terça-feira, janeiro 04, 2011

Carta do amante secreto e louco

Eu vi a sua mão suada agarrando o travesseiro com força. Aqueles gemidos loucos, aqueles gritos. Você estava lá mais uma vez. Alimentando a sua velha mania, a sua velha loucura, o seu velho vício. Ele, o rapaz que havia destruído os seus e os meus sonhos, lhe tomava no braço e gozava dentro de ti. Tive raiva. Não ciúme, não nojo, mas raiva. Te ver escrava daquele amor escroto não me agradava, ainda que eu houvesse me tornado tão escroto com o passar do tempo. Mais uma vez não, você não podia. A sua vida desmoronando de novo sobre a tua e a minha cabeça era algo que não deveria nunca mais acontecer. Mas você estava ali. Tão entregue, tão inteira, tão dele, e tão pouco sua. Minha raiva foi se tornando ódio. Um ódio imenso de estar ali, aumentando o volume da minha música para não ouvir os gritos do teu erro se multiplicando nos meus ouvidos. De ter que olhar para a sua cara de noite mal dormida e sexo bem sucedido no outro dia pela manha. Tentei ligar para alguém, conversar. Me falaram sobre amor. Sobre o desvario e a loucura que ele carimba em todos os seus adeptos. Eu ri. Riso mesmo de deboche, de quem não pode mais ouvir esse papo velho de alma gêmea. Você não entendeu que você não é o Peter Pan? As rugas daqui a pouco estarão tomando conta do seu rosto. E quando isso acontecer eu já não estarei aqui para segurar os pontos e cuidar das suas responsabilidades.

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