sexta-feira, novembro 05, 2010

Aquele último dia. (parte II).

"Iria só até o fim, daria tudo e mais um pouco de mim..."

Estava tão bem, que nem se quer o ônibus lotado o incomodou. No mp4 tocava Dona-Roupa Nova. Seus amigos muito cultos lhe caçoariam aos montes, ele não estava nem ai. Não se preocupava mais, sabia que ela era mesmo sua dona. Completa, total. O motivo das suas insônias e também dos seus sonhos. Dos seus sorrisos e também das suas lágrimas. "É a moça da cantiga, a mulher da criação, umas vezes nossa amiga, outras nossa perdição...", era a música que melhor a definia, e talvez, fosse isso que o tivesse feito se apaixonar. Vivian era uma menina admirável. Quase não se podia imaginar que por trás daquela garotinha pequena recém-saída da puberdade, houvesse uma mulher madura, diferente. Mas bastavam alguns minutos de conversa com ela para que o cupido flechasse qualquer carinha de bom gosto. Aliás, nem isso. Bastava vê-la andar, imponente, independente, com cara de vinte e poucos anos. Era fatal: Paixão louca à primeira, segunda, terceita e todas as outras vistas. Esse fenômeno havia acontecido com Marcos há quase um ano atrás, e desde então, nunca o havia deixado em paz. Ele sabia: Estava mais do que na hora de uma atitude.
Chegou à escola mais cedo que o de costume, mas encontrou Vivian na portaria. Abraçaram-se, quentes. Perguntaram um ao outro como havia sido o domingo, conversaram sobre o jogo de futebol da tarde, sobre o filme da noite. Era incrível como eram opostos. Ele, flamenguista roxo. Ela, São Paulina apaixonada. Ele, amante dos filmes de ação e aventura. Ela, louca por comédias românticas. Mas se completavam, se entendiam, se amavam, silenciosamente. Toda essa relação tornava mais necessária a atitude de Marcos. Agora, não havia nem se quer tempo para fuga. Ele precisava ir, precisava mergulhar naquele mar. Sem medo de bater a cabeça no fundo, sem medo de se afogar.
Cochichou com um colega algo que Vivian não pode ouvir. Trocaram algumas brincadeiras de rapazes. Logo depois, com um sorriso sacana no rosto, o amigo deu-lhe algumas chaves. Certificando-se de que a moça já havia entrado na classe, Marcos guardou-as no bolso. Esperou para se despedir da diretora, que provavelmente lhe faria mais um discurso no estilo "boba ovo", falando do seu pai e toda a parte classe A da família. Ele nem se quer a ouvia. A única coisa que povoava os seus pensamentos era o corpo de Vivian, o rosto de Vivian, Vivan. Esperou até o intervalo, para vê-la novamente.
- Vivian, não sei se lhe contei, mas estou indo embora hoje...
- Mas já?
- Sim, meus pais querem que eu comece a quarta unidade na nova escola, não posso esperar mais.
- Nem mais uma semana?
- Nem mais um dia.
A menina entristeceu um pouco.
- Mas olhe, escute... Farei uma festa de despedida hoje na casa do Abreu. Quero você lá, ok?!
- Não faltaria por nada nesse mundo.
O garoto enrubesceu.
- Então, posso passar para lhe pegar, não é?! Às sete?
- Combinado, às sete.
- Até!
- Até!
Pensou consigo que à partir daquele dia amaria todas às sete horas de todas as noites seguintes.

# Continua...

Um comentário:

Viiviih M. disse...

Nossa,é impressionante como essa história se parece com a minha,mas no caso sou Marcos.
muito bom,e na festa vai ter só eles dois,acertei?
Beijoos ;*