domingo, julho 17, 2011

Fim.

Ela saiu sem rumo. Sem rota, sem destino. Qualquer coisa para fazer seria melhor do que ficar naquela inércia. Foi. O coração doía, mas ela não chorava. Precisava ser forte. As árvores passavam pela sua vista como vultos verdes, as pessoas estavam todas uniformes. Precisava beber algo. Precisava daquele estado de euforia que o alcool lhe dava. Aquela felicidade falsa, mas convincente. Ou talvez fossem as pessoas que não reparassem mesmo. A voz muito rouca pediu um cigarro e uma garrafa de vodka ao vendedor. Ele a olhou com cara de pena. Ela odiava isso. Não queria pena. Queria um abraço, só. Queria alguém que sentasse ao seu lado, lhe pusesse a mão no ombro e dissesse “vai ficar tudo bem”. E que esse alguém não lhe cobrasse nada, não lhe perguntasse nada. Que quando chegasse a hora, tivesse ouvidos atentos e palavras amigas. Mas não. Não havia ninguém por ali que fosse capaz disso. A bebida amargava na garganta e o cigarro a fazia tossir. Falta de costume. Há tempos não se rendia aquele desespero. Isso também doía. Ela estava fraca. Ela era fraca. A pupila dilatou-se mais um pouco, e agora sim, já não via nada. E até hoje, não se sabe se ela havia visto ou não o precipício em que caiu naquele fim de tarde.