sábado, agosto 28, 2010

Aquele dia.

Era um dia comum. Chato, como todos os letivos. Pesaroso, como haviam sido naquele mês. Mas eu já havia me acostumado com isso. Arrisquei até uns sorrisos, metade deles falsos. Só havia uma coisa de diferente, que fazia meu coração fisgar de medo, ansiedade: Era a aceitação ou reprovação de uma obra. Não sabia o que me diriam, como eu seria interpretada. Procurei esquecer, me concentrar em todas as matérias para estudar, em todos os encantos que me sugavam o corpo, em tudo mais que pudesse mudar o meu foco. Qual não foi a minha surpresa, quando, no momento em que eu esperava a normalidade, me veio quase uma homenagem. Alguém me lia, em voz alta, me elogiava, me amava um pouco. Era uma admiração boa de se ver. Aquele sorriso ao proferir palavras minhas, ficara pra sempre guardado em mim. Aquele momento, aquele dia, aqueles pequenos minutos. Tudo aquilo cresceu aqui dentro, se transformou num carinho tácito e enorme. Mas para o meu desespero (secreto), tão maior que o que vem para mim. É estranho, não é? Estranho que nutramos pelas pessoas tantos carinhos, e que às vezes recebamos quase nada do que damos. Nos dias normais, eu tento não me importar. Mas é que esse vinho tinto me deixa sensível como o diabo.

Um comentário:

Mariana Pimentel. disse...

Uau! No geral, parabéns pelas últimas postagens. "Platônico" tomou seu devido rumo, aqui, mesmo depois te tanto tempo. Talvez porque palavras não tenham prazo de validade... :)