terça-feira, novembro 02, 2010

Aquele último dia.

Marcos acordou assustado. Havia sonhado com ela novamente. O sonho havia sido bom demais e era justamente isso que o inquietava. O beijo que ele não deu ainda perturbava todos os seus sonhos quase infantis. O ouvido estava quente, como se tivesse sido mordiscado pessoalmente pela moça. Suas mãos tremiam, o corpo suava. E ele se limitava apenas a odiar os efeitos devastadores daquele garota em sua vida. Mas naquele dia... Naquele dia estava tudo mais forte. Aquele era o ultimo dia de Marcos na cidade. Seu pai, gerente de um grande banco, precisava urgentemente se mudar. Ele, a mãe e os irmãos iriam junto. No começo, ainda cogitou a ideia de ficar com os avós. A mãe quase enlouqueceu, o pai não conseguiu entender o porque, mas Marcos, bom de lábia que só ele, cuidou de tudo. Quando já estava tudo certo para ficar, mudou de planos. Desistiu, cansou. Sabia que uma moça linda como Vivian nunca lhe daria bola. Mudar de ares seria bom. Bom para esquecer aquela velha paixão. Bom para estudar mais. Bom para se resolver.
Bom mesmo seria se o seu coração entendesse tudo aquilo. Diferente disso, aquela última semana havia sido perturbadora. Sonhos quentes todas as noites, lembranças de cada pequeno gesto de Vivian, qualquer bandeira, qualquer frase dita da boca pra fora... Tudo, tudo lembrava a moça. Marcos tinha para si que ficaria louco. Cada hora parecia durar anos, cada dia, séculos. Vivian parecia mais bonita, cabelos mais cacheados e brilhosos, boca mais rosada. Tornaram-se até mais próximos. Na sexta, fizeram em dupla o trabalho de literatura. No sábado, sairam para tomar um sorvete e a moça lhe disse um "sentirei sua falta" que continuou flutuando na sua cabeça até o começo daquela segunda chuvosa. Iria à escola apenas para pegar os seus resultados, se despediria dos amigos (e de Vivian), e pronto. Casa nova, escola nova, amigos novos, vida nova. Seria assim, se ele não estivesse sentado na beirada da cama as quatro da manhã, com aquele nó no peito insuportável, aquela vontade imensa. Discou alguns números no celular, caixa postal. "Graças a Deus!", pensou. Era loucura. O que ele diria para ela? O que faria Vivian olhar para Marcos como alguém além do colega de escola, além do amigo de guerra de travesseiro e sorveteria aos sábados? Onde estava o foco, o ponto que mudaria a cabeça de Vivian? Ele não sabia. Tentava não querer descobrir. Mas era teimoso, sempre. Passou o resto da noite pensando no que faria, e às seis e meia daquela segunda-feira, pela primeira vez, Marcos estava de pé, bem disposto, e de coração pulsante. Tinha planos. Iria tentar, iria em frente. Não custava. Se nada desse certo, não voltaria nunca mais ali. Mas ele tinha que arriscar. E foi.

# Depois de tempos sem um conto que tivesse mais de uma postagem, eu lhes apresento: Aquele último dia. Aguardem o desenrolar da história, e divirtam-se. Espero que gostem! (:

2 comentários:

Viiviih M. disse...

Huum,raiva de ti,tava louca para saber o que aconteceria hsuashau
Muito bom,aii posta logo as outras partes,por favor...
Beijoos ;*

Mariana Pimentel. disse...

Huum, ansiosa para a continuação! :)