terça-feira, setembro 13, 2011

As cartas que não mando.*

Você vai me achar uma louca por eu estar te escrevendo depois de tantos anos, mas é que estes dias tem sido cheios de saudade de você. Sabe, minha amiga, nesses anos tantas coisas aconteceram... Eu esqueci aquele rapaz que me fez mal e de quem você odiava. Mas vieram tantos outros... Eu queria poder te contar. Só que nossos rumos são diferentes e suas escolhas hoje são tão puritanas que eu nunca lhe falaria sobre as loucuras que ando fazendo. Ainda assim, sinto saudade. Saudade dos nossos brigadeiros de panela, saudade das nossas sessões de filme, saudade do seu olho preocupado comigo quando eu fazia besteira. Ah, amiga... Saudade dos comentários pelos corredores da escola de que nós éramos inseparáveis. Em que ponto nos perdemos? Eu não faço ideia. Sei que um dia, quando te olhei, você já não era mais a minha confidente, a minha segunda pele, a minha menininha. Você era só uma velha conhecida. Posso te dizer que te abraçar me doeu? É, doeu. Eu quase quis chorar e te perguntar porque tudo isso aconteceu conosco, eu quase quis te pedir pra mudar. Mas eu sabia lá no fundo que essa mudança não é possível. Eu sei que hoje nós não trocaríamos um punhado de palavras fáceis, quem dirá segredos guardados a sete chaves. E a pior coisa é essa sensação que o nunca mais dá, de não dar pra mudar. É uma pena, porque eu ainda te desejo perto. E ainda te amo, ainda me preocupo contigo e sinto curiosidade em saber se você está bem, se a faculdade tem sido legal, se o seu namoro é firme e se você tem planos de casar. Nós íamos ser madrinhas de casamento uma da outra, você se lembra? Hoje eu espero por receber só um convite. Do seu casamento, da sua formatura, do aniversário dos seus filhos. E espero que um dia, quando um deles vir as nossas fotos sorrindo sinceras e te pergunte quem eu sou, você possa responder "uma das pessoas mais importantes que tive na vida", porque é isso que vou responder aos meus.

Saudades irremediáveis.
Sua sempre,
Melhor prima.

*Título emprestado da música do Leoni.

3 comentários:

Viiviih M. disse...

Sinto que isto está acontecendo comigo.Gradualmente acontece.Como recuperar,como vencer a distância que os km de uma cidade a outra impõem aos corações?Se tiver aprendido,por favor me dizer.Eu mesma não sei.

Carla Carniel disse...

Como é que a gente deixa esses distanciamentos acontecerem? =/ Vamos vagando e perdendo pessoas pelo caminho..

Mariana Pimentel. disse...

Agora você colocou o dedo na ferida... Algo em comum que a gente tem, e que por sinal aconteceu entre nós mesmas, hein? Uma certeza: A surpresa. A gente nunca sabe o que reencontra no caminho. Ou o que vai acabar deixando...