rapaz. Algo já começava a fisgar timidamente o seu coração, e ela teria que se livrar disso.

...Continua.

# Meus amores, tá aí a continuação da história da Raica. Desculpem-me a enrolação (não é Tamires?), mas é que esses dias estão meio cheios para mim. Amor e escrita numa Eva só pode pesar um pouquinho! haha. ;)

2 comentários:

Caicai disse...

Já dei a bronca no orkut..mas só pra reforçar, vim dar a bronca aqui também... Não deixe a gente assim.. estou agoniada..quero saber mais sobre a dama louca de boca vermelha..rs.. Aliás, já falei que amei o título? Criativo, intenso (como a autora) e extremamente atrativo!

Queremos o próximo capítulo de A boca vermelha de uma dama louca!! *levanta a placa*

P. disse...

Caicai disse tudo!
hahaha!
Parece a historia de 'Uma linda mulher' xD