sexta-feira, setembro 24, 2010

Mudaram as estações.

Já vou embora
Mas sei que vou voltar...♫

Bem, eu acho que não é mais novidade para nenhum de vocês, meus leitores, que o parteexiladademim anda sem posts ultimamente. Falei sobre excluir o blog, e notei que todos tiveram a mesma reação: Poxa Eva, o que eu vou ler agora? Juro que não queria desapontá-los, mas é que anda mesmo muito difícil escrever aqui. Ultimamente as ideias tem se misturado demais, e me tem sido impossível passar isso para o blog. Segundo um dos "reclamões", Marcos Vinicius, o problema é que eu não estou sofrendo! (rs), talvez todo o problema seja a gravidade das coisas, o que as torna indizíveis. Deixar aqui o selo da minha mudança não seria nada bom. Expor os novos acontecimentos da minha vida não se encaixaria nesse espaço. Então, meus amores, me desculpem, mas eu terei que desativar o blog por tempo indeterminado. Não estou indo embora não, só dando uma trégua. Pode ser que amanhã vocês já encontrem por aqui novos posts, mas pode ser também que isso só aconteça daqui há meses. Tudo ultimamente tem dependido de uma coisa só: O coração. Aliás, nada diferente do que sou, não é?! Do que passei por aqui pra vocês todo esse tempo. Obrigada por me incentivarem sempre, por me pararem no colégio para me elogiar, por me falarem coisas legais no Messenger. Obrigada mesmo por me reconhecerem. E eu vou voltar, podem esperar.

# Em contraponto, sugiro a vocês que acompanhem o meu fotolog. Tenho postado quase diariamente. Sem contar que assim dá pra matar a saudade do parteexiladademim. (:

quarta-feira, setembro 15, 2010

Encontro.

Bárbara andava pelas ruas solitárias da sua cidade, quando ela apareceu.

- Que triste você está hoje, Bárbara.
- Senhorita consciência! Já imaginava você por aqui. É, estou um pouco triste.
- O que houve, meu amor? Do que você precisa?
- Sinceramente?
- Sinceramente.
- De alguém que me chame exatamente assim.
- Então, qual o problema?
- O problema é que preciso que vá além dos meus sonhos bobos.

Foi então que ela sumiu, e Bárbara se viu ainda mais só. Insaciável, incompleta. Com a vida de pernas pro ar. Pendurada numa forca pela velha corda "problemas internos", apoiada no banquinho "problemas externos". Se pulasse do banquinho, seria enforcada imediatamente pela corda. Bárbara chorava, até quase desidratar. Depois voltava para casa com os mesmos olhos inchados de sempre. Pedia a rego e dormia fingindo nunca ter sentido nada daquilo.

terça-feira, setembro 14, 2010

Carta dele.

"És muito mais que essas criaturas que vagam perdidas nesse mundo". Ele me disse. E eu quis acreditar que sou. Quis ser. Ah, eu me ponho nessa noite a escrever, ler, desandar, pensar. A noite está vazia, e ao mesmo tempo, tão cheia... O quarto ainda guarda cenas, cenas loucas, sorrisos, lágrimas, alcool... Até mesmo o violão me lembra milhares de coisas. Tenho um suor que incomoda o meu sono. Aliás, ele nem se quer chegou ainda. Acho que esse desespero noturno afigura mais uma madrugada insone. Hoje pela manhã, alguém me falou sobre sentimento, e sentir é mesmo algo extraordinário. E eu sinto. Sinto sempre, sinto todas as coisas que parecem explodir aqui dentro. Surto com gente burra, mas não burra de cérebro, tem gente que tem o espírito emburrecido, tem gente que nem sequer tem alma. Pra mim, isso é muito estranho. Estranho que existam pessoas completamente avessas a lei natural das coisas. E eu, inconstante, inconsequente, continuo lendo a carta dele, que me diz: "Baby, não deixe seus impulsos destruirem você. Você é linda, inteligente, não quero te ver jogar isso fora". Tenho querido acreditar o tempo todo em todas essas coisas, acreditar em mim. Parar de confundir coragem com impulso, aprender que o sofrimento é opcional e eu não preciso procurar por ele. Aprender a não me preocupar com gente de alma pequena, mas sim, me render as pessoas de alma grande, de sentimento grande. A gente que sabe amar.

"Mas é claro que o sol vai voltar
amanhã mais uma vez, eu sei
(...)
Eu sei que um dia a gente aprende..."

terça-feira, setembro 07, 2010

Sobre forças.

- Você não passou por coisa piores do que você está passando?
- Passei, claro que passei! Mas acontece que justamente por ja ter passado por muita coisa, é que hoje eu não sei se ainda tenho forças.
- E amar, nao é ter forças?
(...)
- Não posso nem tentar lhe responder o contrário... É, amar é ir além das forças.

quinta-feira, setembro 02, 2010

A festa da festa.

- Alô.
- Clarissa, festa na casa do Sérgio às 3h. Recado dado.
- Do Sérgio? Você tá maluca?
- Cla, já passou da hora de vocês voltarem a se falar, você não acha? Já faz tanto tempo...
- Mas, Bruna...
- Nem mas, nem meio mas, Clarissa. Você vai.
- Ok, ok.

Não sabia se era a hora, mas se a oportunidade havia chegado, eu deveria ir em frente. Precisava encarar aquela verdade, testar o meu próprio coração e entender tudo aquilo. Pus o meu novo vestido vermelho, e me arrumei para uma festa comum. Não parei para pensar no que estava fazendo, sabia que se parasse, desistiria. Estacionei o carro na garagem do prédio. Não era a minha intenção, mas não quis render a conversa com o porteiro, que já havia aberto o portão para mim e me cumprimentado como antigamente. "Droga! Primeira a chegar." Pensei, quando Sérgio abriu a porta para mim e sorriu, como se não acreditasse no que via.

- Entre, Clarissa, sente. O pessoal deve estar chegando.

Tocava Chico Buarque. E eu odiava aquela fisgada no peito que ficava mais forte à cada segundo. Minhas mãos suavam, meu corpo inteiro tremia. Nem nas minhas piores estimativas eu havia pensado sentir tudo aquilo.

- Mando descerem as cervejas, ou a gente fica só no wiskhy enquanto a galera não chega?
- N-não sei, Sérgio. A festa é sua. - Gaguejei - Mas se não for incomodo, eu gostaria de um copo d'agua.
- Mas é claro... - Falou, dando-me o copo cheio, que me pus a tomar num gole só.

Não era bom aquilo. Eu havia mostrado estar nervosa. Mesmo após tanto tempo, tantas outras bocas, mãos, perfumes, aquele rapaz ainda me tirava do sério.

- Bom, acho que podemos conversar um pouco. - Olhou para o relógio. - Parece que você chegou um pouco antes do horário.
- É...

Eu, monossilábica. Nunca fui boa com palavras quando nervosa. Tocava "A Rita", e eu fingia não pensar naquela música, olhando o copo vazio. Podia trocar Rita por Sérgio e cantar a canção sem esforço. Talvez ele pudesse fazer o mesmo comigo. Nós dois, pura mágoa. Enganos, mancadas, viagens, compromissos, tudo aquilo havia feito desgastar o amor. Não me lembro em que ponto exatamente, perdemos o foco. Sei que do meio para o fim, ele se perdeu. E nos vimos ali, dois amantes perdidos entre frieza e desejo. Foi então que eu fui lá (na minha insuportável mania de querer resolver todas as coisas), e quebrei o nosso elo. Desfiz o nosso laço, desamarrei os cadarços dos nossos tênis surrados, mandei Sérgio embora. A partir daí, foi um desastre. Me contaram dos comprimidos, das internações. Depois me falaram sobre um novo amor, e outro, outro. Falaram sobre um cargo maior na empresa de seguros. Então percebi que ele estava bem. Não nos viamos desde aquele dia no apartamento, naquele mesmo sofá, em que eu fui embora. Agora eu estava ali, sentada. Olhando para o teto e pedindo que a festa começasse logo.

- Escute, Clarissa...

Sérgio se dirigiu ao som, e passou algumas músicas. Parou, olhou-me. Era "O meu amor". Era a nossa música. Como ele podia fazer aquilo? Como podia brincar com o meu nervosismo daquela maneira? E pior! Como podia mexer assim com a minha libido? Sérgio sentou-se ao meu lado. Estendeu-me a mão, aceitei. Como era maravilhoso sentir a pele dele novamente! Meu Deus, como era bom, doce, excitante. Soltei a minha mão, e passei a percorrer-lhe o seu braço. Aquele braço forte, lindo. Com a outra mão, Sérgio levantou-me o queixo. Nossos olhos se encontraram, fatais. Nos beijamos. Percebi que o tempo não havia desfeito o nosso encaixe. Nossas bocas pareciam ensaiadas. "Eu te amo" começou a tocar, e eu senti que além de mim, Sérgio também beirava uma taquicardia. Nossos corpos tentaram se encostar mais, como se desejassem adentrar um ao outro. Mas havia outra forte de fazer aquilo. Sérgio desamarrou o meu vestido e descobriu o meus seios. Eriçados, loucos, desejosos. Eu lhe tirei a camisa, e todo o resto. Deitamo-nos no chão, sem maiores preocupações. Ele olhou-me.

- Clarissa...
- Shiii, não, não, não fale nada. Não estrague o nosso momento.

Amamo-nos, em silêncio. Quentes, firmes, maduros. Qualquer palavra faria mudar aquela história. E não era isso que eu queria. Sérgio também não. Demos vazão as nossas vontades, apenas. Crus, nus, inteiros. Não nos cabia entender aquele sentimento. Não teríamos nunca inteligência para tanto. Algumas coisas não foram feitas para serem entendidas, mas para serem sentidas. Sérgio dormiu no meu colo. Corpo colado com o meu, suado. Como era bom aquele cheiro de sexo bem sucedido, aquele cheiro de amor. Fiquei mais um pouco ali, sentindo toda aquela atmosfera que ao mesmo tempo, fazia e não fazia tanta falta. Tocava "Trocando em miudos" quando parei na porta, olhando-lhe mais uma vez. Tomei o ultimo gole de whisky. E parecia que o Chico cantava para mim: Uma saidera, muita saudade, e a leve impressão de que já vou tarde.