Terça-feira, Outubro 18, 2011

Desacreditar.

"O certo é que eu tô vivendo, eu tô tentando
Nosso amor, foi um engano
Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar
Como pode alguém ser tão demente,
Porra louca inconsequente e ainda amar,
ver o amor como um abraço curto pra não sufocar
ver o amor como um abraço curto pra não sufocar..."

Ela tentava, incansavelmente. Tentava e tudo o que via tinha cheiro de beijo, língua procurando língua, vezenquando gozo. Como se a falta que sentia dele fosse só contato. Não era. Ainda assim, ela ia. Por outros tantos caminhos que a sua beleza, ou a imagem promíscua que criara lhe permitiam andar. Ela trilhava firme, pronta para esquecer o que lhe disseram sobre amor, sobre paixão, sobre sintonia, sobre destino. Não valia a pena. Talvez essa nova vida também não valesse, mas pelo menos não lhe doía. A não ser pelo ego que era esmurrado todas as vezes em que pensava em si mesma e no quão diferente estava. E pensava por vezes que não queria ser assim. Mas sabia que era a única forma de estancar o choro dolorido de saudade, de vontade, de sonho. Sonho, principalmente sonho. Sonho que não viraria realidade, agora ela sabia que não. E a busca era também por esquecer a sua conduta porra louca, a sua mania maluca de seguir os seus impulsos e de ser sensível, de acreditar nos mais ilusórios sonhos. Tentava romper o vício pelo crédito. Tudo que ela queria era desacreditar, pensar que o impossível é imutável. E pela primeira vez, desistir. Mesmo porque, não haveria como tentar. E aceitar que a vida passaria, o tempo passaria, até a morte chegasse de supetão. Simples, complexo. Sem ele, sem tantas outras pessoas, às vezes até sem ela mesma. Mas ao mesmo tempo, com ela sim. Com o corpo físico que seu espírito tinha o dever de carregar. De cuidar, de não machucar mais, de não deixar chorar tanto. Era o seu dever. Ela consigo mesma. E este era o único romance ao qual se dedicaria até o fim da vida.

0 Opiniões: