domingo, julho 25, 2010

A boca vermelha de uma dama louca IV

- Capitu, essa é minha mãe, Estela. Mãe, essa é minha namorada, Capitu.

Rubra, Raica tentou se recompor para cumprimentar Estela.

- Prazer em conhecê-la Capitu. Que nome bonito! E a moça mais ainda. Parabéns, meu filho.
Luiz sorriu.
- Obrigada, dona Estela. O prazer é todo meu.

Verdade que já tinha sido apresentada como namorada trilhões de vezes. Verdade que já tinha estado em festas iguais, ou até melhores que aquela. Mas alguma coisa soava diferente na voz de Luiz, algo lhe fazia se sentir muito bem em meio a tudo aquilo.
Passaram dias vendo-se todas as noites. Raica sabia que aquilo era um risco, entendia que estava brincando com fogo, mas não se importava mais em se queimar. Gostava do luxo que Luiz expirava, gostava daquelas noites, do sexo com ele, gostava dele. Por vezes, dispensava todos os clientes e se guardava para o rapaz. O seu trabalho havia perdido a graça. Um dia, ela parou, a pedido dele, de encontrar-se com outros homens. Dispensava todos, até estacionar na esquina da 25 de março o conhecido carro vermelho. De vez em quando, ela chegava quase a cogitar a idéia de casar-se, mas sabia que um dia esse sonho acabaria. Contou no calendário: Um mês. Lembrou-se de uma citação do filme Doce Novembro: “Um mês é tempo suficiente para não ter nada sério... e para se tornar inesquecível na vida de alguém”. Não era novembro, verdade. Estavam num agosto frio. Sweet August, pensava. Lembrando-se de como todos aqueles dias a haviam marcado.
Arrumou-se mais naquele dia, queria que ele fosse único, e foi, mas talvez não da maneira que desejava. Quando o salto quinze de Raica soou firme na calçada, ela se deparou com algo que desmanchou as suas esperanças. Conhecia aquele carro, aquelas mãos. Conhecia a moça que estava debruçada sobre a janela. Conhecia o sorriso dela de noite boa. Um torpor lhe subiu a cabeça e ela precisou segurar a parede para se apoiar.

- Não, Raica, você não tem porque sentir isso. Ele não é nada seu. Ele não é sequer seu amigo, quem dirá o seu homem. Vamos, mulher, reaja. – Pensava.

Equilibrou o passo e manteve a elegância. Os olhos insistiam em traí-la, molhados. Posicionou-se no seu ponto e observou de longe a moça entrar sorridente e vitoriosa no carro, enquanto o seu coração beirava um infarto e a sua face molhava. Não podia ser assim, ela sabia. Havia sonhado demais, se entregado demais, se esquecido demais. Naquela noite, o cigarro não lhe foi suficiente. Engatou mais programas que o comum, para curar aquela sensação ruim de impotência. Bebeu mais do que podia e acordou pedindo à rego no outro dia. Olhou o celular: 10 ligações perdidas. Luiz. Não retornou. Mas não demorou muito para que ela pudesse ouvir o toque conhecido que era só dele.

2 comentários:

P. disse...

Luiz, não ele não traiu ela, ele não pode.
Ele tem cara de ser, tão perfeito, bom demais, tão carinho, envolvente!
CONTINUA, CONTINUA!
Sucesso, Eva! (:

P. disse...

Luiz, não ele não traiu ela, ele não pode.
Ele tem cara de ser, tão perfeito, bom demais, tão carinho, envolvente!
CONTINUA, CONTINUA!
Sucesso, Eva! (: