domingo, agosto 01, 2010

É teu.


- Olá.
- Oi.
- Como vai você, moça?
- Cansada.
- Não quer me contar o por quê?
- Tenho um coração... Um coração que me é grande demais.
- Mas é só esse o problema?
- Só esse? Não acha muito ter um coração que não me cabe no peito?
- Tenho a solução.
- Tem?
- Sim, sim. Dê-me um pedacinho dele.
- Ele já está aí, não vê? Ao seu lado, querendo que você o pegue. Não me coube no peito e saiu em pedaços por aí. Sente frio, sente fome.
- Por que é que você não me disse isso antes? Não poderia ajudá-lo sem que ele me pedisse ajuda.
- Então tome, pegue. Ele é seu, ele sempre foi seu.
O rapaz tomou o coração nas mãos, e o guardou dentro do peito.
- Pronto.
- Promete uma coisa?
- O que?
- Promete cuidar bem dele?
- Prometo.
- Promete cuidar bem dele infinitamente?
- Que seja infinito enquanto dure.
Ela sorriu.
- E que seja doce.
- Não, não.
- Não?
- Que seja tentador.
Beijaram-se.

2 comentários:

Livia Lopes disse...

Doce e descomplicado, assim defino este conto lindo!

Amei!

disse...

Que delicadeza. Li o texto e imaginei a cena... Doce.


:)