quinta-feira, março 03, 2011

Mentiras não-sinceras.

Ele não era o rapaz dos meus sonhos. A barbinha rala, o cigarro, o whisky... Tudo havia firmado na minha cabeça um cenário que na verdade não existia. Ele era só um rapaz fútil de péssimo gosto musical. Isso poderia parecer besteira, mas em meio aquele monte de descobertas, era mais um ponto a favor da desilusão. “As pessoas mentem. Isso é fato”, insistia a minha mente. Mas lá dentro, o meu coração chorava. Eu havia quebrado o meu orgulho para ver aquilo? Um sorriso bonito e um rapaz pouco interessante? Eu estava perdidamente apaixonada por alguém que não existia, meu Deus. Onde eu jogaria as cartas de amor, os sonhos tão bem sonhados, os delírios, as vontades? O que eu faria com a minha paixão? Eu não fazia ideia. Tentava pouco à pouco acalmar os meus ânimos e me dizer: "Ainda bem, você não queria mesmo se apaixonar, lembra?". E fingia querer aquelas descobertas ruins, escondendo perfeitamente de todos que o que eu queria mesmo era que ele fosse o rapaz por quem eu havia esperado todo esse tempo.

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